Geral

Estação Unisinos: os vilões de uma história

Passageiros cobram melhorias no local, que completará 20 anos em 2017

Leonardo Vieceli e Thomas Bauer

 

Estação Unisinos abriu as portas em 1997 (Foto: Thomas Bauer)

Estação Unisinos abriu as portas em 1997 (Foto: Thomas Bauer)

 

Os ponteiros do relógio indicam que as aulas noturnas acabaram. São quase 22h15min de uma segunda-feira (19) em que o vento frio na Estação Unisinos da Trensurb, em São Leopoldo, lembra que setembro ainda é mês de inverno no Hemisfério Sul. Com mãos nos bolsos e casacos abotoados, estudantes da universidade protegem-se da temperatura entre 10ºC e 15ºC enquanto aguardam a chegada do trem.

No andar superior da estação, localizada há aproximadamente dois quilômetros do campus, Daniel Ortiz Matos, 29 anos, caminha próximo das catracas. Doutorando em Direito na Unisinos, o baiano frequenta o local “quase todos os dias”. “A estrutura daqui é razoável. As escadas rolantes não funcionam, e os banheiros têm limitações. O que compensa é o preço barato do bilhete de trem (R$ 1,70)”, avalia.

Em dezembro de 2017, a estação completará 20 anos de operação. De lá para cá, não passou por reformas robustas — o que ajuda a explicar em parte as condições relatadas por Daniel sobre o local. Além dos estudantes da Unisinos, o complexo também é ponto de embarque e desembarque de trabalhadores e moradores das proximidades. Apenas no primeiro semestre deste ano, em média, 6.155 usuários do Trensurb utilizaram a estação por dia útil, conforme a empresa pública, somando um total de quase 1 milhão de pessoas nesse período.

Uma das frequentadoras é Tânia Mello, 53 anos, que diz transitar pelo local desde a sua inauguração. A exemplo de Daniel, a aposentada queixa-se do não funcionamento das quatro escadas rolantes. “Por que nas outras estações estão em ordem e aqui demoram tanto tempo para resolver o problema? Se não há conserto, por que não compram novas logo?”, questiona.

 

Tânia reclama do não funcionamento das escadas rolantes (Foto: Thomas Bauer)

 

A reivindicação de Tânia esbarra principalmente na burocracia. As escadas rolantes estão desativadas desde 2013, segundo a Trensurb, apesar  de haver relatos de paralisações em anos anteriores, como em 2009. O processo de licitação  de novos equipamentos começou em 2014, e a empresa aguarda documentação da companhia contratada para que os trabalhos possam ser iniciados. A partir daí, o limite previsto para a conclusão dos serviços é de 180 dias. O contrato inclui a substituição de três escadas na Estação Unisinos, uma na Estação São Leopoldo e a instalação de uma adicional na Estação Aeroporto, em valor total de R$ 1,8 milhão.

Além de sublinhar esse problema, o aposentado Volney Müller, 63 anos, reclama das goteiras que tornam o piso escorregadio, próximo das bilheterias, em dias chuvosos. Morador de Canoas, o aposentado frequenta a Estação Unisinos porque costuma passear no Vale do Sinos. “Saio de casa para deixar a mente funcionando”, explica, entre risos.

 

Volney passa pela Estação Unisinos para passeios no Vale do Sinos (Foto: Thomas Bauer)

Volney usa a Estação Unisinos para passeios no Vale do Sinos (Foto: Thomas Bauer)

 

O vendedor Christian Marx, 27 anos, também diz que as goteiras são um problema para quem trabalha ou circula no centro comercial da estação, localizado no andar superior. Funcionário de uma loja de games e assessórios, afirma que, apesar dos contratempos, a movimentação no local é um atrativo. “Tínhamos a loja na rua, aqui perto, mas viemos para cá. É mais seguro”, comenta.

O repertório de atrações do centro comercial da Estação Unisinos é vasto: vai de salão de beleza a tabacarias e lancherias. Há até uma escola de cursos profissionalizantes. De acordo com Christian, comerciantes do local acertaram o que chamam de condomínio mensal: além do aluguel, pagam por iniciativa própria serviços de segurança e limpeza.

 

Christian é funcionário de uma loja de games (Foto: Thomas Bauer)

Christian é funcionário de uma loja de games e assessórios (Foto: Thomas Bauer)

 

Trensurb x Unisinos

A responsabilidade administrativa da estação é da Trensurb, que não guarda relação com a Unisinos. A instituição apenas empresta o nome ao complexo. O único detalhe que remete à universidade no local são os seus logos estampados nos ônibus do transporte circular, que fazem o trajeto entre a estação e o campus de forma gratuita.

A título de comparação, a Trensurb fechou parceria, em 2013, com agentes externos para reformar parte de sua estrutura de operação. À época, um acordo com a Petrobras garantiu a revitalização da estação que leva o nome da companhia estatal, em Canoas. A possibilidade de um eventual acerto nos mesmos parâmetros com a Unisinos até anima passageiros e comerciantes, mas não houve tratativas recentes com esse objetivo, conforme as assessorias de comunicação da Trensurb e da universidade.

Lida 957 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.