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Desastres aéreos: a dor de quem perdeu alguém

Pessoas que tiveram familiares e amigos entre as vítimas relatam o sofrimento e a vida depois da tragédia

A tragédia com o avião que transportava a equipe da Chapecoense para a Colômbia matou 71 pessoas, conforme as autoridades do país. Depois desse acontecimento, por todos os lados se ouve relatos de amigos que conheciam vítimas do acidente aéreo. Informações comoventes de pessoas que perderam, tão repentinamente, um ente querido e que precisam lidar com a dor da perda. Junto com essa dor, vem à tona a memória de outros acidentes que marcaram os brasileiros.

A tragédia de terça-feira (29/11) levou uma parte do círculo de amigos do jornalista Gustavo Rech, que trabalhou por oito anos como assessor de imprensa dos clubes Juventude e Caxias. Na equipe grená, o assessor conviveu com o preparador físico Anderson Paixão e com o atacante Everton Kempes. No Juventude, Rech conheceu o técnico Caio Júnior e o segurança Adriano Bitencourt. Todos faleceram no desastre aéreo na Colômbia. “Foi um dia muito doloroso, muito difícil pra mim. Só quem trabalha com futebol sabe o que é ter que deixar a família em casa e viajar duas vezes por semana com o time. A gente se coloca no lugar da equipe”, lamenta. Depois que saiu do Caxias, Gustavo morava num bairro perto do estádio, onde Adriano seguiu trabalhando por mais um tempo, e essa proximidade manteve os laços de amizade entre os dois. “Mesmo depois que me desliguei do clube, a gente se encontrava pelo bairro depois do trabalho e botava o papo em dia. Adriano era um cara muito trabalhador. É  muito triste ver uma equipe dedicada e que estava em busca de um grande título como a Chapecoense perder seus sonhos assim, dessa forma tão abrupta”, salienta.

Em julho de 2007, o voo 3054 da TAM derrapou na pista do aeroporto de Congonhas e atingiu um prédio de propriedade da empresa aérea. Dentre os 199 mortos estava Roberto Weiss Júnior, executivo da Volvo, casado e pai de duas filhas. “Eu tinha 35 anos quando o Beto morreu. A maioria das minhas amigas estavam casando, tendo seus primeiros filhos, e eu estava ficando viúva com uma filha de 14 e outra de nove anos. Eu só pensava: e agora, como é que vai ser?”, relembra Rosana Weiss, viúva de Roberto.

 

Roberto, vítima do acidente da TAM, em 2007, em foto com a esposa Rosana e as filhas. Foto: Arquivo pessoal

 

“Parece que teu mundo cai, que um buraco se abre diante de ti, e a tua vontade é se enfiar lá dentro e não mais sair. Eu dormi como a Cinderela e acordei como uma bruxa malvada”, destaca. Cansada da exposição do caso, do sensacionalismo da mídia, e depois de sofrer ameaças de sequestro, Rosana e as filhas embarcaram para a Espanha para esperar a “poeira baixar”. Por lá, elas criaram raízes e não voltaram mais para o Brasil. Nove anos depois do acidente, a notícia da queda do avião da Chapecoense trouxe à tona a dor da perda. “A gente acaba relembrando tudo, mas também sentindo uma vontade enorme de dizer para os familiares deste acidente que as coisas vão melhorar, e que o tempo vai curar essas feridas e deixar tudo melhor. É uma ferida que nunca vai cicatrizar, mas a dor vai diminuindo”, aconselha.

 

Após o acidente da TAM, que vitimou Roberto, Rosana e as filhas foram morar na Espanha. Foto: Arquivo pessoal

 

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