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Desfile Moda Recicle é atração em Gravataí

A iniciativa apresentou coleções realizadas com tecidos a base de garrafas pets e pneus

13510547_1022585414524370_1593022308_nJá pensou em usar roupas confeccionadas com fios, tecidos e malhas feitas de garrafas pets retiradas do lixo? Ou quem sabe usar acessórios feitos de resíduos da indústria de pneus? Esses produtos foram algumas das estrelas do Desfile Moda Recicle que ocorreu no Sindilojas de Gravataí, promovido pela Câmara Municipal de Vereadores, no dia 10 de junho. A iniciativa integra o Prêmio de Compromisso Ambiental 2016, que ocorre no dia 23 de junho, às 19h30min, no plenário da Casa Legislativa.

 

desfile

A atriz Marlise Damin interpretou a personagem tema do evento, uma verdadeira mãe natureza. (Foto: Pepeu Hardt Produções)

 

A empresa Greener: Agência de Inovação Socioambiental, também situada em Gravataí, foi uma das parceiras do evento, em virtude do seu trabalho que visa ao equilíbrio ambiental, social e econômico. Os projetos da Greener têm como objetivos a redução de resíduos enviados aos aterros, o impacto motivacional para colaboradores e fornecedores, o fomento da Economia Solidária, a geração de renda e o consequente aumento do faturamento. Ela é responsável pela criação, planejamento e execução de projetos inovadores que realizam transformações socioambientais que tenham como objetivo a melhoria na qualidade de vida das pessoas, a preservação do planeta e o desenvolvimento consciente das organizações. De acordo com Conrado Rosa, diretor da Greener, o papel da empresa no desfile foi aproximar empresas que desenvolvam trabalhos sustentáveis. “Reunimos marcas que promovem fabricação de vestuário sem necessidade de nova extração de recursos naturais, utilizando apenas materiais remanescentes de outras produções”, destaca.

Entre as coleções que desfilaram, estava a Cooperativa Justa Trama, que realiza a confecção de peças a partir do plantio de algodão agroecológico. Na empresa, que conta com cerca de 700 trabalhadores de cinco estados do Brasil, são homens e mulheres, agricultores, coletores de sementes, fiadoras, tecedoras e costureiras que trabalham em cadeia produtiva a partir da economia solidária. O Instituto Villaget, uma Organização Não Governamental, trabalha em parceria com a Justa Trama na produção e comercialização de roupas e calçados de material orgânico.

 

As funcionárias da Rede Coleta solidária também participaram do desfile. (Foto: Pepeu Hardt Produções)

 

A marca Carina Brendler, que leva o nome da jovem estilista, participou da harmonização das coleções que desfilaram, e também apresentou confecções próprias. A preocupação em diminuir a demanda de materiais para a confecção de peças foi um dos motivos que levaram Carina a utilizar materiais reaproveitados em suas coleções. As peças são exclusivas, feitas de reaproveitamento têxtil de indústrias, de tecidos ecológicos e da customização ou reconstrução de peças de brechó. A estilista especializou-se em alta costura e frequentou cursos de corsetry e bordado em Londres. Também desenvolve, junto com a Ong Fundação Paulo Freire, um projeto que ensina mulheres carentes a costurar, para que, capacitadas, tenham mais oportunidades de trabalho. Em vídeo, Carina Brendler contou mais sobre o seu trabalho a Beta Redação.

 

 

Para finalizar as coleções do tapete vermelho, a loja de roupas femininas José Rosa, que leva o nome de seu proprietário – também presidente do Sindilojas -, preparou uma surpresa: um vestido de noiva no qual a saia era feita com balões brancos, peça que chamou atenção de todos os presentes.

 

O vestido de balões encantou o público. (Foto: Pepeu Hardt Produções)

O vestido de balões encantou o público. (Foto: Pepeu Hardt Produções)

A confecção de roupas feitas com resíduos recicláveis torna-se realidade graças ao trabalho de empresas como a Maxitex, que transforma a fibra das garrafas após o processo de reciclagem. Parte desse processo ocorre na cidade de São Paulo, onde as pets são separadas, lavadas, esterilizadas, picotadas e transformadas em fibra; após, é realizado o processo chamado de extrusão. Extrudar é forçar a passagem de um material através de um orifício. Neste caso, o politereftalato de etileno passa por uma prensa hidráulica, ou extrusora, que irá forçar a passagem do material pela matriz e controlar o curso e a velocidade de extrusão, transformando em fibras. Estas são enviadas para a Maxitex, em Sapucaia do Sul, onde são produzidos os fios e demais produtos para confecção de peças para vestuário.

Já o aproveitamento de resíduos da indústria de pneus é possível com o trabalho do Grupo Canoa, composto por artesãs, que une o desenvolvimento sustentável para melhorar a qualidade de vida da comunidade. O nome foi escolhido em homenagem a cidade natal das trabalhadoras, Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. Conrado Rosa, diretor da Greener, falou em vídeo a Beta Redação sobre o desfile e o trabalho das empresas envolvidas.

 

 

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