Política

Em Guaíba, presença feminina na política avança a passos lentos

Munícipio terá, em 2017, a primeira mulher vice-prefeita. Na Câmara de Vereadores, das 16 vagas somente quatro estão ocupadas

Guaíba ainda está caminhando a passos lento quando se trata das mulheres na política

Guaíba ainda está caminhando a passos lento quando se trata das mulheres na política

O município de Guaíba teve emancipação há 89 anos. Atualmente, tem 95.204 habitantes, sendo 49.051 mulheres e 46.153 homens, de acordo com Censo de 2010. Mesmo a cidade tendo como maioria a população feminina, ainda há desigualdade na política.

Para o mandato de 2017-2020, é a primeira vez na história de Guaíba que uma mulher ocupa o cargo de vice-prefeita. Cleusa Souza foi eleita junto com José Sperotto, novo prefeito da cidade. Conforme ela, “é uma honra como mulher ocupar este cargo. Porém, uma maior participação feminina ainda é necessária”.

A presença feminina na política, seja como candidata ou eleitoras, é fundamental, especialmente para o fortalecimento da democracia e pelos direitos das mulheres. A nova vice-prefeita, e vereadora no período de 2012 até 2016, afirma que o papel da mulher é extremamente necessário para mostrar a capacidade e que elas têm o mesmo direito e aptidão masculina. “Apesar das atribuições legislativas serem as mesmas do homem, o que diferencia a mulher é a representatividade, mostrar que não devemos ser diferenciados por gênero e que todos têm capacidade para exercer qualquer cargo”, afirma Cleusa.

Atualmente, das 16 cadeiras na Câmara de Vereadores de Guaíba, somente quatro são ocupadas por mulheres. No próximo mandato (2017-2020), o número diminuiu, três mulheres foram eleitas. Disputando nas eleições, foram 19 mulheres e 88 homens.

Entrando na política em 2012, mesmo ano que concorreu a vereadora e venceu, Paula Almeida afirma que a participação da mulher na política do município ainda caminha a passos lentos. “Há uma clara desproporção entre os gêneros e a manutenção de uma política estadual e federal lidera por homens”, destaca.

Paula salienta que o avanço das mulheres na política é maior do que em outras cidades. “Embora continue havendo uma desigualdade imensa entre o número de cadeiras ocupadas por mulheres em nossa Câmara de Vereadores, o fato de termos 4 vereadoras mulheres eleitas é um fato histórico em nossa Cidade e em nossa região. Muitas Cidades, a maioria delas, não conta com nenhuma mulher no quadro legislativo municipal”.

Em Guaíba, conforme informações do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), há 38.432 mulheres eleitoras e 34.641 eleitores homens.

Para o prefeito de Guaíba, Henrique Tavares, a participação feminina na política da cidade ainda é uma barreira que precisa ser vencida. “A presença das mulheres é essencial para o andamento do nosso município. Com a vice-prefeita eleita, amplia muito a visibilidade das mulheres na política”, afirma.

 

A presença feminina nas sessões do Plenário e o machismo

Na Câmara de Vereadores, são as mulheres que mais indicam proposições legislativas durante as Sessões, ou seja, as vereadoras têm uma grande presença dentro da Câmara. Sendo papel importante para melhoria do município. Grande parte destas proposições são a favor da questão de gênero, especialmente no que tange a saúde e violência doméstica. “Também há proposições que falam de violência doméstica, etc. De um modo geral a discussão ocorre, mas ainda não na intensidade necessária”, afirma Claudia.

Para a nova vice-prefeita, ainda existe machismo na política, mesmo que seja minoria. “Este preconceito infelizmente ainda existe, mas ao meu ver por uma minoria, a luta das mulheres pelo espaço na política é antiga. Aos poucos, as mulheres foram conquistando cargos que, até então, eram exclusividade masculina”, afirma Cleusa.

Já para a vereadora Claudia, a questão do preconceito ainda é um problema sociocultural no Brasil, mas há sim uma grande evolução. “O preconceito existe, mas temos que nos posicionar com firmeza e mostrar nosso trabalho e valor para conquistar acima de tudo o respeito, pois ele é fundamental”, salienta.

