Cultura

O regionalismo pop do grupo Mas Bah

Grupo busca inovação na música regionalista gaúcha

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É possível inovar no meio musical de grupos regionalistas? A resposta parece óbvia para os integrantes do grupo hamburguense Mas Bah, que tem como principal iniciativa contar a história da cultura gaúcha através de interpretações de músicas tradicionalistas clássicas. Além disso, o grupo busca cativar novos seguidores da música regionalista através de um estilo próprio e peculiar, que vai desde a disposição dos integrantes no palco, até arranjos que misturam ritmos como milonga, jazz, vaneira, rock, valsa, samba, blues, reggae e outros.

O grupo é composto por cinco integrantes: Jacson Jaques (violão e voz), Rafa Martins (percussão e bateria), Susane Paz (voz), Douglas da Rosa (acordeon e voz) e Gustavo Brodinho (baixo e voz).

Para conhecer melhor o grupo, veja a entrevista feita pela Beta Redação com a vocalista do grupo, Susane Paz:

Beta Redação: Há quanto tempo o grupo existe e como se deu o processo dos primeiros passos? 

Susane Paz: O grupo completou 5 anos em Setembro, na data de seu primeiro show, marcado pelo lançamento de seu primeiro registro fonográfico.

Mas Bah surgiu quando os integrantes se encontraram para compor um musical de invernada e, vendo as possibilidades de arranjo e sintonia dos músicos, acabaram montando esse trabalho e assim foi se solidificando um grupo de várias influências musicais, porém regional.

Beta Redação: De onde surgiu a ideia de mesclar músicas regionalistas com outros ritmos?

Susane Paz: Exatamente por essas influências individuais, o apego com a música gaúcha deu a base para cada arranjo e aos poucos a inserção de outros gêneros, com o intuito de tocar o que se gosta e também aproximar o regional de outros nichos musicais.

Beta Redação: Quais as principais inspirações ou referências do grupo?

Susane Paz: Sempre falamos que tocamos tudo que é feito no Rio Grande do Sul. É verdade, independente de gênero. Vamos da milonga ao samba, do rock à vaneira e assim por diante. Além de fazer releituras dos clássicos gaúchos, também procuramos fazer a mescla na autorais. Gostamos de Beatles, de Bob Marley, de Dominguinhos, de Mercedes Sosa, de Lupicínio, de Kleiton e Kledir, entre outros.

Beta Redação: Os integrantes do grupo trabalham apenas com música ou possuem outras ocupações paralelamente?

Susane Paz: Temos professor de matemática na banda, dono de estúdio, auxiliar administrativo, músicos, mas a prioridade de trabalho dos cinco é o Mas Bah.

Beta Redação: Quais são os principais desafios da vida de músico?

Susane Paz: Com certeza explicar que aqui se trabalha muito, se cumpre prazos, se faz orçamentos, se percorre a uma agenda, se paga contas, mas se faz tudo sorrindo, por que é realmente um trabalho escolhido (ou que nos escolheu) e que nos dá muito prazer.

Beta Redação: Como é a relação entre os integrantes do grupo? São amigos que se uniram para tocar ou músicos que se uniram pela música e, a partir disso, estreitaram os laços de amizade?

Susane Paz: Cada integrante tem seu papel, dentro e fora do palco, e pra essa convivência ser sadia existe uma amizade muito grande, além do talento de cada um. O primordial é a energia que se emana, convivemos como irmãos e consequentemente trabalhamos como uma família.

Beta Redação: Na opinião do grupo, qual o principal diferencial do Mas Bah e porque as pessoas devem ouvi-los?

Tentamos ser o mais claro possível sobre a mensagem que queremos passar. Fazemos som regional, porém com uma nova roupagem. Sempre buscamos novos seguidores com o objetivo de levar a música do Sul, que é nossa grande paixão, cada vez mais longe e que isso possa ser compreendido por mais tribos além dos gaúchos.

Beta Redação: Em relação aos shows e apresentações em localidades mais distantes, como funciona? Vocês possuem um ônibus, van ou outro meio de transporte particular?

Susane Paz: Adoramos viajar né. Geralmente vamos de Van, conforme o local lotamos um carro, já que somos cinco pessoas, e vamos.

Beta Redação: E ainda sobre essas viagens, quais são os principais desafios encontrados por vocês?

Susane Paz: Com certeza, às vezes ficamos dias longe e quatro de nós temos filhos pequenos, mas o que conforta é a torcida da família, sempre.


Além de shows e apresentações realizadas em diversas cidades do Rio Grande do Sul, o grupo Mas Bah também faz parte de um projeto social chamado “Construindo música”, que tem o apoio do Ministério da Cultura. Através deste projeto são realizadas oficinas de música instrumental com 150 crianças e adolescentes, durante um ano, em cinco municípios do estado (Esteio, Estância Velha, Novo Hamburgo, Guaíba e também na Ilha das Flores em Porto Alegre).

Segundo o grupo, a música instrumental é a principal ferramenta que o projeto tem em seu escopo para promover a cidadania através da ação transformadora possibilitada pelo acesso à cultura.


Beta Redação: De onde surgiu a oportunidade de realizar este projeto? Vocês idealizaram ou receberam o convite?

Susane Paz: Sempre pensamos em desenvolver um papel social através da música. Essa oportunidade surgiu com o convite para ministrar essas oficinas esse ano através da Idealize consultoria de projetos, que escreve todos os nossos projetos.

Beta Redação: Como são escolhidos os municípios onde serão realizadas as oficinas?

Susane Paz: Os municípios foram escolhidos através das necessidades e particularidades de cada entidade que conhecemos ao longo do desenvolvimento do projeto.

Beta Redação: Fale um pouco mais sobre a importância do projeto, alguns detalhes e curiosidades que possam ter ocorrido durante as oficinas.

Susane Paz: Nossa, é uma alegria, cada semana é uma novidade. Acompanhar as crianças e ver o olhos brilhando a cada evolução é realmente gratificante. Sempre falamos que quem aprende somos nós, cada criança ou adolescente é uma história, um sonho, e nós acabamos fazendo parte de tudo isso. Nos sentimos bem quando voltamos pra casa, pois fomos além do nosso trabalho com a música, somos humanos e tentamos deixar uma semente do bem por onde passamos.

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