Cultura

ESPECIAL: Por trás das aulas de dança

O que motiva as pessoas a procurarem as artes corporais - como hobby ou como profissão

Joellen Soares e Mel Quincozes

 

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Uma paixão pelo que faz. (Foto: Joellen Soares)

 

Nem só de coreografias e músicas vive a dança. Por trás de cada movimento gracioso da bailarina, de cada batida de quadril das dançarinas do ventre e de cada rodopio do dançarino urbano, existem horas e mais horas de dedicação, estudo e ensaio – muito ensaio! Enquanto lutam pelo reconhecimento, artistas dos mais diversos estilos ainda encontram tempo para passar adiante o que sabem. Todas as técnicas e práticas acumuladas ao longo dos anos viram brincadeira nas mãos – e pés – dos jovens alunos.

É do hobby que, na maioria das vezes, nasce o amor pela dança. Encorajados pelos pais ou mesmo por vontade própria, as crianças buscam aulas particulares em estúdios, como uma atividade extracurricular, onde vão aprender as principais técnicas, montar coreografias e participar de apresentações anuais. Dali, muitos acabam seguindo para outras áreas, enquanto outros descobrem que ser dançarino também pode ser uma profissão.

A Beta Redação entrevistou professores e dançarinos de escolas de dança de Cachoeirinha e Porto Alegre, que contam como descobriram a dança e o que faz dessa atividade tão especial. Veja a reportagem em vídeo:

 

 

Aulas de dança nas escolas

Recentemente foi aprovada uma lei federal que inclui aulas de dança, artes visuais, música e teatro no currículo da educação básica infantil. A lei 13.278/2016, publicada em maio deste ano, altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e estabelece um prazo de cinco anos para que as escolas de ensino infantil, fundamental e médio implementem essas mudanças no currículo e capacitem professores para ministrarem as aulas.

A novidade foi recebida com bastante expectativa pelos profissionais da dança, que esperam conseguir novas oportunidades e, principalmente, quebrar tabus sobre as artes corporais. Para a bailarina e professora Juliana Freitas, a aprovação dessa lei representa um avanço para a profissão. “É claro que ainda tem uma longa jornada a ser percorrida. Tem muita gente que não sabe que existe uma faculdade de Dança, que tu pode ganhar a vida e te sustentar só com a dança. As pessoas desconhecem isso, mas acho que é questão de tempo”, afirma.

A dançarina Stephani Cardoso, da Companhia Municipal de Dança de Porto Alegre, considera a aula de dança fundamental para a educação e formação cultural das crianças, mas enxerga a lei com certo receio, principalmente por juntar diferentes expressões artísticas em apenas uma disciplina. “Eu acho muito bacana ter um trabalho conjunto porque, se estava acontecendo alguma coisa na dança em 1900, na música também aconteceu alguma coisa em que o contexto histórico é parecido. As coisas vão se cruzando. Mas acho que estamos em um momento em que é muito importante que a gente olhe (as artes) separadas também e aprenda bastante com cada uma”, considera.

 

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Para Stephanie, a dança também é sua vida. (Foto: Joellen Soares)

 

O futuro da dança

Enquanto isso não ocorre, a dança é passada adiante por meio de iniciativas como a de Daiene Weiss, a Dai, proprietária do estúdio DW, de Cachoeirinha. Apaixonada pelo ballet desde os três anos, ela conta que sua mãe se sacrificou muito para pagar suas aulas. Por isso, quando cresceu, resolveu criar um espaço onde outras meninas e meninos pudessem ter acesso à dança sem gastar muito. “Um preço justo com qualidade no trabalho, sem pressão, sem rancor, sem opressão. Sem aquela técnica opressora que é o ballet clássico. Aí eu criei uma metodologia toda minha: dar ballet com amor”, conta a professora.

Cursando faculdade de Dança na UFRGS, a bailarina Cláudia Prates afirma que o crescimento da dança está relacionado com uma importante lição de humanidade. “A questão da dança é tu conseguir aprender a lidar com os teus sentimentos, aprender a lidar com o teu corpo de uma maneira diferente. Então eu espero muito que a dança seja cada vez mais valorizada, e que consiga de uma certa maneira tocar as pessoas, que as pessoas vejam a necessidade disso hoje, que o mundo precisa ser mais humano, precisa de mais arte”, finaliza a estudante.

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