Geral

Voluntários explicam por que doar sangue faz bem

Hospital de Clínicas de Porto Alegre recebe em média 80 doadores de sangue por dia

Gabriela Gonçalves e Lucas Proença

Pedro Foss foi doador de sangue recorrente durante quase 40 anos. Parou de doar há dez anos, ao atingir a idade máxima permitida – 60 anos. A história de Pedro começou em Gramado, onde mora, quando outro morador da cidade precisou de sangue. “Dali em diante, fui registrado como doador. Doava em Gramado e Porto Alegre. Uma Kombi branca me buscava em casa para levar ao hospital para fazer a doação. Quando a minha mulher se operou, fui o doador dela. Eu me sinto muito bem em ajudar as pessoas. Se pudesse, continuaria doando até hoje”, conta. Recentemente, Pedro Foss passou por complicações de saúde e precisou receber sangue: “Eu vi que quando a gente faz o bem, recebe o bem. Eu incentivo a minha família a doar, acredito que seja um dever de todas as pessoas”.

Em Porto Alegre, o Hospital de Clínicas recebe aproximadamente 80 doadores por dia que são estimulados a voltar. A doação de sangue pode, facilmente, virar um hábito, como no caso da estudante de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Daniela Burguêz: “É fácil, de graça e não me faz nenhum mal. O sangue está disponível para mim o tempo todo, e não existe outro líquido que o substituía. Ele se renova, e posso doar para quem precisa. Eu gosto de saber que estou ajudando alguém”.

Segundo Tor Gunnar Hugo Onsten, doutor em Ciências Médicas e chefe do serviço de hemoterapia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, nem sempre o sangue dos doadores de primeira viagem pode ser aproveitado por diversos motivos. Além disso, ele ressalta a relevância do fluxo contínuo de doadores. “Evitamos chamar muita gente para doar em pouco tempo, pois o sangue é perecível e tem o risco de vencer. As plaquetas, por exemplo, duram apenas cinco dias; já os glóbulos, um mês”, explica.

Atualmente, os hemocentros precisam de mais sangue para atender pacientes com doenças crônicas (Foto: Canadian Blood Services)

Atualmente, os hemocentros precisam de mais sangue para atender pacientes com doenças crônicas (Foto: Canadian Blood Services)

Para Daniela, a vontade de ajudar está intrínseca aos seus estudos, e foi isso que a ajudou a ter consciência sobre a importância de ser uma doadora. “Faço a doação três vezes por ano desde 2015, principalmente entre o Natal e o Ano Novo, pois é uma época com poucos doadores e muita demanda”, completa.

Outro doador engajado é o web desenvolvedor Leonardo Pinto Mascarenhas, que foi influenciado pela doença que o pai teve. Depois disso, acabou tornando-se em um doador recorrente, até viajar para o exterior, onde, agora, pretende continuar o mantra: “Parei quando cheguei no Canadá, porque ainda não sabia como funcionava o cadastro. Na minha carteira de identidade atual tem a informação de que sou doador de tecido. Já descobri onde posso doar sangue aqui e pretendo fazê-lo em breve”. Leonardo Mascarenhas também fala do sentimento gratificante: “Mesmo não sabendo para onde vai, eu ajudo alguém que precisa. Sinto uma energia positiva”.

Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue

Estabelecido por Lei desde 1964, assinado pelo presidente Castelo Branco, O Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue foi definido na data de 25 de novembro, dia do aniversário da fundação da Associação Brasileira de Doadores Voluntários de Sangue. É um dia para conscientizar a população sobre a importância de ser um doador e, ainda, homenagear aqueles que doam sangue.

Lida 639 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.