Cultura

“Dança do tempo” estreia no Porto Alegre em Cena 2016

O espetáculo ocorrerá nos dias 17 e 18 de setembro na Casa de Cultura Mario Quintana

Com participação do público,  o espetáculo Dança do Tempo tem a rua como palco. Encenado pelos atores da Usina do Trabalho do Ator (UTA), a apresentação participará do evento Porto Alegre em Cena 2016, nos dias 17 e 18 de setembro, na Travessa dos Cataventos da Casa de Cultura Mário Quintana. Com 24 anos de existência, a UTA desenvolve trabalhos durante a apresentação dentro de dois eixos principais: a pedagogia teatral e a criação de espetáculos. O público tem a oportunidade de experimentar a preparação da performance teatral e os atores são convocados a compartilhar o aprendizado e o ensinamento. E assim, a interação faz parte da história da peça. Além das dinâmicas teatrais estão presentes, por meio da dança, a referência da matriz africana. A peça teatral também está concorrendo ao Prêmio Braskem 2016.

Confira a entrevista com a atriz Dedy Ricardo, integrante do espetáculo Dança do Tempo:

Beta Redação: Como o espetáculo foi criado?

Dedy Ricardo: Nosso interesse na criação do Dança do Tempo era trabalhar com as manifestações populares afro-brasileiras. Foram muitas pesquisas até que chegamos ao formato atual. Os atores têm muito espaço para contribuir com dicas e manifestações dentro do espetáculo, mas temos algumas canções, trabalhamos com as lendas africanas e a história de alguns orixás. Pode citar um exemplo: o orixá tempo, personagem protagonista, nós juntamos todas as histórias relacionadas a esse guia e improvisamos na hora da apresentação. Além, dos elementos africanos nós também trabalhos com os santos católicos, já que a nossa cultura é híbrida. Utilizamos dessa gama vasta de referências para aperfeiçoar a nossa apresentação.

Beta Redação: Qual a importância da participação do público?

Dedy Ricardo: A participação do público vai além, eles ocupam lugares marcados dentro da peça. É quase um protagonismo. É uma necessidade que o grupo tem com a participação das pessoas. É fundamental a participação dos convidados, pois há funções a serem cumpridas, sem isso o espetáculo não ocorre. Ou seja, a participação do público é fundamental. Até o público em volta, que não participa dos ensaios ou observa de longe, participa conosco, pois todo o espetáculo tem o canto responsorial, em que o grupo canta uma parte e o público responde. Como exemplo, podemos citar a capoeira. Nossos passos de dança também são bem aceitos e agitam o público em volta.

Beta Redação: Como ocorre a interação entre os atores e o público durante a apresentação?

Dedy Ricardo: Nós temos uma parte do público, mais especificamente 14 pessoas, que são convidadas a fazer o espetáculo. Essa interação ocorre por meio de inscrições feitas pela página do espetáculo. Os convidados ensaiam conosco, no próprio local da apresentação, diante da plateia e depois colocamos os figurinos e começamos a Dança do Tempo. Quando esse número de inscrições não fecha precisamos convidar a própria plateia ou pessoas que esteja por perto para contracenar.

Beta Redação: Qual a expectativa para o POA em Cena 2016?

Dedy Ricardo: O nosso trabalho está participando de um dos maiores festivais de teatro do Brasil. Isso já é muito grande. Dentro desse festival nós sabemos que além da cidade, pessoas de fora estão nos olhando, de outros festivais. Esperamos que nos assistam, que gostem do nosso espetáculo e que nos levem por aí, Brasil e mundo a fora. Queremos que as pessoas participem de corpo, alma e voz esse pedaço da cultura afro-brasileira.

Beta Redação: Qual a importância de concorrer ao Prêmio Braskem?

Dedy Ricardo: Além do prestígio, tem o prêmio em dinheiro, porque recurso financeiro é sempre bem vindo! Nós trabalhamos sempre com a corda no pescoço e esse recurso pode nos ajudar a aprimorar o trabalho e propiciar temporadas autônomas. Isso não é o mais importante, mas nós somos artistas de rua, levamos nosso trabalho para fora do edifício teatral. Eu acredito que investir nesse trabalho, que leva cultura para as comunidades, é importante e, para isso, precisamos de dinheiro.

 

"Dança do tempo" mistura artes cenicas, danças e cultura africana. Foto: Fábio Zambom/UTA

“Dança do tempo” mistura artes cênicas, danças e cultura africana. Foto: Fábio Zambom/UTA

Serviço
O espetáculo Dança do Tempo, que integrará o 23º Festival Porto Alegre em Cena, ocorrerá nos dias 17 e 18 de setembro de 2016, sábado e domingo, às 16 horas. O grupo irá esperar o público na Travessa dos Cataventos, Casa de Cultura Mário Quintana, que fica na Rua dos Andradas, 736, no  Centro Histórico de Porto Alegre. Mais informções do eventto no site oficial: Porto Alegre em Cena. E não esqueça: a entrada é franca!

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