Economia

Economia Pop

Fãs que movimentam a economia

Nos últimos anos Hollywood tem produzido inúmeros filmes sobre livros da cultura nerd e super-heróis, e não é para menos. Apesar dos altos custos para se produzir um filme deste porte, o lucro é certo. O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (2012), por exemplo, custou US$ 270 milhões e arrecadou US$1 bilhão nas bilheterias dos cinemas no mundo inteiro. A arrecadação nas bilheterias em 2016 não surpreende, dos 10 filmes mais rentáveis – tanto no Brasil, quanto no mundo – mais da metade da lista são da cultura pop. Capitão América: Guerra Civil que lidera o top 10, faturou mais de 1 bilhão de dólares.

10 filmes mais rentáveis em bilheteria no Brasil em 2016.

10 filmes mais rentáveis em bilheteria no Brasil em 2016. Valores em reais.

Contudo, não é só de filmes de super-heróis que a cultura pop vive: séries, música, games e quadrinhos são outros exemplos que unem fãs do mundo inteiro e movimentam a economia.
É o caso da loja online O Colecionador que surgiu em 2013 após o proprietário Luiz Edson Silva não encontrar o action figure (ou figura de ação em português) do músico Lemmy Kilmister da banda Motorhead.  “Após verificar essa carência no mercado, surgiu a ideia de montar uma loja onde pudesse disponibilizar aos clientes as figuras que não encontramos regularmente no país, peças que já estão fora do catálogo de vendas, peças raras, linhas de terror, rock, etc.” afirma Edson.
A loja é especializada em artigos colecionáveis do universo da música, cultura pop, TV, cinema, quadrinhos, animes e desenho animado e normalmente está presente com stands em feiras e eventos de cultura pop.
Mas não é somente nesses espaços que os fãs se encontram e consomem estes materiais. A publicitária Ana Bandeira, 37 anos, começou a se apaixonar pela cultura pop ainda na adolescência. A música foi sua primeira paixão, comprava discos e camisetas de bandas como Guns n’ Roses e U2, mas lembra que o que despertou sua atenção para este nicho foi o filme “O Exterminador do Futuro”, em 1992. Aos 14 anos começou a acompanhar séries e não parou mais: Twin Peaks, Friends, Lost, Os Sopranos, são alguns dos DVDs que Ana guarda em sua estante. Além disso, a coleção da publicitária envolve camisetas, livros com fotos de bastidores do cinema, almofadas, quadros, etc. Ana se diverte ao falar da experiência coletiva que vivenciou com a série Lost e Game of Thrones. Na primeira, era através do fórum online que conversava com pessoas do país inteiro sobre a série – que acabou se tornando o objeto de pesquisa de seu mestrado. Já com Game of Thrones, ela reúne os amigos em casa e fazem até edições especiais, como com os episódios de junho em que as comidas e bebidas são típicas de festa junina.

Porém, não é só online que a publicitária consome cultura pop, além das roupas e da decoração de sua casa (até o sabonete líquido que fica na pia do banheiro é de personagem, neste caso, o Mestre Yoda de Star Wars), Ana carrega na pele uma tatuagem em referência à saga d’O Senhor dos Anéis e um ícone da capa do primeiro vinil que comprou na vida, do The Cult.
Para Ana, que gasta de R$100,00 a R$300,00 reais a cada dois meses  entre roupas, livros, dvds, action figures de personagens de filmes, séries e bandas que gosta, ser fã é “se envolver emocionalmente com algo que seja parte da tua vida”.

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Assim como Ana e Edson, outras pessoas veem na cultura pop não só um entretenimento, mas um estilo de vida. Cada vez mais podemos notar que a capital gaúcha tem abraçado este lifestyle, pois além das casas noturnas fazerem festas dedicadas a filmes e séries de sucesso, como a Rockwork Orange que é inspirada no filme Laranja Mecânica, há bares inspirados e voltados para este público. É o caso do Quentin’s, inspirado no diretor Quentin Tarantino, o Margot  que faz alusão aos filmes de Wes Anderson e o Dirty Old Man, apelido do escritor Charles Bukowski. Se nos anos 80 existia o estereótipo do jovem  nerd que lia quadrinhos e sofria bullying por isso, 30 anos depois a cultura pop é uma das mais rentáveis e populares, atingindo cada vez mais pessoas se percebemos que as fast fashions como Renner, Riachuelo e C&A passaram a produzir coleções de roupa com referências pop.

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