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DIU é utilizado por apenas 1,9% das mulheres

Método contraceptivo é aplicado pelo SUS como forma de planejamento familiar

Formas de contracepção

Formas de contracepção (Foto: Bigstock)

Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou uma medida que pretende estimular o planejamento familiar e reprodutivo. Os hospitais passaram a aplicar o Dispositivo Intra-Uterino (DIU) de cobre de forma gratuita pelo SUS após o parto, evitando 55% das gravidezes não planejadas no país. Os investimentos devem chegar a mais de R$12 milhões e 13 mil unidades já foram distribuídas no Rio Grande do Sul entre 2015 e 2016. No entanto, a aceitação do método contraceptivo ainda é baixa: somente 1,9% das mulheres são adeptas a ele, apesar da sua grande eficácia (99%).

O Ministério da Saúde pretende atingir 10% de mulheres com essa iniciativa até 2020. Para o ministro da saúde, Ricardo Barros, este pode ser um momento importante para realizar o planejamento reprodutivo na saúde pública: “A inserção do DIU no pós-parto imediato, tanto do parto normal quanto na cesariana, é muito utilizada em outros países. Este é um momento oportuno, no qual a mulher está mais motivada para contracepção, sendo mais conveniente”, conclui.

Na verdade, o DIU já era distribuído pelo SUS há algum tempo, assim como outros sete métodos contraceptivos, mas há baixa divulgação. Otimista, a ginecologista Jaqueline Rebhan acredita que a distribuição e aplicação do dispositivo é muito benéfica para a sociedade como um todo: “É muito importante que isso seja distribuído pelo governo, porque concede às mulheres a liberdade de terem, ou não, mais filhos. Isso contribui para o planejamento familiar, especialmente por causa de sua duração de 10 anos. Fora que é mais acessível também para famílias de baixa renda”, pontua.

Atualmente, o governo está oferecendo mais suporte para que essa providência seja tomada, com o objetivo reverter o grande número de gestações indesejadas, além de instruir as mulheres para realizarem a aplicação do método. O Ministério da Saúde fornece, hoje, um “Guia de Acesso e Informação” para incentivar a aplicação. Disponível aqui.

O que é o DIU?

É um dos métodos anticoncepcionais mais utilizados no mundo, mas ainda não é o favorito das mulheres brasileiras. Ele é uma peça em formato de “T” que é inserida dentro do útero por um ginecologista, podendo ser feito tanto em consultório quanto em ambiente hospitalar. Segundo dados da Universidade de Princeton (EUA), seu índice de falha é muito baixo: varia de 0,2 a 0,8%.

Quais são os tipos de DIU?

Há dois tipos de DIU: de cobre e hormonal. No primeiro caso, ele é feito de plástico com fios de cobre, não contém hormônio, é mais barato (cerca de R$120,00 sem a aplicação) e não interrompe a ovulação. O que acontece é que ele impede o encontro dos espermatozoides com o óvulo, “matando-os” ou diminuindo a movimentação no útero e, assim, impedindo a fecundação. Já o DIU hormonal, chamado de Mirena, altera o muco cervical e a cavidade uterina, podendo inibir também a ovulação.

DIU hormonal | DIU de cobre

DIU hormonal | DIU de cobre (Foto: Shutterstock)

Quais os prós e contras do método?

A ginecologista é muito otimista frente ao método anticoncepcional. Isso porque ele apresenta longa duração: cinco anos para o hormonal e dez para o de cobre. Além disso, não interfere nas relações sexuais ou reduz a libido, é imediatamente reversível e, dada sua retirada, a mulher pode tentar engravidar. “Assim como uma mulher que nunca utilizou nenhum método”, reitera Jaqueline. O DIU hormonal diminui o fluxo menstrual e provoca menos cólicas, e também reduz os sintomas de endometriose. Além disso, o DIU de cobre não apresenta efeitos colaterais devido aos hormônios, como a pílula, por exemplo. Também, a ausência de estrogênio em sua composição está ligada diretamente a um menor risco de trombose.

A ginecologista diz que há algumas contraindicações e possíveis efeitos colaterais da utilização do DIU. Pode haver a perfuração da parede do útero (quando o procedimento não é bem feito, o que é raro), mulheres que têm DSTs podem ter maior manifestação da doença e o dispositivo pode deslocar-se ou até mesmo sair do útero sem que a mulher perceba.

Qual a diferença entre a pílula?

Atualmente, o SUS distribui oito métodos contraceptivos de forma gratuita: preservativo, pílula, minipílula, injetável, diafragma e dispositivo intra-uterino. Além destes, também é possível adquirir os adesivos, anéis vaginais, ligamento e vasectomia.

Um estudo publicado no New England Journal of Medicine revela que os DIUs têm eficácia 20 vezes maior do que pílulas ou adesivos na prevenção de gravidez. Além disso, também conta com poucos efeitos colaterais quando comparados a outros métodos.

Segundo Jaqueline, a pílula é ingerida a partir de via oral, por isso, ela tem efeito sanguíneo. Pode causar náuseas, vômitos, inchaços, interações medicamentosas, entre outras sensações. “Sem contar que as mulheres esquecem com frequência”, ressalta a ginecologista. Inclusive, levantamento encomendado pela farmacêutica Bayer mostra que 58% das mulheres descuidam do método de forma recorrente.

Por que ainda não há muita adesão?

Muitas mulheres ainda enfrentam o medo de que o dispositivo falhe, não evite a gravidez ou que a machuque na inserção. Porém, Jaqueline reforça: “A eficácia dele é ainda maior. Há riscos assim como todos os outros métodos anticoncepcionais. O problema é o desconhecimento e os mitos acerca do DIU”, constata. “Acredito que precisa de mais conhecimento, a mídia deve reforçar a sua importância, os médicos devem ‘bater na tecla’. Eu sou fã do método”, completa.

Bárbara Pires afirma que utiliza o DIU há dois anos e está satisfeita com o resultado. Ela conta que costumava esquecer a pílula com frequência e sofria com o “medo” de ter engravidado: “Um dia, minha menstruação atrasou e eu pensei que estava grávida porque eu esquecia muito. Ainda bem que isso não aconteceu, porque eu e meu namorado não estávamos prontos. Isso fez com que eu buscasse outro método que me adaptasse melhor. Hoje, utilizo o DIU hormonal e estou bem mais tranquila”, relata.

Já Ivana Oliveira conta que, embora tivesse recomendação da ginecologista, sentiu receio de colocar o DIU. “Eu tenho medo de ele se perder dentro do meu útero. Eu ainda me assusto com a ideia de ter ‘algo dentro de mim’ o tempo todo”, revela.

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