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Diego Japas fala sobre a transição do jornalismo impresso para o digital no “Em Pauta ZH”

O editor-chefe digital do jornal argentino La Nación destaca a importância dos vídeos, do mobile e do saber contar histórias

Gabriela Gonçalves e Lucas Proença

Na noite chuvosa da última terça-feira (30), a 13ª edição do “Em Pauta ZH” trouxe o argentino Diego Japas, editor-chefe digital do jornal La Nación, até Porto Alegre para discutir jornalismo, suas mudanças constantes e, principalmente, sua transição do papel para o meio digital. Com a presença de um público repleto de jornalistas e futuros jornalistas, Marcelo Rech, vice-presidente editorial do Grupo RBS, foi o mediador do bate-papo latino. Ele destacou a influência que o La Nación exerce sobre os outros meios de comunicação da América do Sul, com sua história de quase 150 anos, e acrescentou que veio dos jornais argentinos – e de seus designers – a ampla predileção dos veículos gaúchos pelo formato tabloide, como é o caso de Zero Hora.

Com um discurso inicial de exaltação à história centenária do jornal La Nación, Japas também ressaltou o medo que a transição papel-digital causou nele e em muitos outros colegas de profissão: “A grande troca do jornal impresso para o digital amedrontou boa parte dos jornalistas que estavam há muito tempo acostumados com o mesmo tipo de trabalho, porque agora teríamos que entender como seria o público do online, como ele se comportaria e o que ele procuraria”. Hoje, para ele, é clara a grande tendência do digital: conectar as pessoas através da emoção. Entretanto, no início, houve desconfiança no momento de mudar de formato, publicando menos notícias: “Todos leem e consomem a todo o momento. Os conteúdos precisam ter amor, alegria, mais sensibilidade. Cases. A busca é por contar histórias, mas sem esquecer, é claro, da importância da audiência em um jornal”, destaca.

 

Diego Japas explica as transições do impresso para o digital do jornal La Nación (Foto: Gabriela Gonçalves)

Diego Japas explica as transições do impresso para o digital do jornal La Nación. Foto: Gabriela Gonçalves/Beta Redação

 

Além disso, a transição digital do La Nación busca conteúdos mais “agressivos” para o celular. A instantaneidade das informações publicadas trouxe o foco do mobile. “Não podemos mais guardar as notícias para o impresso. Os vídeos, por exemplo, têm conteúdo próprio, não são apenas mais um meio multimídia, um suporte para o texto, têm vida própria, então foram ainda mais valorizados com essa transição. As redes sociais ganham uma produção específica. Conteúdo viral e humorístico e infográficos também recebem mais destaque nessa recente plataforma”, reforçou o jornalista.

Outra forma de atualização adotada pelo jornal foi a criação de um canal de TV, com um estúdio montado em meio à redação. “Apesar da crise na TV da Argentina, muita gente ainda consome jornalismo, principalmente por canais a cabo”, contou. Japas também frisou que essa nova ideia foi um desafio para os jornalistas: “Foi difícil para os que não estavam acostumados a aparecer em uma tela assumir os programas”, revelou.

 

Convidados, jornalistas e futuros jornalistas conversam com Diego Japas (Foto: Lucas Proença)

Convidados, jornalistas e futuros jornalistas conversam com Diego Japas. Foto: Lucas Proença/Beta Redação

 

Com a crise política que estoura no Brasil a cada dia devido aos escândalos de corrupção do governo, o assunto não deixou de ser comentado pelo argentino. Ele destacou o quanto os leitores do país vizinho consomem notícias internacionais, e quanto o nosso país tem importância para eles no meio jornalístico: “Os temas internacionais são muito consumidos pelos leitores do digital do La Nación. Na semana passada, o presidente Michel Temer foi capa. As notícias internacionais já aparecem na segunda página do jornal”, arrematou.

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