Esporte

ESPECIAL: Fisiculturismo

Uma breve história sobre o esporte

O levantamento de peso já era praticado na Grécia Antiga. Tiago Gonçalves Neves, no estudo “Os Primórdios do Halterofilismo e do Fisiculturismo no Brasil”, explica que através de escavações na cidade de Olímpia, na Grécia, foram encontradas pedras que se pareciam com halteres. Um princípio de halterofilismo. Na pesquisa, ele ainda destaca a forma física de estátuas de Herácles e Apolo, que valorizavam a estética corporal. Segundo o estudo, barras de ferro com pesos nas pontas já existiam também na Idade Média.

Foi no final do século XIX que um novo interesse pelo fisiculturismo surgiu. Até então os músculos eram estimulados apenas com fins de sobrevivência ou autodefesa. Nessa época, ressurgiu o ideal grego. O estudo reforça que até então o levantamento de peso era praticado por homens robustos e pesados, e que nem eles, nem seu público se importava com a forma física.

Porém, no final do século XIX, através do atleta Eugen Sandow, a forma física começou a ganhar espaço. Surgiram as rotinas de exibições dos atletas. Assim o fisiculturismo começava a tomar a forma que conhecemos hoje. Sandow, ao lado de nomes como Sigmund Klein e Bernarr Macfadden, começou a chamar a atenção das pessoas para que o fato de que o levantamento de peso não se tratava só de força, mas também de modelação da aparência física.
O levantamento de peso pela força e o levantamento de peso pela modelação do físico caminharam lado a lado por muito tempo. Foi nas décadas de 1930 e 1940 que começaram a se separar em definitivo. O fisiculturismo como apresentação do corpo e do físico, adaptado pelo levantamento de peso, tornava-se uma modalidade única.

As modalidades do esporte, de acordo com a IFBB Brasil

Fisiculturismo (masculino)

Nessa modalidade é priorizado o desenvolvimento das partes do corpo e músculos, obtendo o máximo da forma física e equilibrada dos atletas. Os músculos mais delineados, com mais detalhes, obterão as melhores notas.

Fisiculturismo clássico (masculino)

Participam os atletas que optam por não querer músculos muito grandes, ou seja, que evitam atingir o extremo, escolhendo um estilo “clássico”. Por se tratar de um estilo em que a musculatura é limitada, prioriza a qualidade da proporcionalidade dos músculos e o condicionamento do atleta. Esses atributos são analisados quando todos os concorrentes fazem as poses. No momento da realização das poses, os atletas devem estar com os pés descalços e de sunga.

Men’s physique (masculino)

NesSa modalidade os atletas, além de apresentar simetria e musculosidade, devem ter desenvoltura no palco. É exigido do participante muito mais que só músculo, ele precisa demonstrar personalidade na sua apresentação.

Fitness coreográfico (masculino)

Os participantes apresentam um corpo atlético, sendo avaliado o físico geral na primeira rodada. Na segunda rodada é analisada a parte coreográfica, na qual o atleta demonstra força e flexibilidade – a apresentação é feita de sunga. Os pontos das duas rodadas são somados, resultando numa nota final para definir as colocações dos concorrentes.

Fitness coreográfico (feminino)

Nesta categoria é analisado um corpo atlético e torneado.  As apresentações são em duas rodadas de avaliação física e artística. Na física, é avaliado o corpo das concorrentes. Na coreográfica, avalia-se a elegância e a graça da apresentação.

A história de dois atletas gaúchos

Anderson Luiz Devit, 39 anos, é natural de Porto Alegre e mora em Guaíba. É formado em Educação Física e pós-graduado em Treinamento Físico. É na cidade de residência que trabalha como instrutor em uma academia e também onde treina como atleta de fisiculturismo. “Treino desde os 14 anos, porque era magro demais. Mas somente nos últimos três anos é que estou fazendo dieta, suplementando e estudando sobre o esporte. Vi que poderia mudar o meu corpo e isso me deixou muito interessado. Eu mesmo faço minha preparação, desde a dieta até a periodização dos treinos”, relata o atleta que, em junho do ano passado, participou dos estreantes da Federação Gaúcha de Fisiculturismo e BodyFitness (IFBB-RS) na categoria Men’s Physique, ficando em quarto lugar. “Em setembro do mesmo ano participei do Open da mesma federação na categoria bodybuilder, até 90kg, e ganhei”, diz o fisiculturista. Neste ano, Devit participou do campeonato gaúcho de fisiculturismo, ficando em terceiro lugar, o que lhe proporcionou a ida para o Campeonato Brasileiro de Fisiculturismo, no qual ficou em 12º lugar.

Quanto à alimentação, o atleta conta que três meses antes da competição a dieta é levada à risca, inclusive pesando os alimentos e comendo nos horários corretos. “Além disso, os treinos ficam mais intensos, com algumas modificações e estratégias. É bem puxado, mas é gratificante o reconhecimento. Abre algumas portas, no entanto, financeiramente não há retorno imediato e nem a médio prazo, nesse quesito não compensa”, revela. “Mas é uma coisa meio sem explicação, não dá vontade de parar. Para alguns é uma obsessão, egoísmo ou vaidade, mas para mim é um estilo de vida”, define o fisiculturista, que ainda não tem patrocinador, mas se declara aberto a propostas.

Aos 32 anos, a campeã gaúcha de fisiculturismo na categoria wheels, até 1,63m, Natalia Silva, vive uma rotina dupla. “Eu me sustento como atleta, mas não ganho dinheiro com isso”, destaca a campeã. Formada em Contabilidade, mas trabalhando há 14 anos em um hospital como gestora de pessoas, Natalia se dedica há cinco anos ao esporte que modificou totalmente o seu corpo. Desde 2013, a atleta – que antes não pensava em se tornar praticante mas gostava de acompanhar os treinamentos – se dedica de segunda a sexta para manter em dia o corpo. “Não é um sacrifício para mim, é como escovar os dentes o fato de ter que treinar. Já está na rotina”, explica.

Nos campeonatos, a dedicação é toda especial. Sem fazer qualquer uso de bebidas alcoólicas, ela também se priva de ir a festas e procura até mesmo se isolar das pessoas. “Nesse período de preparação o psicológico fica afetado, e não sou uma boa companhia”, afirma Natalia, que meses antes da competição chega a treinar seis vezes por semana.

Apesar de entrar numa rotina completamente diferente da sua formação e até mesmo do dia a dia de atleta, Natalia admite que mantém rigorosamente o treinamento, mas que tenta não misturar o seu lado profissional com o de atleta. “Quando eu bato o ponto no hospital eu sou a Natalia profissional, não toco no assunto de fisiculturismo e busco não ter os meus colegas nas redes sociais”, admite a campeã.

Por fim, apesar de se tratar de um esporte que modifica o corpo, Natalia faz questão de destacar que a sua categoria prioriza a feminilidade e, claro, a beleza da mulher. “Na minha categoria são avaliados mais os membros inferiores, perna e glúteo sempre bem definidos”, destaca ela.

 

Reportagem: Aline Casiraghi, Diogo Rossi, Graziela Busatta e Paloma Griesang.

Lida 1178 vezes
  • Publicado em: 25/11/2015

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.