Política

Eleições americanas: da disputa ao write-in

No próximo dia 8 de novembro, os Estados Unidos decidem quem será o próximo ou próxima presidente

Caubi Scarpato, Dyessica Abadi, Franciele Arnold e Julia Boeno

Em novembro, os olhos do mundo estarão voltados para os Estados Unidos da América para uma eleição que promete ser histórica. O país decide se pela primeira vez terá uma mulher como presidente, ou o homem com as opiniões mais polêmicas do último ano. Hillary Clinton, do Partido Democrata, e Donald Trump, do Republicano, disputam a presidência de uma das maiores potências mundiais, e o resultado dessa briga pode refletir no mundo todo. A Beta Redação explica melhor como ocorre esse processo e mostra estimativas sobre as eleições estadunidenses, além de falar sobre o pouco conhecido Write-in, um esquema de voto que foi responsável pela eleições de importantes nomes como J. F. Kennedy e Franklin D. Roosevelt.


 

Os candidatos write-in: Escrevendo seu candidato

Foto: Portal Terra

Foto: Portal Terra

Uma das características mais curiosas do sistema eleitoral norte-americano são as chamadas candidaturas write-in (por escrito, na tradução literal). Esse artifício permite, por exemplo, que qualquer candidato seja votado mesmo que seu nome não apareça junto aos demais candidatos nas cédulas eleitorais. Alguns estados norte-americanos permitem que o nome da pessoa escolhida pelo eleitor seja afixado na cédula através de um adesivo ou colagem, porém a maior parte das localidades que aceitam essas candidaturas exigem que o nome completo dos candidatos escolhidos seja escrito de próprio punho pelos cidadãos.

Foto: Gowker.com

Foto: Gowker.com

 

Muitas vezes, as candidaturas write-in são a opção de candidatos que por algum impedimento legal em seu nome, ou eventualmente de seu partido, não tenham sua candidatura homologada pela instituição legal responsável pelo pleito. Na maior parte dos casos, no entanto, a figura das candidaturas write-in surge nas instâncias primárias de escolha de candidatos oficiais por cada partido, na qual grupos divergentes dentro da mesma agremiação optam por nomes que não são aqueles inicialmente listados pela direção dos partidos.

 

Neste sentido, as candidaturas write-in podem servir também como “balão de ensaio” sobre a viabilidade de alguma candidatura em específico, embora sejam raros os casos de candidatos efetivamente eleitos através desse expediente. Existem, ainda, casos curiosos, nos quais personagens fictícios ou figuras folclóricas são votadas pelos eleitores, como uma espécie de voto de protesto ou mesmo por mera galhofa (Vote Homer Simpson!).

Vote Homer Simpson!

Vote Homer Simpson!

 

Podemos fazer um paralelo com casos brasileiros emblemáticos, como a candidatura do Macaco Tião, no Rio de Janeiro, quando no final dos anos 80, com pleitos decididos ainda em cédulas de papel e estimulados pela revista humorística Casseta & Planeta, eleitores confiaram mais de 400 mil votos a um chimpanzé residente no zoo carioca, alçando-o ao terceiro lugar na corrida à prefeitura local, num total de 12 candidatos. Os votos conferidos a Tião, no entanto, foram considerados nulos pelo Tribunal Regional Eleitoral, ainda que tenham garantido ao símio um lugar no livro Guiness dos Recordes, como o chimpanzé a receber maior número de votos até hoje.

Foto: Revista Forum

Da mesma forma podemos lembrar, ainda, no âmbito regional, de Toniolo, celebridade da contracultura porto-alegrense, que na virada dos anos 80 para os 90 realizou diversas campanhas políticas em prol de uma candidatura sua pelo inexistente PAB – Partido Anarquista Brasileiro. Nas eleições de 1990, quando distribuiu enorme quantidade de panfletos especialmente em Porto Alegre, candidatando-se a governador do Estado, sofreu com uma série de processos judiciais, já que à época era crime incitar o voto nulo.

Reportando-nos novamente aos Estados Unidos, podemos citar como exemplo curiosos e bem-sucedidos de candidaturas write-in as eleições dos ex-presidentes Franklin D. Roosevelt, nas primárias do Partido Democrata em Nova Jersey, em 1940, e de John F. Kennedy, também nas primárias democratas, na Pennsylvania, em 1960. Além disso, notabilizaram-se as candidaturas de protesto da revista satírica Mad, na figura do candidato Alfred E. Neuman, sob o slogan “Você pode fazer pior, e tem como”, e, mais recentemente, em 2012, do candidato write-in Charles Darwin para o congresso do Estado da Georgia, que recebeu aproximadamente 4.000 votos em nome de um protesto contra o congressista Paul Broun após este afirmar que a teoria científica da evolução era uma mentira diretamente ligada ao inferno.

Eleitores ausentes e as previsões para as eleições americanas

Pesquisas e levantamentos realizados falando sobre a corrida eleitoral de 2016 e sobre eleições anteriores mostram que o caráter facultativo do voto agrada, de certa forma, à população americana. Na última eleição, mais de 50% dos cidadãos aptos a votar se abstiveram. Quando o assunto é a eleição de Trump ou Hillary, as mulheres, maioria eleitora no país, demonstram grande desaprovação pelo candidato republicano que, em muitos de seus discursos, agrediu mulheres com declarações desrespeitosas e polêmicas.

Na galeria, você confere mais desses fatos e números sobre as eleições que mais atraem olhares e preocupações pelo mundo.

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