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Dedicação que faz a diferença

A Beta Redação conta duas histórias de pessoas especialistas em ajudar os outros

As tarefas domésticas já estavam encaminhadas, roupas na máquina, louça limpa e casa varrida. Mas Izabel Sartor Gemeli, dona de casa, estava sentindo uma dor no peito e resolveu ir até a Unidade Básica de Saúde (UBS) Ezequiel, próxima à sua residência, em Esteio. Ao chegar lá, a situação não era favorável. O enfermeiro de plantão verificou que sua pressão estava alta e, mesmo com os medicamentos, não baixava. A orientação dos médicos foi fazer um eletrocardiograma. No entanto, o equipamento do posto estava estragado. Assim, foi solicitada uma ambulância para que o exame fosse realizado no hospital da cidade.

O veículo chegou e a levaria até o local adequado. No entanto, durante o trajeto, dona Izabel sofreu um ataque cardíaco e foi socorrida pelo enfermeiro Clovis dos Santos Andreotti. “A ambulância parou, não me lembro o que aconteceu, só sei que estava sentada, com cinto de segurança, mas, de repente, fui parar no chão. Depois disso, não me lembro de mais nada”, conta Izabel. O enfermeiro realizou massagens cardíacas até a chegada no hospital, onde ela ficou internada na UTI por 19 dias.

A rotina de Andreotti é de atendimentos e realização de consultas no próprio posto de saúde. Ele trabalha como enfermeiro há 24 anos, estando há 16 na cidade. Contudo, apesar de ter bastante experiência, ele passou por situações similares a essa apenas seis vezes em toda a vida profissional. “Apesar de não acontecer muito, fui treinado para isso. Antigamente, se faziam massagens cardíacas e oxigenação, mas hoje só é realizada a massagem”, afirma. Ele afirma que foi fazendo os procedimentos até a chegada no hospital e que sua presença foi fundamental no salvamento da dona de casa.

Na massagem cardíaca são realizadas pressões no peito do paciente para o sangue circular e assim oxigenar o cérebro. O enfermeiro explica que quando se fica três minutos sem a oxigenação o paciente morre.

Bem-humorada, Izabel conta que Andreotti é o seu anjo da guarda e que, cada vez que o encontra, chama-o assim. “Ele é muito querido, aquele dia foi muito especial, ele salvou a minha vida.”

Izabel nunca havia enfrentado esse susto antes. “Eu estava passando por um momento estressante em minha vida e, no dia, minha família ficou preocupada, pois eu ia ali no postinho só para fazer uma revisão e, quando vi, fui parar no hospital, cheia de canos”, recorda. Ao todo, ela permaneceu 51 dias no Hospital São Camilo, em Esteio. “O cardiologista me disse que se eu não tivesse passado pelos procedimentos do enfermeiro, não teria sobrevivido”, finaliza.

Imagem: Cristina Isabel Becker/Arquivo pessoal

Imagem: Cristina Isabel Becker/Arquivo pessoal

Tragédias que mobilizam pessoas

Cristina Isabel Becker foi voluntária em São Francisco de Paula, cidade atingida por um vendaval que devastou casas e deixou cerca de 1,6 mil moradores desabrigados. Naquele domingo, 12 de março, um amigo passou em sua casa e, com seu marido, eles foram até o ginásio da cidade. Lá, conversaram com o prefeito, Marcos Aguzzolli, o vice, Tiago Teixeira, e o secretário de Turismo, Ilton Luiz Bianchi Gomes, para que fosse montada uma equipe de voluntários.

“Primeiramente, fui a um mercadinho na cidade comprar carne, arroz e ovos para começar a fazer algo para comer. Havia voluntários na cozinha improvisada montada no ginásio onde eram servidas as refeições”, lembra ela. “Então, passamos o domingo todo ali, descarregando doações e carregando camionetas com água e lonas para a Defesa Civil distribuir aos bairros afetados. As lonas foram previamente cortadas pelos voluntários”, reforça Cristina.

A empresária já havia ajudado em São Francisco de Paula anteriormente, mas a tempestade que atingiu a cidade na primeira quinzena de março foi muito mais intensa e devastou diversos bairros. “Ficamos muito chocados com a destruição, especialmente com os relatos das pessoas e da Defesa Civil sobre o ocorrido. Pessoas chegaram lá buscando um alento, pois só ficaram com a roupa do corpo. Acho muito importante ajudar e, como sociedade, temos a obrigação de dividir um pouco do que temos para auxiliar os necessitados”, opina.

Confira, aqui, um vídeo da voluntária Cristina solicitando ajuda para as vítimas da intempérie em São Francisco de Paula.

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