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Ensino público de São Leopoldo em greve há quase três meses

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Em 3 de junho desse ano os professores municipais de São Leopoldo entravam em greve. A paralisação da categoria fazia parte da reivindicação dos funcionários públicos da cidade por reajuste nos salários.

Mas a rotina da estudante Ingrid Vitória da Silva, de 12 anos, apenas começava a sofrer alterações. Com aulas de segunda a sexta-feira, das 7:30h as 11:30h, a aluna da sexta série da Escola Municipal de Ensino Fundamental Emílio Meyer, acabou virando companhia matinal da irmã mais velha, Marisa Freitas, e da mãe, a decoradora de festa Eraci Ferreira da Silva.

Por 61 dias, a rotina de Ingrid e sua família teve que mudar. Conforme comenta Eraci “A greve no município mexeu com tudo, tive que levar a Ingrid junto para o trabalho, bagunçou bastante”. Devido a greve, a menina só conseguia frequentar as aulas nas segundas, das 9:30 as 11:30 e nas sextas, no mesmo horário. No restante do tempo precisava ficar com Eraci ou Marisa.

Antes fosse apenas uma questão de rotina, mas o problema envolvia educação. Por dois meses, a estudante do Ensino Fundamental, bem como a maioria dos alunos da rede pública municipal de São Leopoldo, acabaram não recebendo aquilo que é direito de todo cidadão: educação básica.

Quando servidores e a Prefeitura da cidade entraram em acordo, no dia 5 de agosto, a rotina das famílias parecia voltar ao normal. Mas era ilusão. No começo do mesmo mês, o governo do Rio Grande do Sul parcelava o salário de todos os servidores do Executivo Estadual. E isso incluía quem? Os professores estaduais.

E aí entra a história da empregada doméstica Maria Dolores da Silva de 56 anos, mãe de duas meninas, Geovana Eduarda Silva, estudante de escola pública estadual e Cássia Thais da Silva, aluna de escola pública municipal.

Geovana (E), Maria Dolores e Cassia (D)

Geovana (E), Maria Dolores e Cassia (D)

Somadas as greves no ensino municipal e estadual, São Leopoldo já acumula quase três meses de educação pública em estado de greve. E o ensino para as filhas da empregada Maria Dolores também.

Para Cristiani Schons, professora e coordenadora de ensino no Instituto Estadual de Educação Professor Pedro Schneider, as paralisações vão acabar afetando o calendário acadêmico. “Teremos que recuperar estes dias garantindo a legislação que é de 200 dias letivos e 800 horas para o Ensino Fundamental e 1000 horas para o Ensino Médio.”

Cristiani explica como as paralisações vem mudando a rotina na escola e como a greve foi comunicada aos alunos e seus pais. “Nós já vínhamos trabalhando com períodos reduzidos (30 minutos) há duas semanas e nestes dias realizamos um trabalho de conscientização e valorização da educação dentro da escola. Todos sabiam que dependia da decisão da assembleia (dos servidores estaduais) que aconteceria no dia 18/08. A decisão tomada lá seria a da escola, uma vez que saiu na mídia a decisão, os alunos foram comunicados pelas redes sociais e para  os alunos do Currículo (anos iniciais) passando a informação de que só teríamos aula na segunda 24/08.”

A escola em que a professora leciona atende 1200 alunos, oferecendo além do Ensino Fundamental e nível Médio, o curso de formação de professores para os anos iniciais do Ensino Fundamental, antigo Magistério.

Cristiani também comenta sobre a repercussão da greve na comunidade e salienta o problema para os professores. “Pelo nosso trabalho de conscientização, os alunos entendem o que está acontecendo, já alguns pais não. Ninguém quer greve, prejudica a todos, mas também não podemos aceitar calados tudo o que está nos acontecendo”.

Agora, resta acompanhar para ver se quase um terço do ano com paralisações e mudanças na rotina do ensino público vão continuar alterando o ensino dos Leopoldenses.

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