Política

Para cientistas políticos, tendência é a deposição de Temer

Situação do governo se agrava após delação da JBS

Marco Prass e Liege Barcelos

Na noite de quarta-feira (17), o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, divulgou a notícia de que o dono da JBS gravou o presidente Michel Temer dando aval para compra de silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Segundo o jornal, Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F, que controla a JBS.  Rocha Loures foi filmado depois disso recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley Batista, um dos donos da JBS. Temer também teria ouvido do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer teria incentivado: “Tem que manter isso, viu?”. O Planalto negou que Temer tenha avalizado o suborno a Cunha.

Ainda na noite de quarta, a Beta Redação ouviu cientistas políticos para analisar o destino do governo a partir de agora.

Consequências terríveis

De acordo com o cientista político e professor da Unisinos Bruno Lima Rocha, as consequências para o governo são terríveis. “A partir de agora há várias possibilidades. Uma delas é a cassação da chapa Dilma/Temer. Outra seriam eleições indiretas, previstas pela Constituição. Caso o país passe por uma eleição direta, haveria necessidade de uma Emenda Constitucional, mas para isso acontecer, seria necessário um acordão de vários partidos no intuito de validar a Emenda e antecipar as eleições diretas”, projeta.

Outro ponto destacado pelo professor é que as investigações foram coordenadas pela Procuradoria Geral da República (PGR), sob orientação direta do procurador-geral, Rodrigo Janot, mas presidentes em exercício podem ser investigados apenas após autorização do Supremo Tribunal Federal (STF). “O primeiro fato que se observa é que há órgãos de Estado que governam por conta própria. Há decisões diretas sem necessariamente esperar a hierarquia funcional do Estado. Não digo que está equivocado investigar um ato criminoso ou supostamente um ato criminoso de um presidente da República, mas é muito sério isso”, argumenta.

Na avaliação de Rocha, o Executivo não tem mais condições de governar. “Não digo que ele vá cair. Acredito que sim, mas não tenho certeza. As condições de governo e o suporte do maior grupo de mídia acabaram”, pondera.

 

Tudo pode acontecer

O também cientista político Benedito Tadeu Cézar crê em inúmeros desdobramentos a partir de agora. “O governo Temer já estava enfraquecido e os meios de comunicação estão em forte campanha de deposição do presidente, porém não podemos cravar um veredito pois, por mais insustentável que seja a situação, sempre é possível reverter o jogo”, diz. Na opinião dele, nem mesmo uma intervenção militar estaria descartada. “Quando a tensão aumenta muito, tudo pode acontecer, inclusive um aprofundamento do golpe”, argumenta.

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