Política

Nova Pádua lidera ranking de jovens eleitos no RS

Nova geração começa a ganhar espaço nas bancadas politicas

Renovação política, nova política, mudar a política. A cada campanha uma enxurrada de termos semelhantes a estes são utilizados como slogan, frase de impacto ou proposta. Mas a política de fato tem se renovado? Se levarmos em conta a idade dos candidatos e eleitos em 2016: não.

A representatividade dos jovens na política e no setor público ainda é pequena e a ocupação de espaço tímida. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas Eleições de 2016 do total de 496.896 candidatos apenas 2.405 (0,48%) tinham menos de 20 anos. Destes, apenas 117 foram eleitos e apenas para os cargos de vereador.

No Rio Grande do Sul dos 28.849 candidatos, apenas 117 (0,41%) tinham menos de 20 anos. Destes, só 7 se elegeram. Entre os candidatos com idade entre 20 e 24 anos o número é um pouco maior, mas ainda sim pequeno perto dos candidatos com mais idade. No Brasil, foram 15.875 (3,29%) candidatos nessa faixa etária. Entre os eleitos foram 1.105 (menos de 1%). Apesar dos números ainda serem baixos, os poucos jovens eleitos têm aberto uma porta para uma nova geração.

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Os três jovens de Nova Pádua

Um dos maiores exemplos no Rio Grande do Sul vem de um pequeno município da Serra Gaúcha: Nova Pádua. Com população estimada de 2.563, a cidade conhecida como “pequeno paraíso italiano”, elegeu três dos sete eleitos com menos de 20 anos no Estado.  Danrlei Pilatti, Jéssica Boniatti e Maico Morandi, eles têm 19 anos, são vizinhos e integram a ala jovem do Partido Progressista (PP). Além disso, Danrlei e Jéssica foram os vereadores mais votados.

Os três jovens vereadores de Nova Pádua Danrlei (e), Jéssica e Maico (d) na cerimônia de diplomação dos eleitos/ Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Os três jovens vereadores de Nova Pádua Danrlei (e), Jéssica e Maico (d) na cerimônia de diplomação dos eleitos/ Crédito da foto: Arquivo Pessoal

A explicação pode estar na organização dos próprios jovens dentro do partido desde 2014. “Formamos um grupo com cerca de 30 jovens entre 15 a 35 anos, que começaram a debater ideias do que poderia ser aprimorado em nosso município e futuros pleitos políticos”, explica Danrlei. Na oportunidade, o jovem foi eleito presidente deste grupo. Juntamente com ele, os vizinhos Jéssica e Maico que coincidentemente (ou não), futuramente iriam dividir com ele as cadeiras da Câmara em Nova Pádua.

Agricultor e cursando Agronomia na Universidade de Caxias do Sul (UCS), Danrlei conquistou 249 votos na eleição e se diz engajado em fazer um bom trabalho. Para ele o incentivo de se envolver com a política começou ainda na escola, através da instigação de professores. Assim, ele acredita que ocupar um espaço na sociedade, seja através de cargos públicos ou de outras responsabilidades sociais é a única forma de fazer mudanças efetivas. “Apesar de tantas notícias negativas que nos bombardeiam diariamente, devemos ser protagonistas desta grande mudança positiva para o nosso país, pessoas mais comprometidas pelo bem coletivo devem mudar a realidade do nosso Brasil”, afirma.

Ala jovem do PP foi ferramenta fundamental para a eleição de Danrlei, Jéssica e Maico/ Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Para Danrlei o apoio de outros membros do partido também foi fundamental. Segundo ele, alguns políticos poderia ter concorrido, com chances de se reelegeram, mas deram espaço aos mais novos e sem dúvidas fizeram toda diferença.

Para o jovem vereador a renovação, ou oxigenação como ele chama, na política deve ser um ciclo constante. “Assim evitamos o comodismo e a possibilidade de vícios públicos irreversíveis, como é o caso da nossa Câmara Federal, onde existem deputados que acumulam mais de seis mandatos e realizaram pouco pelo nosso país”, pondera. Para Danrlei o feito dos três jovens vereadores de Nova Pádua pode ser considerado histórico.

Jovem e mulher

Ser um jovem eleito já é algo difícil. Ser uma mulher jovem e eleita é ainda mais. Dos 117 vereadores eleitos na faixa etária dos 18 e 19 anos no Brasil em 2016, apenas 29 eram mulheres. Na faixa etária dos 20 aos 24 anos, dos 1.088 eleitos, 169 eram mulheres. Uma delas é a vereadora Keetlen Link (PSD) do município de Teutônia.

