Economia

Ensino superior é realidade de apenas 14% dos brasileiros

Deste número, muitos têm o financiamento estudantil como única opção de permanência

Muitos tem o sonho de estudar numa faculdade, porém poucos conseguem realizar esta meta. Segundo relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas 14% dos brasileiros adultos chegam ao ensino superior. Neste cenário, os créditos educativos cumprem a missão de financiar os estudos e dar uma “mãozinha” para que cada vez mais pessoas se formem na faculdade.

Existem várias opções no mercado, como o Fundo de Financiamento Estudantil (FIES), programa do governo que banca as mensalidades do curso e proporciona um prazo estendido para amortizar a dívida. Para solicitar o FIES é necessário ter realizado o último Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), ter um fiador convencional ou solidário e preencher todos os requisitos burocráticos necessários. Depois disso, o estudante paga somente um valor simbólico a cada três meses, que é referente ao dos juros do financiamento (6,5% ao ano) durante a faculdade, o que é chamado de período de carência, e somente após 18 meses da formatura o beneficiário começa a pagar as mensalidades mais pesadas. Por exemplo, uma mensalidade que compõe cinco cadeiras, custa em torno de R$2.000, sendo assim, o valor máximo a ser pago durante o período de carência é de R$ 50 trimestrais.

Juliana Mendes Vieira, 24 anos, é estudante de Relações Públicas da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS) e tem financiamento do FIES de 100% do seu curso. “Somente por meio do financiamento eu conseguiria fazer uma faculdade. Hoje em dia ela se tornou uma coisa muito cara, impraticável!”, comenta. Além disso, Juliana se mostra satisfeita com os valores a serem pagos após sua formatura: “Quando eu não tinha FIES, fazia três cadeiras e pagava um valor em torno de R$ 950. Com o FIES, eu posso fazer mais cadeiras para acelerar a formatura, e o valor da mensalidade mais cara da dívida que pagarei é de R$ 460. Este valor é menos do que a metade que eu pagava realizando apenas três cadeiras.”

Porém, nem tudo são flores: segundo levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU), 47% dos beneficiários do FIES que já estão em fase da amortização da dívida, ou seja, 18 meses após a formatura, estão inadimplentes. O programa do governo ajuda – e muito – a vida acadêmica de quem não tem condições de bancar a mensalidade de uma universidade privada, porém passado o período de carência a dívida continua – e a crise também.

 

Créditos educativos são opção para dar continuidade ao estudos (Foto: Rebecca Rosa/BetaRedação)

Créditos educativos são opção para dar continuidade aos estudos (Foto: Rebecca Rosa/BetaRedação)

 

Além do FIES, ainda existem outros créditos educativos ligados à instituições particulares, como o crédito Pra Valer, do banco Santander. O funcionamento é um pouco diferente: o aluno recontrata o crédito a cada seis meses, porém continua pagando uma mensalidade de menor valor à faculdade; o crédito financia o restante do valor, não deixando que parcelas se acumulem. Disponível em mais de 300 instituições de ensino, não é preciso ter realizado o ENEM para solicitar o financiamento, porém ainda é necessário um garantidor que, juntamente com o estudante, comprove com renda mínima de 2,5 vezes o valor da mensalidade a ser paga.

Maurício Zanotta de Moraes, 30 anos, é estudante do curso de Ciência da Computação, da UniRitter. Com o recente nascimento da filha, Maurício se viu sem opções para continuar os estudos e manter em dia as mensalidades. Foi aí que recorreu ao crédito Pra Valer: “A escolha  veio por meio da flexibilidade que ele oferece: posso escolher quantas cadeiras quero fazer a cada semestre. Se em um deles acabo me apertando financeiramente, já sei que no outro posso diminuir o número de disciplinas.” Zanotta também fala sobre um ponto que, para ele, é muito importante: “O melhor de tudo é que posso financiar o valor da matrícula também. O que antes era um rombo no meu orçamento, hoje me faz dormir mais tranquilo e seguro de que meus estudos estão garantidos.”

 

Créditos educativos são opção para dar continuidade ao estudos (Foto: Rebecca Rosa/BetaRedação)

Créditos educativos são alternativas ao acesso a universidade (Foto: Rebecca Rosa/BetaRedação)

 

Muitos créditos não aceitam estudantes que estejam negativados, o que é um grande empecílio em tempos de crise financeira no país. Dominique Soares, 26 anos, se enquadra na grande porcentagem de estudantes que estão nas listas de restrições de crédito.

“Cursava administração, porém fiquei desempregada e tive que trancar a faculdade. No decorrer acabei não dando conta das minhas despesas e entrei para a lista do SPC/Serasa. Agora estou me reorganizando financeiramente e quero muito voltar a estudar, mas estou enfrentando dificuldades em conseguir crédito educativo.” Para estes casos, ainda existe mais um tipo de crédito universitário: o Fundacred, que permite que o estude esteja negativado, porém ainda assim é necessário um fiador que não esteja. O financiamento e customizável e orientado às reais necessidades do beneficiário, garantindo a melhor forma de pagamento ao estudante, com surpreendente juros de apenas 4,5% ao ano.

Com a novidade, Dominique se empolga: “Nossa! Não conhecia esse crédito. Com certeza vou fazer uma simulação e me informar melhor. Assim eu consigo voltar a estudar e realizar o sonho de me tornar administradora”, completa.

As vantagens de um financiamento estudantil são muitas, porém a responsabilidade também é grande: caso alguma mensalidade seja atrasada, ou se acumule, o acordo financeiro pode ser cancelado. Segundo o dado mais atual do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), a inadimplência de alunos de curso superior cresceu 12,9% em 2015 em relação ao ano anterior em todo o Brasil. O levantamento também apontou que a inadimplência é de 8,8% para as mensalidades em atraso acima de 90 dias. O índice é o maior desde 2010, quando a inadimplência no setor atingiu 9,6%.

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