Geral

É possível substituir a carne na alimentação?

Outros alimentos também podem ser fontes de proteína, mas é preciso ter alguns cuidados na hora de mudar o cardápio

Uma parcela de 8% da população brasileira, 15,2 milhões de pessoas, se declararam vegetarianos em uma pesquisa realizada pelo Ibope em 2012. Porto Alegre é a Capital com menor adeptos ao vegetarianismo, totalizando apenas 6% dos moradores. Esses dados nos levam a dois debates: a carne pode ser substituída na nossa alimentação? O que é o vegetarianismo?

Apesar de ser considerada uma boa fonte de proteínas, lipídeos, vitaminas do complexo B, potássio, fósforo, zinco e retinol, conforme aponta a nutricionista Carulina Souza, a carne pode, sim, ser substituída por outros alimentos. “Os mais ricos em proteínas são os leguminosos: feijões, lentilha, ervilha, soja, grão de bico e amendoim. Por seguinte tem as hortaliças como brócolis, espinafre, couve, salsinha, entre outros. Alguns tipos de grãos/cereais também são boas fontes, como a quinoa e amaranto”, explica.

De acordo com a Sociedade Vegetariana Brasileira, “vegetarianismo é o regime alimentar que exclui todos os tipos de carnes”, podendo ser dividido em quatro categorias: vegetarianismo estrito, conhecido como vegano, é a restrição de qualquer tipo de alimento de origem animal; o ovovegetarianismo, que mantém o consumo de ovos; o lactovegetarianismo permite a ingestão de leites e laticínios; e o ovolactovegetarianismo, que utiliza tanto laticínios e leite, quanto ovos.

Apesar de considerado um dos alimentos mais ricos em nutrientes, a carne pode ser substituída no cardápio (Foto: Eduardo Robles Pacheco)

Morador de Sapucaia do Sul, o microempresário Lucas Medina é ovolactovegetariano desde junho do ano passado. Segundo Medina, a vontade de cortar a carne sempre existiu, mas foi acentuada a partir do momento em que passou a se informar sobre a produção do alimento, desde a criação do gado até a distribuição e seus malefícios para o organismo. “Eu tinha a impressão que ser vegetariano ia me trazer muitos benefícios. Sempre tive essa vontade, mas nunca dava o primeiro passo.  Até que, em um dado momento, por uma questão de paladar, não consegui mais comer carne”, explica.

Para realizar a mudança de hábito, Medina consultou uma nutricionista, a qual visita com regularidade, que lhe passou uma dieta específica. Acostumado a consumir carne diariamente, mudou gradativamente a alimentação, diminuindo aos poucos a ingestão da proteína animal. “Primeiro larguei a carne vermelha, depois o frango e, por último, o peixe”, conta. Como sempre consumiu muitos vegetais, a substituição acabou sendo facilitada. Atualmente, sem nenhum tipo de problema de saúde, afirma ter uma alimentação “normal”, sem restringir-se apenas aos alimentos considerados saudáveis.

Já a estudante Carolina Pedrotti, 24 anos, de Canoas, não se encaixa no padrão vegetariano, porém não consome carne vermelha. Carolina eliminou totalmente a proteína animal de sua alimentação há oito anos, mas devido a uma anemia precisou, após três anos, retomar o consumo de carnes brancas – ingerindo-as duas vezes por semana. “Hoje em dia, faço acompanhamento com nutricionista funcional que segue uma linha vegetariana/vegana”, detalha.

Com relação aos efeitos na saúde, Carolina diz não ter problemas de colesterol, pressão arterial ou triglicerídeos, e defende: “Embora às vezes ainda apresente um quadro levemente anêmico, tenho amigas que consomem carne e também tem”. Assim como Medina, ela aponta o documentário Terráqueos, que critica a indústria de exploração animal, como embasamento à sua decisão. Para o sucesso no processo de adaptação ao corte da carne no cardápio, a nutricionista Carulina Souza aconselha: “Buscar planejamento alimentar para que sempre se tenha alguma fonte de proteína importante e atentar para que, quando não for consumido o suficiente de micronutrientes, se faça a suplementação dos mesmos. Caso não aconteça a substituição da carne por alimentos de fonte proteica, pode ocorrer desnutrição, perda de massa muscular, perda de cabelo, fraqueza nas unhas, etc.”.

Lida 865 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.