Cultura

Doce cultural: conheça o Cine Caramelo

A 3ª edição do festival busca a imersão dos espectadores no mundo das crianças

O apagar das luzes dá início ao espetáculo de imaginação e representação infantil. Com entrada gratuita, o 3º Festival Infantojuvenil Cine Caramelo, oportuniza que crianças e adultos participem, em conjunto, de sessões de cinema que incentivam o debate sobre diversidade cultural e temas da juventude. Com o objetivo de reativar o espírito infantil e estimular a reflexão sobre as dificuldades da transição da infância à adolescência, o projeto está em cartaz na Sala Redenção, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em Porto Alegre.

 

Com mais de 6 mil espectadores, Festival Cine Caramelo é fonte de inspiração e reflexão à temática infantil. Foto: Divulgação/Cine Caramelo

Com mais de 6 mil espectadores, Festival Cine Caramelo é fonte de inspiração e reflexão à temática infantil. Foto: Leonil Jr./Cine Caramelo

 

De acordo com a organizadora do evento, Andreia Vigo, o festival surge com a união da literatura de Mario Quintana às experiências na área de pesquisa e produção de festivais. “Essa foi minha primeira experiência com esse público. Eu já tinha feito curadoria e produção de festivais, mas percebia que havia pouca programação ao público infantojuvenil.” Com uma seleção de filmes e documentários clássicos e contemporâneos, o Cine Caramelo é um festival sobre crianças, direcionado a elas, mas que também fala sobre a cultura infantil nos adultos. Conforme a diretora da Cinemateca Paulo Amorim e do Instituto Estadual de Cinema, Liege Nardi, a ação, que tem recursos públicos do Governo do Estado, é importante por priorizar a infância tanto nos mais jovens quanto nos mais experientes. “Existem pessoas que deixam de expor o lado infantil, e o Cine Caramelo é a possibilidade de deixar aflorar esse sentimento em todos”, diz.

Com temas que mostram a criança como indivíduo, o festival também permite a reflexão por um pensamento social. “A publicidade infantil, que não tem regulamentação no Brasil, é uma bandeira de quem trabalha com esse público. É preciso protegê-los”, destaca Andreia, que também afirma a necessidade de pensar enquanto sociedade sobre as políticas públicas para jovens infratores, num âmbito coletivo. Para ela, a terceira edição do Cine Caramelo traz principalmente obras sobre o ato de brincar na vida adulta e o quanto isso é importante. “Essa expressão genuína do ser humano, o brincar, precisa ser preservada e alimentada na vida adulta. Isso reflete na relação dele com a criança. Um adulto feliz pode ser exemplo de uma criança feliz.”

 

No Cine Caramelo, o documentário "Jonas e o circo sem lona" é exibido com o auxílio de Libras. Foto: Luciano Del Sent/Beta Redação

Durante sessão do Cine Caramelo, o documentário Jonas e o circo sem lona é exibido com o auxílio de Libras, na Sala Redenção. Foto: Luciano Del Sent/Beta Redação

 

Inclusão social

A terceira edição do Cine Caramelo também tem sessões com o auxílio da língua brasileira de sinais (Libras). A iniciativa da professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) de Surdos Bilíngue Salomão Watnick, Fabiane Saidelles, que atua há sete anos com Libras, possibilita que deficientes auditivos tenham outra perspectiva do festival. “Não entendemos os surdos por sua deficiência (não ouvir), mas por sua diferença (usar a língua de sinais). É através da visão que eles aprendem, daí a importância e a necessidade de oferecermos alternativas diferentes de entender e participar do mundo, nesse caso o cinema”, destaca. Conforme Ana Cristina Motta, educadora da EMEF Professora Ana Íris do Amaral, o Cine Caramelo é uma ótima ideia, pois promove debates, aprendizagens e trocas de ideias sobre um tema tão importante à nossa sociedade. “Valorizando culturas diferentes aprendemos a respeitá-las. Isso auxilia na construção da identidade pessoal e de grupo.”

Na Sala Redenção, situada no campus Central da UFRGS (Av. Eng. Luiz Englert, s/n), o Cine Caramelo apresentará na segunda-feira, 7 de novembro, às 14h15, a Mostra Curta Saci, seguido da contação de histórias, com o jornalista e “saciólogo” Andriolli Costa. Nessa data, o documentário Alma da Gente e Brincante – O Filme serão exibidos às 16h e às 19h, respectivamente. Na terça-feira, 8, será exibido o filme O Mundo dos Pequeninos, às 14h15, além da obra O Começo da Vida, às 16h. Ainda na terça, no encerramento do 3º Festival Infantojuvenil Cine Caramelo, às 19h, haverá a exibição do filme gaúcho Ponto Zero, com posterior sessão comentada com o diretor José Pedro Goulart e o ator Sandro Aliprandini.

O evento é realizado pelo Bureau de Cinema e Artes Visuais, em parceria com o Sistema Fecomércio/SESC-RS, com apoio do Departamento de Difusão Cultural da UFRGS, Sala Redenção – Cinema Universitário, Instituto Ling, Programa de Extensão Universitária “Quem quer brincar?”, Feira dos Agricultores Ecologistas – FAE, Pulo do Gato Espaço de Brincar, e financiamento do governo do Rio Grande do Sul/FAC/Pró-Cultura RS.

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