Economia

A era do streaming

Serviços por assinatura estão em franca expansão no país apesar de barreiras na conexão

 

A Netflix experimenta um período de crescimento sem precedentes. Foto: Marco Prass

A Netflix experimenta um período de crescimento sem precedentes. Foto: Marco Prass

 

Fim de semana surge aquela preguiça… Por que não assistir a um filme sem sair de casa e, além disso, dispensar o tempo necessário para fazer o download da obra ou mesmo passar em uma locadora? Empresas como a Netflix, principal serviço de TV por internet do mundo, oferecem esta alternativa que não se restringe apenas ao conteúdo visual, como filmes, documentários, séries ou programas de televisão: a tecnologia de streaming pode ser utilizada também para ouvir músicas, jogar videogames e outras formas de entretenimento.

Com mais de 93 milhões de assinantes – o que engloba mais pessoas que a população do Egito – em cerca de 190 países, a Netflix, criada em 1997 e que opera na América Latina desde 2011, é a gigante do streaming. A empresa conta com aproximadamente 125 milhões de horas assistidas mensalmente em conteúdo de vídeo, o que gerou concorrentes de peso, como Amazon Prime Video, que estreou no país no ano passado e Youtube TV, ainda sem lançamento previsto. Contando com cerca de seis milhões de assinantes no Brasil, a multinacional não para de crescer, apesar de encontrar dificuldades em solo brasileiro em relação à conexão com a internet.  

A estudante Georgea Ferrari é uma das usuárias da Netflix. Assinante há um ano, ela acredita que os serviços de streaming por assinatura facilitam a vida das pessoas e devem permanecer. O único problema apontado por ela ao acessar conteúdo desejado é relativo à conexão. “A qualidade da imagem diminui conforme a velocidade da internet. Quando ela é muito baixa, às vezes é preciso reiniciar o aplicativo”, explica.

Georgea não é a única que passa por situações como esta. De acordo com o último relatório State of the Internet da Akamai, que divulga um ranking global de conectividade, o Brasil se encontra na 85ª posição com 6,4 Mbps de velocidade média – 0,6 Mbps abaixo da média mundial. A Coreia do Sul, primeiro colocado da lista, contabiliza 26,1 Mbps. Já os Estados Unidos, berço do Netflix, registra média de 16,3 Mbps.

 

Mercado versátil

 

O Spotify é o queridinho quando o assunto é música. Foto: Marco Prass

O Spotify é o queridinho quando o assunto é música. Foto: Marco Prass

 

Segundo a professora do curso de Administração da Unisinos Josefina Coutinho, apesar de o mercado de serviços por streaming ser mais vislumbrado aos jovens, na prática ele atende a várias gerações. “A inclusão digital não atinge a totalidade da população, contudo, quem tem acesso a internet, em sua maioria, consegue acessar as ferramentas. Penso que as dificuldades não são sentidas por todos. A internet passou a fazer parte da cultura da população. Mesmo as pessoas mais velhas já estão adquirindo a cultura”, contextualiza. Ainda de acordo com a professora, que já atuou como diretora de marketing da Caixa Econômica em âmbito estadual, muitos que reclamam da lentidão da internet não têm coragem de romper o contrato principalmente, pela falta de opção. “O Brasil ainda é um país com poucos ofertantes de tais serviços”, afirma.

Apesar desta ser uma área pouco explorada no país atualmente, oferecendo uma gama limitada de produtos, o engenheiro de computação Thiago Marinello aproveita diversos serviços por streaming. Netflix, PSNplus, Dropbox, Spotify, Deezer, Bitbucket, Jira… a lista é grande. Usuário da Netflix há mais de cinco anos, ele relata que nunca teve problemas com o serviço. “Acho bom, mas poderia melhorar a transmissão de conteúdo ao vivo. No entanto, reconheço as restrições técnicas e comerciais que os impedem de fazê-lo”, argumenta.

O Spotify, serviço de streaming de músicas, também é muito utilizado pelo engenheiro, que paga pela versão premium. “O faço com prazer, pois acredito no modelo de distribuição de direitos autorais que a empresa colocou em prática”, conta. Além de pagar para ouvir suas músicas preferidas – o valor é de R$ 16,90 após período experimental de 60 dias gratuitos e R$ 26,90 para até seis pessoas – ele também paga pelo Dropbox, destinado ao armazenamento de arquivos em nuvem. Os preços variam de US$ 9,99 mensais a US$ 99 anuais.

 

Experimente e adquira

“No marketing, temos estudado o crescimento de serviços na Economia e a tendência é explorar mais serviços como elementos de diferenciação”, elucida o professor do Programa de Pós-Graduação em Administração da Unisinos Celso Augusto de Mattos. Celso, que é doutor em Administração com ênfase em Marketing pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), expõe que tais aplicativos e serviços têm aplicado uma estratégia “Freemium”- uma fusão entre grátis e premium, em inglês. “O Dropbox oferece acesso gratuito até um certo ponto, depois, se o usuário desejar a versão completa, deve pagar. É um novo modelo de negócio”, conclui.

Quando versa sobre o mercado brasileiro, o professor afirma que passamos por “limitações tecnológicas” com uma internet freada por muito tempo e que não oferecia toda a velocidade prevista nos pacotes de dados. “Ainda assim, temos uma geração digital muito vibrante, com jovens antenados e conectados atrás de novidades. Apesar das limitações, podemos nos igualar à Europa, Estados Unidos e Ásia”, declara. Para a professora Josefina Coutinho, o modelo pré-pago vai ganhar cada vez mais espaço em contrapartida ao pós-pago. De qualquer forma, ela também observa as possibilidades de forma animadora. “Penso que os serviços por assinatura tendem a crescer cada vez mais”, finaliza.

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