A vereadora Magda da Silva Leal afirma que o machismo ainda é forte e age de maneira disfarçada. “De maneira sutil e disfarçada a sociedade machista diminui sim as funções de nós mulheres na política. As mulheres sempre foram descriminadas, em todos os seguimentos da sociedade, hoje demos alguns passos mas ainda falta muita estrada a percorrer.”

 

A importância da mulher em cargos públicos

Mesmo sendo a minoria, a presencia feminina em cargos públicos é muito importante, principalmente para a luta dos direitos iguais. Conforme Claudia, a mulher na política é essencial para levar aos plenários as situações que o sexo feminino passa, discutir esses problemas e fomentar as soluções.

Contudo, como aponta Paula Almeida, ainda há o que melhorar. “Podemos ver claramente que a mulher não ocupou ainda o seu papel na política como nos demais ramos de atividade, entre eles o profissional, onde o papel da mulher vem se sobressaindo cada dia mais, pelo perfil comprometido e competente. ”

Comparando com eleições passadas, onde não havia participação feminina na política guaibense, a participação das mulheres é prova de que a política não é mais um espaço reservado a homens, seja como eleitoras ou como candidatas a cargos públicos, mesmo que tal mudança ocorre a passos lentos. Porém, mesmo que ainda tímida, a presença cada vez maior de candidatas é algo fundamental para o fortalecimento da democracia, afinal, a representatividade feminina é extremamente necessária quando pensamos nas lutas pelos direitos das mulheres em um contexto no qual, como se sabe, ainda há muito preconceito, exclusão e violência contra elas.

 

Perfil das vereadoras

 

Vereadora Claudinha, como é conhecida, está na Câmara de Vereadores desde 2012, quando se elegeu com 1116 votos

Vereadora Claudinha, como é conhecida, está na Câmara de Vereadores desde 2012, quando se elegeu com 1116 votos

 

Claudia Jardim tem 34 anos, é formada em Letras e foi eleita vereadora pela primeira vez em 2012 e reeleita nessa eleição. Antes de entrar na política, já foi presidente do Centro Acadêmico de Letras, vice-presidente do Diretório Central de Estudantes (DCE), chefe de gabinete da 12ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) e do gabinete da Diretoria Geral da Secretaria Estadual de Educação na capital, Coordenadora Regional de Educação Adjunta, interna e chefe de Recursos Humanos da 12ª CRE, regente de classe e supervisora de uma escola, secretária da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente e é a 1ª secretária da Mesa Diretória e membro titular da Comissão de Justiça e Redação e membro suplente na Comissão de Finanças e Orçamentos.

Cleusa está na política há 20 anos e venceu as eleições para vice-prefeita de Guaíba

Cleusa está na política há 20 anos e venceu as eleições para vice-prefeita de Guaíba

 

Cleusa está na política desde 1996 quando se filiou a um partido. Em 2000, se candidatou às eleições municipais e ficou como 1ª suplente para vereadora. Cargo que conseguiu ser eleita em 2004, 2008 e 2012. Já foi balconista de padaria, loja de sapatos e ferragem, trabalhou na Secretaria de Assistência Social de Guaíba e será a primeira vice-prefeita da cidade em 2017, ganhando as eleições deste ano.

Magda se candidatou a vereadora aos 18 anos, sendo seu primeiro voto foi para ela própria

Magda se candidatou a vereadora aos 18 anos, sendo seu primeiro voto foi para ela própria

 

Aos 18 anos, Magda era secretaria de uma partido político e se candidatou para vereadora com a mesma idade, não se elegendo. Desde então, trabalhou como cabo eleitoral para diversos candidatos. Em 2003 foi eleita presidente do Conselho Tutelar. Conseguiu ser eleita vereadora em 2012.

arquivo-pessoal

Paula foi eleita no mesmo ano em que entrou na política

 

Paula Almeida é advogada e tem um escritório de advogacia junto com o pai e a irmã. Foi eleita pela primeira vez vereadora em 2012, ano que ingressou na política. Sua principal atuação é na causa animal. Por problemas de datas, Paula não concorreu as eleições de 2016.

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