Política

Diretas Já: um passado que se faz presente

Após a consolidação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, os contrários ao processo organizam o movimento que já marcou época no cenário político brasileiro

Os anos da ditadura militar no Brasil foram marcados por repressão e censura, e os presidentes eram sempre escolhidos de forma indireta. Depois de sofrerem uma grande pressão popular, após os casos de tortura e repressão ganharem conhecimento público, os militares decidiram permitir que os civis também participassem das eleições. Dessa forma, Dante de Oliveira se elegeu deputado federal em 1983, e logo levou a diante a ideia do voto direto para as eleições presidenciais.
O movimento Diretas Já foi ganhando grandes apoiadores, tendo como principal base política partidos como PT, PMDB e PDT. Após muitos anos de luta, o povo conseguiu eleger o seu primeiro presidente via voto direto apenas em 1989.

Foto: Alfonso Abraham

Comício pelas Diretas Já em frente a Prefeitura de Porto Alegre, em 1984. Foto: Alfonso Abraham

As Diretas Já atingiram o seu objetivo, mas no cenário político atual, há quem discorde. Uma grande parcela da população contesta o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, alegando que mais uma vez o país sofreu um golpe de Estado. Por conta disso, o movimento das Diretas Já está ganhando força novamente.

Segundo o sociólogo e cientista político Cristiano Ruiz, o cenário é completamente diferente com o de 1983. “No mundo o fortalecimento do discurso é conservador e de recrudescimento da democracia. No Brasil, temos uma situação de um processo de impeachment contestado por grande parte da população, o que pode ser uma forte ameaça à democracia”, diz Cristiano. O que difere a luta de 2016 para a de 1983 é que, neste ano, as pessoas buscam um resgate da democracia que supostamente foi perdida com o impedimento da presidenta Dilma Rousseff, que foi eleita democraticamente. Em 1983, o povo foi as ruas para derrubar uma ditadura militar de quase 20 anos. As manifestações contra o governo do atual presidente Michel Temer seguem ocorrendo em todo o Brasil, mas Cristiano diz que a possibilidade de eleições diretas não é tão real quanto naquela época: “Segundo os ativistas, agora o seu foco é garantir a democracia”.

Foto: Héllyda Cavalcanti

Manifestação contra o governo de Michel Temer, em Recife. Foto: Héllyda Cavalcanti

Segundo o Tribunal de Justiça Eleitoral, há um pedido de análise da campanha da chapa que elegeu a presidenta Dilma Roussef com o vice Michel Temer em 2014, para averiguar relação com a esquemas de corrupção na Petrobrás. Dessa maneira, tanto Dilma quanto Temer teriam seus mandatos cassados, e o presidente da câmara dos deputados, Rodrigo Maia, assumiria a presidência interinamente e teria que convocar eleições gerais em até 90 dias.

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