Cultura

A essência da cultura em um festival sem discriminação

Um círculo composto por mulheres com desejo de aprender.jpg reduc

(Foto: Laura Gallas)

 

Um evento totalmente colaborativo que envolve talento e cultura. As ações do Grito Rock Canela, que ocorreram durante o dia 14 de maio no município, foram um misto de envolvimento, criatividade e boas energias. Interessada nessa mistura e em conhecer mais da cultura que rodeia, acompanhei duas ações dentro da programação do evento, dentre elas a oficina de mandalas com lã, ministrada pela mandaleira Camila Soares Freitas, que reside em Caxias do Sul.

Da minha parte, já havia um interesse em querer participar, mas ele foi aguçado pela insistência de duas amigas, que despertaram na manhã gelada de sábado e foram comigo até a Feira Agroecológica e Cultural de Canela. As definições no decorrer deste texto foram minhas percepções com as atividades que participei.

Encontramos lá pessoas do bem, alto astral e dispostas. Começamos a tecer a lã em palitos de churrasco e, a cada contorno, uma expectativa. Atenta às dicas de Camila, escolhi as cores verde-escuro, marrom, verde-claro e branco para finalizar a minha pequena primeira mandala.

 

Para confeccionar as mandalas, há diferentes técnicas. (Foto: Laura Gallas)

 

Aos poucos, entre um riso e outro, fomos descobrindo de que aquele “quadrado colorido” serve como uma terapia. Logo nas primeiras voltas, fomos identificando que as intenções do tecer são as mesmas do nosso momento de espírito, fazendo transcender a ansiedade, o medo, a tristeza, a desatenção.

 

Esta foi a minha primeira mandala. (Foto: Laura Gallas)

 

Empoderamento feminino

A mensagem que levo da outra ação que participei é: refletir sobre si mesma. De forma leve, sincera e inspiradora, o bate-papo sobre o empoderamento feminino, no ato #GritoDelas, com o depoimento de Cristine Hansen, fez com que muitas das mulheres que estavam na roda saíssem de lá com uma outra visão sobre sua vida e suas atitudes. A história da Tine, como é chamada pelas amigas, foi motivadora pelo simples fato de ela ter dividido intimidades e ter, realmente, empoderado as mulheres dali. “Descobri que não posso ser o homem da casa, mas sim a mulher da casa”, disse ela ao contar sobre a declaração de uma tia – que Cristine teria que ser o homem da casa – logo após a morte de seu pai, quando tinha 14 anos.

 

Cristine Hansen contou sua história e reforçou o papel da mulher na sociedade. (Foto: Laura Gallas)

 

Muitas meninas – assim como eu -, devido aos percalços da vida, às vezes colocam em si toda a responsabilidade familiar e financeira. Aos poucos, aquela menina meiga e delicada foi se transformando no “homem da casa”, conforme a própria Cristine se denominava. Quando viu que aquela máscara estava prejudicando a saúde e os aspectos emocionais de sua vida, resolveu se aceitar do jeito que era e, desde então, encoraja-se a passar por cima de preconceitos e lamentações. “Precisei ser forte para encarar as pessoas”, disse ela, hoje com 26 anos.

Através de bate-papos informais, Cristine busca encorajar e empoderar meninas que se sentem submissas e acabam esquecendo da sua feminilidade, dos seus desejos e sentimentos. Por algumas vezes me emocionei com o relato de Tine, hoje tão centrada e decidida em defender e motivar as mulheres. Já passei por alguns momentos complicados em família, mas, ao invés de me afastar, tive coragem para junto dela lutar e vencer. Ouvir o depoimento de Tine reforçou minha verdade como mulher e a ideia de que temos que lutar por aquilo que somos e por aquilo que queremos – uma verdadeira lição de vida daquela manhã gélida.

 

#GritoRock

O evento é reconhecido mundialmente por sua organização colaborativa e pelo agrupamento de atrações culturais e reflexivas. Além das ações que descrevi, em Canela, o  evento apresentou exposições de arte, de fotografias, oficinas, workshops e shows, que movimentaram a cena cultural da Serra. A contribuição do grupo que fez toda a organização não deixou a desejar, muito pelo contrário. Trouxeram ações de relevância e criativas, além, é claro, do momento de curtição com os shows das bandas autorais no ato #GritoRock.

 

Assista ao vídeo das duas atividades:

 

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Comentários

2 comentários sobre “A essência da cultura em um festival sem discriminação”

  1. Cristine Hansen disse:

    Nossa! Fiquei emocionada aqui! ^^
    Fico muito feliz que o meu depoimento – mesmo sendo tão simples – tenha provocado essa reação tão bacana.
    Orgulhosa e agradecida, é assim que me sinto.
    muito obrigada! :*
    beijos

    1. Laura Gallas disse:

      Obrigada a ti, Cristiane!
      Pela coragem e determinação :*

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