Cultura

Desencontros e solidão em um mundo de intolerância

Dog Day abre discussão sobre preconceitos que estão impregnados na sociedade

O teatro não tem apenas a função de entreter o público, ele também possui o papel de promover reflexões. A partir desse mote nasceu a peça Dog Day, da diretora Fernanda Moreno. A produção tem o intuito de colocar em debate assuntos delicados que permeiam nossa sociedade, como suicídio, gênero e diferenças sociais. Ela retrata um dia na vida de 10 personagens ligados entre si por um único ponto: a solidão.

O drama surgiu a partir de uma oficina de encenação, do curso de extensão em teatro oferecido pela PUCRS aos alunos da universidade. Nele, a diretora resolveu fazer um texto em conjunto com os estudantes: ela oferecia estímulos; eles iam propondo ideias. Dessa forma, o roteiro foi sendo montado coletivamente até dar origem ao espetáculo.

Personagens unidos

Personagens unidos. Foto: Fernando Eifler/Beta Redação

Para Fernanda, a exibição é importante para criar uma maior conscientização das pessoas com relação a preconceitos existentes no mundo de hoje. “A ideia era abordar os temas da forma mais delicada possível, sem ser clichê ou piegas. Creio que conseguimos alcançar nosso objetivo, pois o retorno do público tem sido incrível”, conclui a diretora.

O ator Rafael Mog, intérprete de um dos personagens, pensa parecido. Para ele, a representação trata de muitos assuntos dos quais as pessoas costumam evitar no dia a dia. E a discriminação só poderá ser combatida se essas questões forem abertas para discussão. “Os preconceitos vêm diminuindo nos últimos tempos, e para que isso continue, é necessário seguir propondo a discussão desses temas”, completa.

Maggie, a vidente, que só pensa no dinheiro

Maggie, a vidente, que só pensa no dinheiro. Foto: Fernando Eifler/Beta Redação

A peça tem atraído bom público: o Teatro Carlos Carvalho, da Casa de Cultura Mário Quintana, lota em quase todas as apresentações. Para a aposentada Nara Silva, que assistiu à peça como espectadora, isso se deve ao fato de a encenação fugir do senso comum. Aborda temas sensíveis de um modo bastante próprio e tocante. E completa: “O primeiro pensamento que me veio à cabeça após o final foi de que eu vou sair daqui sendo uma pessoa melhor”.

O espetáculo conta com a direção de Fernanda Moreno. O elenco écomposto por Arthur Loureiro, Camila Salton, Domingos Berwanger, Giordano Spencer, Jacqueline Sabater, Márcia Schuler, Marjorie Lacostt, Nathália Haucke, Rafael Mog e Victoria Guella Rech Lima.

Elenco e público reunidos ao final da sessão

Elenco e público reunidos ao final da sessão. Foto: Divulgação

Em outubro de 2016, Dog Day foi indicada em seis categorias do festival de teatro estudantil Art In Vento, de Osório. Foi vencedora em duas delas: melhor dramaturgia, com Fernanda Moreno; e ator coadjuvante, com Giordano Spencer.

A peça segue em cartaz para seu último final de semana. As apresentações ocorrem no Teatro Carlos Carvalho, da Casa de Cultura Mário Quintana, nos dias 20 e 21 de maio, às 20 horas. Os ingressos custam R$ 25,00 (com desconto de 50% para estudantes, idosos e classe artística).

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