Economia

Do desejo de pagar a formatura do filho a um negócio promissor: a história de Lorena Ziegler Doces

Lorena cria empresa de brigadeiros gourmet para complementar renda

doces2

 

O empreendedorismo está em alta, especialmente com a crise que assombra o país. Como forma de buscar novas rendas, as pessoas optam por novos negócios para complementar os ganhos ou até mesmo para fugir do desemprego. A Beta Redação já falou sobre o crescimento e surgimento de novos empresários aqui. Na matéria Apesar da crise, empreendedorismo está em alta, Paloma Griesang revela que há 45 milhões de brasileiros empreendendo e, dentre estes, 6,7 milhões estão no Sul.

A Lorena Ziegler Doces faz parte da porcentagem de novas empresas que surgiram para gerar um dinheiro extra em 2016. Mas, com ela, a vontade de aumentar o orçamento teve um motivo mais especial: pagar a formatura do filho, que finaliza o curso de Administração na UFRGS no início de 2017.

Lorena Ziegler Silva de Lima é a idealizadora do negócio. Ela tem 53 anos e a maior parte do tempo trabalhou como babá, geralmente em dois empregos. No início do ano, no entanto, perdeu o emprego do turno da tarde e acabou tendo que administrar o orçamento com apenas um dos salários.

Foto: Arquivo Pessoal

 

A notícia de que o filho Lucas, de 24 anos, estaria se formando na UFRGS deu um empurrão para que ela tomasse uma atitude mais drástica. A família não possuía dinheiro suficiente para festejar a vitória do filho e, por isso, aliaram-se para criar a Lorena Ziegler Doces, que existe há cerca de três meses.

A família sempre teve muita aptidão na cozinha, o que a motivou ainda mais a levar a empresa a sério, desenvolvendo-a para o ramo de brigaderia gourmet. Hoje participam do negócio Lorena, Lauro (marido), Gabrieli (a filha) e Lucas (o filho) para que todos os doces sejam entregues no prazo. O empreendedorismo familiar, nesse caso, mostra que com a união de todos pode dar certo.

Confira a entrevista com a Lorena para entender mais sobre seu negócio:

Por que a Lorena Ziegler Doces surgiu?

Na verdade, quando o Lucas me comunicou que iria se formar em fevereiro do ano que vem, fiquei nervosa porque soube que não teria como ajudá-lo a realizar esse sonho. Como eu recentemente perdi o emprego do turno da tarde, tive que encontrar uma saída para vê-lo pegar o seu diploma depois de tantos anos de dedicação à faculdade. Tenho muito orgulho dos meus filhos e faço de tudo para vê-los felizes. Meu sonho é ver o Lucas de toga e recebendo o canudo.

E como aconteceu?

Eu e o Lauro (marido) sempre cozinhamos bem, modéstia à parte. Em uma época eu também fazia bolos para vender, já fiz cachorro-quente, xis, sorvete. Sempre tivemos essa veia empreendedora, eu acho, especialmente em relação à alimentação. Mas nunca fizemos nada muito profissional, eram mais vendas em casa mesmo. Então, conversamos e decidimos que se fizéssemos algo de maneira mais profissional as coisas poderiam deslanchar. Decidimos pelos doces gourmet, que estão em alta. Contratei uma empresa para fazer o logotipo, os cartões de visita, fotos e atualizar o Facebook. Está tudo mais profissionalizado.

Como acontecem as vendas?

Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Arquivo Pessoal

Inicialmente, nós não íamos fazer como uma empresa. Seria só um “bico” pequeno até que chegasse a formatura dele. Mas a verdade é que está dando muito certo e tem nos rendido um dinheiro legal. Vendemos especialmente para mercados, padarias e pessoas que conseguem pontos de venda para gente. Também fazemos cento de doces, mas como somos só uma família, fica difícil uma produção em larga escala. Por isso, às vezes, optamos por vender somente os doces maiores para mercados e padarias.

Quem faz parte da empresa? Já tem funcionários?

Ainda não temos nenhum funcionário porque o rendimento é baixo para pagar alguém. Como eu disse, vendemos para mercados e padarias, então a demanda é baixa ainda. Trabalhamos eu, meu marido (Lauro),  o Lucas e a Gabrieli (filha) de vez em quando também. Eu faço as massas, eles me ajudam a enrolar, a vender, a cuidar da contabilidade, todos esses detalhes que a gente nem pensa quando decide montar uma empresa, né?

Qual o rendimento semanal?

Hoje a gente recebe, em média, R$ 350 a R$ 400 por semana. Cada doce grande é vendido por R$ 2,50, e os especiais (leite Ninho com Nutella, por exemplo) por R$ 3.

Foto: Arquivo Pessoal

Pretendem ampliar o negócio?

Com certeza! Nós começamos há mais ou menos cinco meses e já crescemos bastante. Mesmo quando a formatura do Lucas acabar, eu quero muito continuar com isso. Já sei que podemos lidar com esse negócio e estamos gostando de ver o retorno positivo das pessoas. O dinheiro a mais é uma coisa boa, mas não é tudo, com certeza. Vemos que estamos fazendo algo de que gostamos de verdade.

Qual o maior desafio?

Com certeza um grande problema é a parte financeira. As cobranças, os pagamentos “fiado”, o pagamento de contas, a compra de materiais e produtos. É realmente difícil quando a gente para para pensar que isso também é ser empresário, né? Ter que fazer a gestão de tudo isso…

Quais os benefícios?

Mesmo com todos os problemas, é recompensador receber os elogios das pessoas. Mesmo! Além disso, também gosto de ver que aquele produto é nosso, fomos nós quem produzimos, sabemos a procedência, sabemos que fizemos com carinho. É muito bom ver que tem algo NOSSO sendo vendido por aí.

Pretende abandonar o emprego para seguir nesse negócio?

É cedo para dizer. Eu adoro o que estou fazendo, mas é bem trabalhoso, especialmente se tem uma encomenda grande. Eu e o Lauro trabalhamos durante a manhã e ficamos cansados porque vamos dormir tarde. Mas, talvez, se nós nos dedicássemos 100% a isso, com certeza teríamos mais rendimentos. Pois é, é uma boa pergunta, porque nem eu mesma pensei nisso.

Acha um desafio iniciar um negócio mesmo não sendo jovem?

Eu nem pensei nisso! Não pensei que idade fosse um limitante. Sei que para muitas empresas é, mas para a criação do meu negócio isso não foi impeditivo. Acho que foi por isso que criei: não me importei com o que poderiam pensar ou com o desgaste. Só criei. E por isso que tem dado tão certo.

Qual o diferencial de vocês?

Carinho e qualidade. Sem dúvidas. Nós somos uma empresa familiar e isso faz muita diferença porque há proximidade, há amor, há cuidado nos detalhes. Muitas empresas podem até cobrar menos, mas produzem em larga escala e não têm tanto cuidado. A qualidade também é um ponto forte: todos os nossos produtos são de excelente qualidade. Ficamos atentos a isso, porque julgamos que um produto de qualidade faz toda a diferença.

Que conselho você daria a quem quer começar um negócio para complementar sua renda?

Tenha cuidado com o tipo de trabalho para que você não se sobrecarregue. Mas também eu digo para não se esquivar de realizar um sonho. Eu penso assim: tenta. O máximo que pode acontecer é dar errado no início, mas é importante você fazer as coisas que tem vontade e arriscar no empreendedorismo. Tem sido um desafio e uma tarefa muito legal ao mesmo tempo – todos os dias. Mas acordo e sei que estou seguindo algo que gosto. Tem algo melhor do que isso?

Lida 788 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.