Esporte

É para menina, sim: basquetebol

Um esporte com intenso contato físico, onde as mulheres vêm quebrando tabus ao longo da história

Para encerrar a trilogia de mulheres em esportes que ainda são considerados masculinos, já composta por rugby e skate, agora falaremos sobre o basquetebol. De maneira geral, é importante salientar que as mulheres buscaram (e ainda buscam) ao longo da história o direito a coisas até então só direcionadas aos homens. Podemos lembrar do Movimento Sufragista e das três ondas do Feminismo, por exemplo, em que a luta feminina conquistou (e conquista) direitos que já deveriam ser assegurados independentemente do gênero.

Entre tantas imposições, a prática de esportes também não era algo visto socialmente “com bons olhos”. O incentivo a esportes sempre foi majoritariamente destinado aos homens e a emancipação feminina também foi, e ainda vem sendo, conquistada neste meio. No século XIX, o conceito de feminilidade era fortemente difundido. Era imposto socialmente que mulheres devessem ser delicadas, frágeis, portar-se de acordo com as convenções sociais, sempre belas, recatadas, e dos lares. Inserir esporte em um contexto como esse não era fácil.

Tratando do basquetebol, um esporte de intenso contato físico, não é difícil imaginar que ele devesse ser destinado somente aos homens. Nascido nos Estados Unidos em 1892, o basquete feminino inicialmente foi modificado (com relação ao masculino) devido ao preconceito alegado de que o esporte “masculinizaria” as mulheres.

Contudo, o basquete feminino resistiu e ao longo dos anos vêm ganhando mais adeptas. Se pensarmos no Brasil, Hortência é o maior nome que temos. A maior marcadora e cestinha do país se destacou na década de 90 e início dos anos 2000, seja pela Seleção Brasileira ou até mesmo nos times dos Estados Unidos. Outra pessoa de grande destaque foi Paula, que jogava na mesma época de Hortência. As duas elevaram o basquete feminino brasileiro a outro patamar, ganhando notoriedade.

Competições

Se formos pensar nos Jogos Olímpicos, a inserção da categoria feminina se deu apenas em 1976, quarenta anos após o masculino. Estados Unidos e Rússia são os maiores campeões no que se refere ao gênero feminino. No Brasil, apenas em 1992 a seleção passou a fazer parte dos jogos, conquistando a medalha de prata em 1996 e bronze em 2000. Foi premiada também em dois campeonatos mundiais, obtendo ouro em 1994 e bronze em 1971.

A seleção destaca-se no Campeonato Sul-Americano, que apenas de medalhas de ouro possui 27, sendo a atual campeã. Atualmente, a principal competição nacional é a Liga de Basquete Feminino, mas há competições estaduais que também acabam ganhando alguma visibilidade. Nos dias 10 e 11 de junho, houve o 38° Jogos Universitários Gaúchos – JUGs 2017. O evento ocorreu na Universidade Ulbra, em Canoas.

No Rio Grande do Sul, as principais competições se dão por meio de universidades. A prática do esporte (para ambos os gêneros) não é incentivada e quem sonha em seguir carreira precisa necessariamente se inserir nos Estados Unidos, já que nosso país, de maneira geral, não estimula o esporte. Contudo, aqui no sul uma cidade se destaca pelo incentivo do basquete, seja masculino ou feminino: Osório. Desde cedo os jovens entram em contato com o esporte e são incentivados à prática.

A reportagem conversou com as estudantes e atletas Jandira Jaccottet, 25 anos, Jessica Portella, 20 anos, e Sofia Ferrari, 18 anos, que participaram dos Jogos Universitários Gaúchos. No podcast abaixo, elas revelam como começaram a praticar este esporte pouco difundido no estado e destacam aspectos nos quais acreditam haver diferença entre a prática masculina e feminina.

“Elas parecem umas leoas”, foi o comentário de um rapaz que assistia a partida entre as equipes femininas de basquetebal da Universidade Federal de Pelotas e a Faculdade Cenecista de Osório durante o JUGs 2017. Afrontosas e determinadas, as atletas disputaram uma partida acirrada – provando que o lugar da mulher é também no basquete.

*Ensaio fotográfico e foto de capa: Dyessica Abadi

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