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Doação de órgãos: um gesto de solidariedade

Rio Grande do Sul bateu recorde de doadores de órgãos em 2016

Conforme a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o Brasil é o segundo país no mundo em número de transplantes realizados por ano, sendo mais de 90% pelo SUS. E o Rio Grande do Sul tem motivos para comemorar. De acordo com a Central de Transplantes do Rio Grande do Sul, em 2016 o Estado teve um número de doadores recorde, chegando a 284.

Em 2017 já foram registradas 100 doações no RS. Por outro lado, a fila de espera continua grande. Segundo a Central, atualmente 1.163 pessoas aguardam um transplante de órgão, a maioria devido a insuficiência renal.

Para a aposentada Salete Castelli, realizar o transplante de rins foi como nascer de novo. “Eu descobri que tinha rins policísticos e fiz acompanhamento médico por oito anos, mas somente com 10% da função renal. Como nenhum familiar era compatível comigo, precisei fazer hemodiálise enquanto aguardava. Foi um processo doloroso e difícil, só depois de 18 meses esperando consegui realizar o transplante”, conta.

Passados 23 anos de seu transplante, Salete acredita que as campanhas para doação de órgãos aumentaram. “As campanhas ajudaram muito, mas o índice de doadores poderia e precisa ser maior. Espero que mais e mais pessoas tenham essa consciência e expressem esse desejo, principalmente entre os seus familiares, porque a decisão final é deles. Tenho muito a agradecer, principalmente a pessoas que até hoje não conheço, mas que foram imprescindíveis para a minha recuperação.”

O jornalista e músico Arzelindo Ferreira Neto, conhecido como Jimi Joe, tem uma história semelhante à de Salete. Portador de rins policísticos, Jimi precisou realizar hemodiálise por 10 anos, até que encontrou um rim compatível. “Este mês estou de ‘reaniversário’, já se passaram quatro anos desde que fiz o transplante”, conta.

A partir dessa experiência, Jimi montou a banda Los 3 Plantados com dois amigos que também fizeram transplante, os músicos Bebeto Alves e King Jim. “Nós resolvemos usar a banda como uma forma de alertar as pessoas sobre a importância da doação. Foi o jeito que encontramos de tentar retribuir essa segunda chance de vida que recebemos”, explica Jimi.

Essa conscientização também é trabalhada pela Fundação Ecarta, através do projeto Cultura Doadora, que funciona desde 2012. A produtora da iniciativa, Glaci Borges, explica que o objetivo do Cultura Doadora é incentivar a doação de órgãos e tecidos: “O projeto é desenvolvido levando o máximo de informações para o universo educacional, desde a educação infantil até o ensino superior, através de palestras com excelentes profissionais que atuam diretamente na área da doação e transplantes”.

 

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O projeto Cultura Doadora promove palestras sobre doação de órgãos e tecidos. Foto: Glaci Borges, Arquivo pessoal

 

Quem pode ser doador?

“Os órgãos que podem ser doados por quem está vivo são: rim, parte do fígado e parte do pulmão, de dois doadores para um receptor. Porém, a doação de órgãos só é permitida entre parentes até o quarto grau ou cônjuges. Senão, é necessário a aprovação da comissão de ética do hospital, da Central de Transplantes do Estado e também uma autorização judicial. Isso ocorre para prevenir qualquer possibilidade de comércio”, informa Glaci.

A outra forma de doação é em caso de morte encefálica, quando é necessária a autorização da família. Segundo Glaci, a entrevista familiar é um momento delicado, mas muito importante: “A doação de órgãos e tecidos é um ato voluntário, é caracterizada como um gesto altruísta, de extrema solidariedade, com o qual as famílias enlutadas, com total desprendimento, colocam o outro em primeiro lugar. A entrevista familiar é feita por enfermeiras ou assistentes sociais altamente capacitadas, e tem como objetivo oferecer todas as informações e suporte necessários para a tomada de decisão da família com relação à doação. É importante estabelecer uma boa relação com os familiares, baseada na transparência, na empatia, no apoio emocional e na relação de ajuda profissional”.

 

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Dados divulgados pela Central Estadual de Transplantes (Gráfico: Amanda Bicca/Piktochart )

 

 

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