Com 20 anos ela é a vereadora eleita mais jovem nos 35 anos do município, ficando entre as três mais votadas. Sendo a primeira da família a se envolver efetivamente na política, começou a caminhada ainda no Ensino Fundamental e Médio, no Grêmio Estudantil da escola. Para ela o jovem é responsável pelo  desenvolvimento e  futuro do seu município.

Ela acredita que socialmente a eleição de alguém tão jovem seja uma evolução para a cidade. “Se estamos representando a sociedade não podemos ser apenas homens na faixa etária dos 30 a 60 anos. Esse conceito tem que ser completamente modificado é uma questão de representatividade”, afirma. De acordo com Keetlen, a política não precisa ser feita só de jovens, mas não pode ser exclusiva de homens mais velhos. “Tem que haver uma mistura, porque estamos representando a sociedade. Eu vou representar todas as pessoas, mas especialmente aquelas que tem a realidade parecida com a minha que são mulheres, jovens e estudantes”, pondera.

Para a vereadora sua eleição abre caminho para outros. “Nosso dever como jovem já foi em parte cumprido. Por mostrar que temos voto, força e também podemos contribuir com uma sociedade mais justa e igualitária”, avalia.

Keetlen se elegeu aos 19 anos e tomou posse aos 20/ Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Keetlen se elegeu aos 19 anos e tomou posse aos 20/ Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Sobre os números baixos, Keetlen acredita que ainda há resistência das pessoas em votar em jovens e em mulheres. “É porque pra isso você sai da zona de conforto. As pessoas estão acostumadas a votar no cara que sempre foi vereador, deputado ou presidente. Aquele que sempre esteve envolvido na política”, explica.

Isso é fruto de um sistema estabelecido por aqueles mesmos homens que sempre se elegem. “Para conseguir modificar isso é muito difícil, quem está no poder tem formas de se manter lá. A partir do momento que você vota diferente está contribuindo para que essa barreira se rompa. E então você consiga ver homens, mulheres, jovens, idosos e todas as etnias na política”, acredita.

Para a vereadora os eleitos jovens representam uma nova fase na política. Ela acredita que se inserir em um sistema condicionado a eleger sempre os mesmo é difícil, mas depois que se está lá é uma oportunidade de mostrar que a diversidade é mais benéfica para os municípios. “Daqui há 10 anos a nossa Câmara que hoje bate recorde com duas mulheres, vai ter quatro mulheres, cinco jovens. Por que não? Temos que ver de forma positiva, ainda somos poucos, mas vamos cada vez mais conquistar espaços”, propõem.

Conforme Keetlen, a maior contribuição que o jovem pode trazer para a esfera pública e política é o empreendedorismo social. “ Isso quer dizer inovação, eficiência, economicidade. Tudo isso são princípios constitucionais, mas que com a zona de conforto não se priorizava. Não se tinha novas ideia e busca pelo novo saber”, destaca. Além disso, ela crê que o jovem apresenta também formas de aplicar todos estes conceitos e inovações. “Nosso papel como jovens na política e empreendedores sociais não é apenas apontar os defeitos, mas trazer soluções que vão viabilizar e melhorar a sociedade”, pontua.

Keetlen avalia que há muitos jovens interessados em participar e percebendo a política com um olhar diferente. Porém, acredita que é preciso que esse interesse se torne em ações e participação efetiva. “O debate é válido, mas a partir do momento em que consegue reverter isso em ações. “Não é fácil entrar, mas vale a pena”. Na opinião da vereadora é preciso manter a esperança de uma política melhor. “Às vezes falta um pouco disso nos jovens, muitos ainda estão acordando para o movimento político, do qual temos que tomar a frente para mudar”, avalia.

Ela destaca que o envolvimento do jovem não precisa necessariamente ser em um cargo político, mas pode ser, por exemplo, atuando em conselhos municipais ou em outras ações sociais ou voluntárias. “Temos que construir com uma imagem de um município novo, que tem que se desenvolver. Os principais protagonistas do desenvolvimento da cidade somos nós jovens, que estamos estudando, correndo atrás e abrindo negócios”.

Para o futuro, Keetlen espera ainda mais espaços ocupados e com igualdade. Para ela, o desejo é encontrar Câmaras de Vereadores e até mesmo o Senado, com metade de homens e metade mulheres, e com até 30% ou mais de jovens. “Esse é o meu sonho”, conclui.

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