Esporte

CRÔNICA: Dia de jogo no interior

Harmonia, domingo, 3 de abril. Hoje dormi até mais tarde, apesar da bandinha que a vizinha ouvia no último volume.

Almocei e me preparei para trabalhar. É dia de cobrir o Campeonato Intermunicipal de Futebol do Vale do Caí. Pego minha Canon, verifico a bateria e saio de casa rumo ao Campo do Harmonia.

A disputa é entre Quinta Neles, de Harmonia, e Julinho, de Tupandi.

A tarde está quente, sol forte e, acima do campo, muitos torcedores do time harmoniense. Nota: o nome Quinta Neles tem origem de muitas noites de quinta-feira regadas a futebol, cerveja e conversas até a madrugada.

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Intermunicipal no Campo do Harmonia. (Foto: Anne Caroline Kunzler)

Entram os times em campo: enquanto um aquece, o outro assina a súmula. Aproveito para fazer a foto oficial do Julinho, jogadores em pé na fileira de trás e agachados na frente (pose clássica – e muito brega).

Repito a foto com o Quinta Neles e faço um registro também do árbitro e bandeirinhas com os capitães de cada equipe. “Pra onde vai essa foto?”, pergunta o bandeirinha. “Para o site da prefeitura”, digo eu. “Ah, tá. Vai saber, né”, responde.

E começa o jogo no campo do Harmonia. Bola rolando, várias finalizações do Quinta e, de repente, pá. Cotovelada no jogador Douglas, atacante do time da casa, que sai do campo com um sangramento no lábio. Após alguns minutos, ele retorna ao jogo.

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Jogo paralisado. (Foto: Anne Caroline Kunzler)

Segue o jogo e… nova paralisação. O jogador número 11 do Julinho reclama que levou uma pancada: “Professor, pergunta pro bandeirinha, ele viu”. Na saída para se recuperar, ele questiona o bandeirinha: “Tu viu, né? Tu viu o lance!”. “Olha, amigo, eu não vi nada. Não me mete em confusão”, responde o bandeirinha.

Enquanto isso a torcida grita para o mesmo jogador parar de chorar. “Não encosta nele, tá sensível”, exclama um torcedor.

O treinador do Quinta cobra, xinga, dá dicas para os jogadores: “Capricha mais, Douglas”. O sol atrapalha a visão, fazendo de bobos alguns jogadores. As bolas não dão descanso para os gandulas, que descem e sobem o morro do campo do Harmonia toda vez que algum jogador chuta para fora. Enquanto isso, a torcida do Quinta grita para tirar o craque do time adversário.

Durante todo o primeiro tempo, o Quinta Neles foi bem ofensivo, avançando e tomando posição no jogo. O Julinho, por sua vez, foi um tanto agressivo, fazendo diversas faltas.

Em um jogo muito concentrado no meio de campo e pouco explorado pelas laterais, termina a partida da categoria aspirantes: Quinta Neles 3 x 0 Julinho. Dois gols de Wagner Pinto e um de Adão da Motta.

 

Antes do início do segundo jogo da tarde, da categoria titulares, chega um torcedor do Quinta (amigo próximo dos jogadores e, vale ressaltar, bastante bêbado) pelo lado de fora da grade e fica por ali, junto ao bando de reservas, falando abobrinhas pelos próximos 45 minutos. “Esse time é muito ruim”, “tu tá tirando foto deles?”, “moça, não querendo incomodar, mas tu trabalha na prefeitura?”, e por aí vai.

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(Foto: Anne Caroline Kunzler)

Parece ser só mais um domingo ensolarado, dia de curtir com a família.

Para mim é um dia de trabalho, de tirar muitas fotos, já pensando no texto que farei na segunda-feira, de dar risada das figuras que sempre aparecem por aqui. E lá se vai mais um final de semana, mais um jogo de várzea. No interior, a vida é assim, o simples nunca é chato.

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