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Ecobarreira no Dilúvio já impediu que 190 toneladas de lixo chegassem ao Guaíba

Estrutura mantida pela empresa Safeweb, em parceria com a Prefeitura de Porto Alegre, recolhe mais de 200 kg de lixo diariamente

Em operação há pouco mais de um ano em Porto Alegre, a barreira ecológica de contenção de lixo construída no Arroio Dilúvio, perto da foz, entre as avenidas Edvaldo Pereira Paiva e Borges de Medeiros, começa a apresentar resultados práticos para a cidade. Com o objetivo de recolher todo o lixo flutuante do córrego e impedir que chegue ele ao Rio Guaíba, a Ecobarreira conteve, entre março de 2016 até o momento, cerca de 190 toneladas de lixo. Entre os principais materiais encontrados estão garrafas PET, plástico, isopor, madeira, até itens mais inusitados como sofás, tênis, casacos de pele, entre outros. 

Construída e mantida pela empresa Safeweb Segurança da Informação Ltda., a Ecobarreira recebeu um investimento inicial de R$ 250 mil e levou quase dois anos para ficar pronta – entre o conceito e a execução da obra. “A ideia surgiu a partir de um vídeo que eu vi na internet, sobre uma barreira colocada na cidade de Baltimore, nos Estados Unidos. Quando assisti pensei que poderíamos fazer algo parecido aqui, no Arroio Dilúvio. Foi então que corri atrás para que isso se tornasse realidade e pudesse proporcionar algo bom para Porto Alegre. Levei o projeto até a empresa em que sou vice-presidente, eles abraçaram e financiaram a iniciativa”, conta Luiz Carlos Zancanella Júnior, da Safeweb.

Mais de 200 kg de lixo são recolhidos diariamente pela Ecobarreira (Crédito: Divulgação)

Centenas de quilos de lixo são recolhidos diariamente pela Ecobarreira (Crédito: Divulgação)

Apesar de mantida pela Safeweb – no que se refere à custos e a manutenção, diariamente a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos, por meio das equipes do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) faz o recolhimento dos resíduos içados pela gaiola da Ecobarreira. Em seguida, os encaminha para a estação de transbordo, que depois os envia para destinação em aterro sanitário, localizado em Minas do Leão. “A barreira é fixa e não é retirada em nenhum momento. O recolhimento do lixo é monitorado e ocorre sempre que necessário dentro do horário de trabalho dos operadores – de segunda a sábado, das 8h às 18h. Geralmente, as retiradas ocorrem duas vezes ao dia, uma pela manhã e outra à tarde”. Há dias, no entanto, em que o acúmulo de resíduos é tão grande que passa a ser necessário um maior número de recolhidas, principalmente nos dias de chuva”, destaca Zancanella.

Com custo mensal de R$ 15 mil, mantidos pela Safeweb, a Ecobarreira conta com dois operadores e dois vigilantes, que monitoram o sistema durante todo o período de funcionamento. Para o Secretário Municipal de Serviços Urbanos Ramiro Rosário, “a Ecobarreira tem prestado um serviço essencial à cidade, impedindo que grande parte do descarte irregular de resíduos no Arroio Dilúvio cheguem ao Guaíba.” Confiante, Rosário completa: “É uma parceria que, certamente, terá continuidade”.

Estrutura chama atenção de quem passa pela região (Crédito: Leandro Souza)

Estrutura chama atenção de quem passa pela região (Crédito: Leandro Souza)

E a Safeweb também projeta a continuidade do projeto com a Prefeitura de Porto Alegre para a Ecobarreira Dilúvio. Tanto que manteve uma campanha de financiamento coletivo no ar, solicitando colaboração de entusiastas da causa para a compra de um triturador de resíduos. O objetivo era atingir o valor de R$ 300 mil para a aquisição do equipamento. Ao todo, a empresa arrecadou um pouco mais do que R$ 14 mil – mas pretende retomar a qualquer momento essa ação, que irá diminuir o espaço do lixo coletado no aterro, reduzindo ainda mais o impacto ambiental.  

Safeweb abriu financiamento coletivo para compra de triturador. Imagem capturada dia 25/04, às 20h. (Crédito: Reprodução internet / Gustavo Schenkel - Beta Redação)

Safeweb abriu financiamento coletivo para compra de triturador. Imagem capturada dia 25/04, às 20h. (Crédito: Reprodução internet / Gustavo Schenkel – Beta Redação)

Segundo Zancanella, no primeiro ano, a Ecobarreira ultrapassou o resultado esperado. A empresa pretende manter a operação, tornando-a cada vez mais eficaz. Pretende, ainda, agir em duas frentes: na busca de um destino mais adequado aos resíduos do que o envio para aterro sanitário e, também, trabalhar com a educação das comunidades para evitar a geração dos resíduos. Com mais quatro anos de contrato com a prefeitura para manutenção da estrutura, a Safeweb projeta ampliar ainda mais sua atuação. Tanto que pretende lançar, ainda em 2017, o Instituto Safeweb, que será responsável por viabilizar novas Ecobarreiras em Porto Alegre e outras cidades. No entanto, Zancanella possui um desejo de bem coletivo: “Nosso maior sonho é que daqui quatro anos, não se precise mais ter uma barreira no Arroio, simplesmente porque não exista mais lixo para reter. Mas isso é uma outra história, que envolve outras frentes, especialmente a de educação ambiental”, finaliza.

Entenda como funciona a Ecobarreira e como ajudar o projeto:

A produção de lixo em Porto Alegre

Segundo o DMLU, cerca de 1200 toneladas de resíduos são coletadas nas residências de Porto Alegre diariamente. Destas, cerca de 100 toneladas são encaminhadas para as 17 Unidades de Triagem pela Coleta Seletiva, gerando emprego e renda para cerca de 700 pessoas. Ao incluir os resíduos públicos (provenientes de remoção de focos, varrição), a capital destina para aterro sanitário por volta de duas mil toneladas de resíduos por dia.

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