Política

“Queremos o fim da Polícia Militar”, diz presidente da UNE

Em entrevista à Beta Redação, Carina Vitral diz que país precisa de nova política de segurança pública: "Chega de matar o jovem negro e da periferia"

Carina Vitral, Presidenta da UNE. Foto: Vitor Vogel

Carina Vitral, presidenta da UNE, em manifestação / Foto: Vitor Vogel

Jovens estudantes e sindicatos da classe trabalhadora estão convocando a população a participar, neste sábado, 3 de outubro, do Dia Nacional em Defesa da Petrobras, da Democracia e Contra o Ajuste Fiscal. Em São Paulo, a concentração será na Avenida Paulista e está sendo organizada pelo Fórum dos Movimentos Sociais, que reúne mais de 50 entidades. Dentre elas, a União Nacional dos Estudantes (UNE).

A presidente da UNE, Carina Vitral, destaca a importância da participação popular no movimento, que também celebra os 62 anos da Petrobras. Em entrevista à Beta Redação, Carina reforça que o petróleo e o pré-sal são riquezas que devem ser utilizadas para beneficiar a classe trabalhadora, através de recursos para a saúde e a educação.

Ao legitimar a relevância do movimento, que também terá concentrações em Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília, Florianópolis, Belo Horizonte, Vitória, Belém e Goiânia, a presidente relembra o importante papel dos estudantes nas principais reivindicações da história do Brasil desde que a União foi fundada, em 1937.

Confira, a seguir, a entrevista.

Contextualize, por favor, a proposta do movimento que ocorrerá em 3 de outubro. Quais são as principais motivações?

A manifestação vai lembrar o aniversário de 62 anos de criação da Petrobras, a maior empresa estatal brasileira e uma das maiores petroleiras do mundo. Vamos protestar contra os interesses externos que sempre se manifestam sobre a empresa em épocas de crise.

Os estudantes têm muito orgulho de terem feito parte da luta, na década de 1950, que resultou na sua criação. Foi uma luta em defesa do patrimônio nacional. Então, dia 3 vamos reafirmar a nossa defesa da maior riqueza natural do Brasil, que é o seu petróleo.

A UNE foi a precursora da campanha para que os recursos dos royalties do petróleo e do fundo social do pré-sal fossem direcionados para investimentos na educação. Nós conquistamos isso em 2014 e vamos lutar até o fim para que essa vitória seja garantida. As elites do Brasil, que têm histórico privatizador e entreguista, querem vender a nossa riqueza a preço de banana. Isso nós não vamos permitir.

Carina Vitral, Presidenta da UNE. Foto: Yuri

Carina Vitral, Presidenta da UNE / Foto: Yuri Salvador

Qual é a importância desta manifestação no momento vivido pelo país? Por que a UNE decidiu se posicionar a favor das causas apresentadas?

Primeiro, temos que cobrar a apuração e a punição de todos os envolvidos em qualquer tipo de atividade ilícita que ocorreu na Petrobras. Se alguém fez alguma coisa errada, essa pessoa tem que ser investigada, ter direito de defesa e, se comprovado o erro, pagar por ele.

Mas não vamos permitir que a sanha privatizadora das elites brasileiras venda para os estrangeiros a nossa maior riqueza natural. O petróleo é nosso e os recursos gerados pela sua exploração devem ser investidos em saúde e educação.

Já vimos esse filme. O Brasil viveu ciclos de riqueza e não investiu em seu povo. Foi assim com o pau-brasil, a cana de açúcar e o ouro. Não deixaremos que seja assim com o pré-sal.

De que forma os estudantes podem contribuir para modificar cenários e chamar atenção para causas importante no país?

Os estudantes sempre estiveram na linha de frente. Foi assim desde a fundação da UNE, em 1937, contra o nazifascismo. Depois, enfrentamos um ditadura. Em defesa da democracia e da liberdade, muitos jovens foram perseguidos, torturados e assassinados. Essa história não pode ser esquecida.

Nos reorganizamos na década de 1990 para lutar contra o neoliberalismo, o entreguismo e as privatizações. Fizemos campanhas gigantes pela paz. Hoje, queremos o fim da Polícia Militar e uma nova política de segurança pública. Chega de matar o  jovem negro e da periferia. Queremos é a inclusão de mais jovens das periferias nas universidades e no mundo do trabalho.

Os estudantes sempre contribuíram para mudar a realidade de injustiça social. Hoje, existem diversas formas de participação e organização. Eu acredito que as redes sociais proporcionaram uma maior potencialidade para divulgação das lutas. Temos o desafio de usar a internet para propagar as pautas positivas e conquistar as mentes e corações dos jovens. Mas ainda acredito que ocupar as ruas é a principal maneira de chamarmos a atenção da sociedade. Por isso, juntar as redes e as ruas é o mais importante hoje.

Sintetize, brevemente, por que movimentos legítimos em favor da democracia ganham força com a participação popular. De que formas a UNE incentiva essa participação?

A democracia nos custou muita luta e muitas vidas. Não podemos brincar com a democracia. Precisamos, sim, lutar para aperfeiçoar o nosso sistema democrático. Por exemplo, a UNE luta para acabar com o financiamento empresarial das campanhas. Empresa não vota, então por que financia campanha? O poder do dinheiro não pode guiar os candidatos e os seus projetos. Queremos uma reforma política que mude o sistema para termos mais mecanismos e instrumentos de participação popular e mais participação de mulheres.

O projeto que defendemos precisa de 1,5 milhão de assinaturas para ser levado ao Congresso. Convidamos todos a participarem pelo site: http://www.reformapoliticademocratica.org.br/

 

Dia Nacional em Defesa da Petrobrás: evento no Facebook tem 1.400 pessoas confirmadas

O Facebook está sendo utilizado como ferramenta de divulgação da manifestação de 3 de outubro. Na página oficial do evento, mais de 11 mil pessoas foram convidadas a participar da mobilização:

Evento oficial no Facebook. Foto: Arquivo Pessoal

Evento oficial no Facebook / Reprodução, Facebook

No evento também constam as informações sobre onde acontecerão concentrações em cada uma das capitais.

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