Esporte

Escola do Apito: as dificuldades da profissão de árbitro

Em 2016, as discussões sobre a arbitragem no Brasil se repetem

Faltando poucas rodadas para o final do Campeonato Brasileiro, a discussão não é sobre a melhor equipe, a melhor defesa ou o artilheiro da competição. O fato que continua atormentando os amantes do futebol bem jogado é outro, mas ainda o mesmo: a arbitragem. Entra ano, sai ano, e o problema continua. Cem por cento dos programas de debate futebolístico no país falam a mesma coisa todos os anos, e nada muda. Há solução para esse problema?

No ano de 2015, o Corinthians foi o campeão nacional. Futebolisticamente, o título não foi contestado. Já no quesito arbitragem, restando três rodadas para o término do campeonato, as teorias de conspiração foram jogadas ao vento. Em uma dessas teorias, o site foxsports.com.br fez um levantamento de como teria ficado a tabela do Brasileirão 2015 se corrigidos os erros de arbitragem (veja abaixo, nas setas verdes ou azuis, quem subiria ou cairia na tabela).

 

Classificação com possíveis erros de arbitragem corrigidos / Imagem: FoxSports

Classificação com possíveis erros de arbitragem corrigidos. Arte: FoxSports

 

Outra discussão que está sempre sendo colocada à prova é a utilização – ou não – da tecnologia aliada ao futebol, em auxílio aos árbitros. Para o árbitro da Fifa Anderson Daronco, 35, toda ajuda é válida. “Tudo que vier para nos auxiliar a legitimar o resultado do jogo é bem-vindo. Acredito que ajudará nas nossas decisões, para que tenhamos mais acertos e que o vencedor seja aquele que mereceu, sem passar por uma decisão equivocada da arbitragem”, diz o árbitro.

Para ele, essas decisões equivocadas, muitas vezes, são mal interpretadas pelas pessoas. Confira a opinião de Daronco no áudio:

 

 

Em 2015, Daronco foi escolhido como melhor árbitro do Campeonato Brasileiro. Integrante do quadro de árbitros da Fifa desde 2014, o gaúcho fez seu curso de árbitro de futebol em 1999, pela Federação Gaúcha de Futebol (FGF), e apitou em 2007 seu primeiro jogo pela 1ªª Divisão do Gauchão. Já pelo Campeonato Brasileiro da Série A, Daronco só veio a apitar seu primeiro jogo em 2011.

 

Daronco levou 12 anos para apitar seu primeiro jogo pela Série A do Brasileirão / Imagem: Assessoria de Comunicação/CBF

Daronco levou 12 anos para apitar seu primeiro jogo pela Série A do Brasileirão. Foto: Assessoria de Comunicação/CBF

 

Tomás Ledur Hartmann, 21 anos, sonha em chegar ao mesmo nível de Daronco. Morador de Bom Princípio, a cerca de 80 km de Porto Alegre, Tomás fez o curso de árbitro de futebol pela FGF há um ano, e vem apitando partidas de categorias menores. “Como se trata do primeiro ano de federação, começamos atuando nos jogos das categorias infantil (sub 15) e juvenil (sub 17)”, relata o jovem árbitro.

Para chegar a apitar uma partida de Série A do Gauchão, Daronco demorou oito anos, e Hartmann explica que o caminho continua o mesmo. “Nosso caminho é longo, pois ficamos mais ou menos dois anos nessas categorias para aprendizado, depois passamos para a categoria sub 19 e júnior (17 a 20 anos), ficamos mais ou menos uns dois anos também, depois vem a Terceirona Gaúcha, Segundona Gaúcha, Divisão de Acesso e Gauchão. Para poder chegar até o Gauchão leva mais ou menos uns seis a sete anos ainda, isso tudo pela FGF. Depois de estar bem, tu passa para a CBF, onde começa com Brasileirão Sub 20, Série D, Série C, Série B e, após, Série A”, completa o jovem.

 

Hartmann (direita) inicia carreira trabalhando em jogos de categorias inferiores / Foto: arquivo pessoal

Hartmann (direita) inicia a carreira trabalhando em jogos de categorias inferiores. Foto: arquivo pessoal

 

O curso de árbitros da FGF tem duração de 6 meses. As aulas ocorrem aos sábados, em Porto Alegre, do início da manhã até o fim da tarde. Durante o curso, são estudadas as 17 regras, através do livro de regras. Além de vídeos de lances nos jogos, são realizadas três provas teóricas e uma física. É preciso passar em ambas para participar da formatura. Mais informações podem ser obtidas no regulamento, ou no site da FGF. O valor da inscrição para o curso é de R$ 150. O investimento é de R$ 2.400, dividido em seis parcelas de R$ 400.

Para os dois árbitros, a escolha pela profissão ocorreu de forma diferente. Hartmann fez o curso pois tinha o sonho de ser jogador de futebol, que acabou não se concretizando. “Sempre fui envolvido pelo futebol, desde os meus cinco anos. Passei por diversos clubes jogando, e chegou num momento que eu vi que não dava mais. Terminando meu ensino médio, parti para algo mais concreto em minha vida profissional. Sempre soube da existência do curso, ministrado pela FGF, até que um domingo de manhã vi que as inscrições estavam abertas e decidi me inscrever. Assim, fui conhecendo o lado dos ‘homens de preto’, e a cada aula que passava ficava mais interessado por esse trabalho”, conta o jovem.

Já Daronco iniciou sua carreira como árbitro de forma inusitada. “Quando realizei o curso, confesso que o objetivo não era ser árbitro. Era apenas para completar uma carga horária em atividades extras do curso de Educação física. Porém, com o passar do tempo e com a prática de arbitragem, fui me apaixonando pela atividade, e hoje não me vejo fazendo outra coisa que não seja algo relacionado à arbitragem”, completa o árbitro da Fifa.

“Um conselho que dou para quem está iniciando a carreira é que, apesar de muitas dificuldades, é uma profissão que traz muito orgulho para quem a exerce. Apitar é uma atividade muito prazerosa, e os altos e baixos são normais. Quem quer crescer neste ramo deve trabalhar muito, para estar pronto quando as oportunidades aparecerem”, aconselha Daronco.

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