Economia

Empresárias se destacam na região metropolitana

À frente dos negócios, profissionais buscam inovar das mais variadas formas, seja em produtos ou iniciativas

Tendo em mente uma cafeteria, a primeira coisa que pode se pensar é em uma xícara de café. Mas a proprietária da rede Céu da Boca, criada há 11 anos e com três unidades em operação – uma em Porto Alegre e duas em São Leopoldo -, Mara Regina Schuch, mostra que é possível apresentar uma gama muito maior de produtos aos clientes. “Nos locais que comercializavam sobremesas na região, o que existia era sagu, pêssego em calda e arroz de leite. Não existia outra coisa”, diverte-se a experiente empresária. Coordenando sua equipe de funcionárias, Mara trabalha juntamente com a filha, Rebecca Rossi, que pensa em novos produtos além dos cafés, salgados e tortas, ou seja, produtos mais consumidos no dia a dia. “Minha filha está muito antenada no que acontece no exterior. Ela sempre me mostra as novidades, principalmente dos americanos”, conta.

 

Cafeteria Céu da Boca é famosa pelas tortas. Foto: Rebecca Rossi

Cafeteria Céu da Boca é famosa pelas tortas. Foto: Rebecca Rossi, Arquivo Pessoal

 

Com o radar voltado para as novidades de fora, surgiu a ideia de comercializar bebidas geladas diferenciadas, como a Bang Bang, um milk-shake de baunilha com chocolate, borda de chocolate e Kit Kat. “Nós vimos que havia uma onda das taças e pratos maiores, para mais de uma pessoa, como o Grand Gateau. Assim foram surgindo outros produtos”, explica. As novidades foram tão bem recebidas que uma nova loja, além da localizada no shopping, foi inaugurada em São Leopoldo. O reduto de criações e espaço para receber ainda mais clientes está localizado na avenida Mauá, no Morro do Espelho, bairro nobre da cidade. “Eu li o livro sobre a história da Starbucks, que começou apenas com lojas de rua, e quis fazer o mesmo. Foi um desafio. Aqui temos um mix um pouco maior, juntamente com a produção, o que me deu um pouco mais de liberdade. Conseguimos pensar em novas ideias, ingredientes, sinto o feedback do cliente e já implemento mudanças”, pontua. Apesar de grande, o desafio valeu a pena: aos fins de semana, é possível avistar a loja cheia.

 

 

Mix natural

Uma viagem de férias à praia pode ser ótima para relaxar e desestressar da rotina de trabalho. O que a proprietária da franquia da Frutos de Goiás de São Leopoldo, Suzana Bilhalva Rosa, não esperava, contudo, é que uma viagem com a família a Bombinhas, Santa Catarina, resultaria na abertura de uma loja da marca goiana na cidade pouco tempo depois. “Nós experimentamos os picolés e, a partir dali, minhas filhas e meu esposo comeram outros, e outros… No mesmo dia, nos encantamos pelo produto”, recorda. Foi o suficiente para que na semana seguinte eles viajassem a Florianópolis, cidade que sedia a distribuidora do grupo no estado catarinense, para uma reunião que definiria a abertura do novo negócio. “São Leopoldo está inserida em uma região que possui um histórico de novidades em restaurantes, bares e alimentação em geral, então quisemos trazer o produto para cá”, diz. A aposta no município e no público que consome produtos naturais já rende frutos:  a marca está em plena expansão, contando agora com uma segunda unidade, que se localiza em uma galeria em frente ao Bourbon Shopping, no Centro.

 

Frutos de Goiás aposta em produtos naturais, Foto: Clarissa Berwian

Frutos de Goiás aposta em produtos naturais. Foto: Clarissa Berwian

 

Publicizada como uma das melhores marcas de sorvetes do país no que diz respeito à qualidade, a Frutos de Goiás se destaca por vender produtos compostos, em sua maioria, por 90% de frutas e ausência de gordura trans. “Descartando a gordura, abrimos possibilidades de consumo para diversos públicos. O bebezinho já pode saborear nossas sobremesas”, argumenta Suzana. Em caso semelhante ao Céu da Boca, a loja da marca foi inaugurada em uma região próxima ao Centro da cidade, na Avenida João Corrêa. “Nós queríamos criar um ambiente em que as pessoas se sentissem bem. É um espaço para quem quer saborear um picolé em um ambiente legal e com natureza”, conta a proprietária. A atitude também explicita um aumento nos investimentos na região, que possui cada vez mais estabelecimentos com propostas diferenciadas. “Estabelecidos aqui nós atingimos as cidades mais próximas. Temos toda a região do Vale do Sinos para explorar. As pessoas que residem por aqui também têm o direito de consumir algo de qualidade sem contar com o deslocamento até a Capital”, expõe Suzana.

 

 

Mulheres no poder

Segundo a decana da Escola de Gestão e Negócios da Unisinos, Yeda Swirski de Souza, há uma evolução observada na inserção da mulher no mundo do trabalho ao longo da história. Nas palavras dela, a presença das mulheres é cada vez maior em todas as atividades profissionais. “Se antes essa presença era mais voltada a alguns setores ou escolhas específicas, hoje essa realidade social já não faz mais essa demarcação de maneira tão rigorosa”, observa. No que diz respeito ao empreendedorismo em si, a professora argumenta que esta é uma área em crescimento constante. “A ideia de emprego, trabalho e vínculos de longo prazo em instituições de grande porte vem mudando com o tempo. Há novas realidades na questão de produção de riquezas”, esclarece Yeda.

O empreendedorismo também está em crescimento. No Vale do Sinos, assim como em parte do país, boa parte da oferta de trabalho era proveniente da indústria calçadista, que acabou perdendo muito o seu espaço em função de outros competidores. Para ela, fatores como a desindustrialização, a falta de oferta de empregos tradicionais e um novo patamar tecnológico, bem como um consumo diversificado que motiva pessoas a criarem soluções diferenciadas, favorecem a atividade. E as mulheres também estão nesse campo. “O universo feminino não é, necessariamente, o universo doméstico”, afirma.

Para Yeda, no entanto, embora estejamos em novos tempos no que diz respeito à conquista de espaço por parte das mulheres, há um legado histórico que demarca uma desconfiança na capacidade da mulher. “Isso faz com que, ao se envolver em alguma atividade, elas a desempenhem com muita dedicação”, avalia. O desejo da professora é que no futuro essa realidade seja diferente, possibilitando às mulheres não que se destaquem pelo gênero, mas pela competência, demonstrando igualdade. “Há muito festejo por trás das mulheres que dão certo, digamos assim, como a proprietária da Magazine Luiza, por exemplo, mas acredito que isso deve acabar. Espero que ao longo do tempo nós sejamos vistas de maneira mais equilibrada”, finaliza.

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