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Alunos estrangeiros explicam opção pelo Brasil

Mexicano e argentina relatam primeiras experiências no Rio Grande do Sul durante intercâmbio na Unisinos

Estudante de Relações Internacionais, o mexicano José Carlos Camarena, 21 anos, não ficou em cima do muro no momento de escolher o país de seu intercâmbio. Viu no Brasil, além do possível aprendizado da língua portuguesa, a janela aberta para sentir de perto o turbilhão de sentimentos despertados pela política.

José integra um grupo de 21 alunos intercambistas que frequentam os corredores do campus da Unisinos em São Leopoldo no segundo semestre deste ano. São filhos de sete países da América Latina e da Europa que estudarão, no máximo, um ano na universidade.

 

 

“O número de estrangeiros costuma aumentar no segundo semestre de cada ano. Isso ocorre porque a organização do calendário das outras universidades é diferente”, explica a analista Andressa Gazzana Reis, da Unidade de Negócios e Relações Internacionais (UNRI) da Unisinos.

Andressa também sublinha que o grupo de 21 alunos não contempla estrangeiros que realizam toda a graduação na universidade, como é o caso dos atuais 68 angolanos que receberam bolsas de estudos de uma empresa de seu país para vir a São Leopoldo.

 

 

José desembarcou em Porto Alegre no início de agosto. Menos de um mês depois, deparou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff, confirmado no último dia 31.

“Gosto muito de política. O Brasil tem problemas similares aos do México, e a corrupção é um deles. As duas democracias são um pouco frágeis”, compara.

Conforme Andressa, aos intercambistas como José, o UNRI esclarece dúvidas de matrícula e indica possíveis locais de residência próximos ao campus, além de prestar auxílio em questões burocráticas.

O mexicano, por sua vez, optou por buscar uma acomodação por conta própria. Está vivendo em Porto Alegre com outras três estudantes de seu país. Diz gostar da capital gaúcha e elogia o transporte público, apesar de “ser caro”.

“É uma cidade distinta. Nós, estrangeiros, quando escutamos algo sobre o Brasil, já pensamos no Rio de Janeiro, no Corcovado, no Cristo Redentor”, menciona.

 

José conheceu a Redenção, em Porto Alegre (Reprodução/Arquivo Pessoal)

José no Parque da Redenção, em Porto Alegre. Foto: Arquivo pessoal

 

Ao falar sobre os problemas de Porto Alegre, José destaca ter ouvido incontáveis relatos sobre o aumento da violência. E acrescenta que vivenciou um caso que exemplifica o cenário de insegurança na Capital.

“Quando estava voltando para casa, à noite, dois homens tentaram me assaltar. Consegui fugir. Mas isso não me surpreende muito, porque a situação no México é similar”, lembra.

Assim como José, a argentina Agostina Maschio, 23 anos, que também está estudando na Unisinos, relata ter gostado de Porto Alegre. No entanto, preferiu viver em São Leopoldo, perto da universidade, em uma pousada para universitários.

Aluna de Arquitetura, Agostina salienta que, apesar das diferenças em relação à sua cidade natal, Mar del Plata, consegue preservar alguns de seus hábitos. E, é claro, incorpora outros à rotina no Vale do Sinos.

“Conhecia o Brasil mais ao norte, onde as pessoas são mais alegres e ativas. Aqui são mais tranquilas, e a cultura é mais parecida com a nossa, o que já esperava”, avalia.

 

 Agostina permanecerá em São Leopoldo até o fim deste ano

Natural de Mar del Plata, Agostina permanecerá em São Leopoldo até o fim deste ano. Foto: Arquivo pessoal

 

A exemplo do que fazia em Mar del Plata, a estudante caminha pelas manhãs — embora São Leopoldo não tenha uma costa que possa ser admirada durante os exercícios — e não abre mão do mate com erva argentina. Apesar do apreço pela bebida de seu país, não refuta o chimarrão. E brinca ao afirmar que domina o portunhol. Conforme Agostina, essas vivências formam a “experiência cultural” oferecida pelo intercâmbio.

“Meu voo de volta será em 23 de dezembro, para passar as festas de fim de ano com minha família. Ficaria aqui mais tempo, porque estou me enamorando pelo Brasil”, aponta.

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