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É possível parar de fumar?

Acompanhe as histórias de quem abandonou o cigarro e contribui para as estatísticas positivas na luta contra o tabagismo

É difícil achar uma pessoa que não conheça ou, do contrário, que tenha um amigo fumante. Porém, encontrar pessoas que deixaram o vício pode não ser tão fácil assim. O fumante tem muita dificuldade em deixar de fumar de forma eficaz, sem arrependimentos ou recaídas promovidas pela dependência química, pelos hábitos e pela rotina com o cigarro.

Ainda assim, uma pesquisa do Ministério da Saúde divulgada no ano passado revela que o número de fumantes está diminuindo. De acordo com dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), o percentual de fumantes no país passou de 16,2% em 2006 para 14,8% em 2012. Essa queda de quase dois pontos percentuais na população fumante atinge pela primeira vez um índice abaixo de 15%.

 

Parar de fumar - Geral

Mudanças no corpo após parar de fumar. (Foto: Douglas Klein)

 

Na internet, dezenas de sites e blogs dão dicas para quem quer largar o vício do cigarro. Em sua maioria, avisam também o quanto é difícil e são necessárias a força de vontade e a dedicação para não depender mais do cigarro. Eva Azevedo, 68 anos, moradora de Gravataí, parou de fumar há 16 anos. Ela relembra que começou a fumar aos 20, por incentivo de colegas de trabalho. “Na época, via as meninas no trabalho fumando e resolvi começar a fumar também, mas só na rua, pois meus pais não podiam saber”, conta.

Logo após esse período, parou de fumar. Porém, com o casamento, retomou os cigarros. O marido é fumante até hoje e insistia para que ela fumasse também. Durante a gravidez, aos 28 anos, deixou o cigarro, mas novamente voltou a fumar depois de um período longe do tabaco. “Meu marido queria companhia para fumar, mas eu nunca fumei como ele. Uma carteira de cigarros chegava a durar uma semana. Diferente dele que fumava três por dia”, destaca.

Uma mudança de cidade também contribuiu para que ela voltasse ao vício, em 1993, quando mudou-se para Gravataí. Foram mais sete anos em que o cigarro acompanhou a vida de Eva. “Durante a menopausa eu enjoei e precisei parar de fumar. Tentei voltar uma vez, mas não consegui. Não tive nenhuma vontade depois daquele período. Hoje dou graças à Deus que parei e tenho nojo do cheiro do cigarro”, ressalta.

A dificuldade em deixar o uso do tabaco de forma espontânea contribuiu para que fossem desenvolvidos dispositivos capazes de auxiliar no processo de parar de fumar, como os adesivos de nicotina, hoje muito utilizados e trocados diariamente pelos pacientes por, no máximo, 90 dias.

Marino Broch, 48 anos, morador de Alvorada, é um dos que recorreu ao uso de adesivo para conseguir largar o vício. Após mais de vinte anos fumando compulsivamente, há dez parou de fumar definitivamente. Broch já havia tentado parar de fumar por conta própria, simplesmente pelo desejo de largar o cigarro. Porém, na primeira tentativa não teve sucesso, ficando longe do cigarro por somente quatro meses.

A filha, que na época tinha nove anos, reclamava muito do odor do cigarro nas roupas e do mau hálito que ele proporcionava. Com a insistência da menina, o pai tomou a iniciativa de largar o fumo. “Quando parei a primeira vez o desejo pelo cigarro foi mais forte e acabei voltando a fumar. Minha filha reclamava muito do cheiro, pensando nela tentei novamente, com acompanhamento médico. Usei por dois meses o adesivo de nicotina, consegui parar. Mas foi um processo muito difícil. O corpo parece que pediu pelo cigarro, fiquei por um ano resistindo. Hoje não sinto falta e nenhuma vontade de voltar a fumar”, relembra.

“Parar de fumar precisa de determinação”, fala Liége Regina, 54 anos, moradora de Gravataí, que abriu mão do tabaco há cinco anos. A professora aposentada teve longos períodos de história com o cigarro. Fumou por vinte anos, parou por dez. Retomou o vício de forma compulsiva por seis anos e há cinco está novamente longe do cigarro.

Liége conta que a contribuição para parar de fumar veio de um programa do médico Drauzio Varella no qual ele fazia um acompanhamento diário de como deixar o vício. “Para deixar de fumar é preciso seguir um passo de cada vez. Lembro que no início foi muito difícil, sentia muita vontade de fumar, mas comecei a substituir por outras coisas. Quando sentia vontade, tomava água e refrigerante”, recorda. E incentiva: “A vida sem o cigarro é muito diferente, o cabelo é mais bonito, a pele muda, o hálito, o cheiro. Eu tinha muito cheiro do cigarro e isso causava insegurança para chegar perto das pessoas. Hoje tudo mudou e não sinto nenhuma vontade de fumar”, destaca.

Onde buscar ajuda

Programa de controle do tabagismo 180 graus, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, atende no Pavilhão Pereira Filho e é líder no controle do tabagismo. O programa tem o slogan “deixe de fumar e dê uma virada na sua vida”. Informações pelo fone (51) 3214 8303 ou na Central de Agendamento (51) 3214 8000.

Leia informações sempre atualizadas no site do Instituto Nacional de Câncer (INCA) sobre como parar de fumar, além de saber mais sobre o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), articulado com a Rede de Tratamento do Tabagismo no SUS, em parceria com Estados, Municípios e Distrito Federal.

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Comentários

3 comentários sobre “É possível parar de fumar?”

  1. Vera Lucia Barbosa da Costa disse:

    Bom Dia
    Liguei para obter informações do Programa 180° para deixar de- fumar e para minha surpresa a consulta de Triagem custa r$180,00, liguei pois pensei ser gratuito, então esse tratamento não é pelo SUS?

  2. Claudio disse:

    Vou colocar isso em prática e espero que de resultados.

  3. Olá Karina, primeiramente muito obrigado por compartilhar este artigo aqui. Fico muito feliz em saber que ainda existem pessoas interessadas em ajudar as outras na internet.

    Adorei a dica do programa do Dr. Drauzio, é um dos poucos em que confio e com certeza irei adquiri-lo.

    Abraço e fique com Deus!

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