Cultura

CRÍTICA: Salve os humanos, mate os animais?

Okja não é sobre amor, é sobre consciência

Os movimentos frenéticos e a fala rápida e bem-humorada, ao som de uma bateria, revelam a CEO Lucy Mirando, da Mirando Corporação, em uma apresentação que irá mudar a vida de seus funcionários e o rumo da empresa. Na apresentação, o filme Okja traz uma crítica discreta aos profissionais completamente assessorados por publicitários que fazem todo o trabalho “pesado” para que seus chefes sejam bem vistos em seus discursos, como acontece com Lucy, vivida pela atriz Tilda Swinton.

Mirando propõe à sua empresa a esperança de acabar com a fome do mundo: os porcos gigantes. Através de experimentos e modificação genética, esses animais seriam criados por fazendeiros “especiais” em 26 lugares do mundo para que atingissem o estado ideal para reprodução da nova espécie, com o prazo de 10 anos. Passado esse tempo, a empresa criaria o concurso de melhor porco gigante. Além de matar a fome, eles cumpririam outro grande papel: limpar a imagem de empresa poluente de Mirando, criada pela explosão de um lago em função da quantidade de lixo tóxico depositado nele.

A trama conta com uma animação e efeitos especiais para apresentar Okja, o bicho, vivendo com seus criadores em meio à natureza coreana. A relação muito usada no cinema para ganhar o coração dos espectadores, neste caso, apresenta a porca gigante como um animal fofo e divertido ao lado de sua doce criadora, Mihka.

A primeira reviravolta se dá quando o canal de televisão de Mirando chega para apresentar Okja e levá-la para Nova Iorque. Enganada por seu avô, o tutor da porca, Mihka vai em busca de sua companheira, trazendo o drama ao filme. O grande conflito se dá quando um grupo clandestino de protetores de animais rouba Okja da equipe de Mirando. Somente quando o grupo captura a porca e Mihka finalmente a encontra é que o filme mostra a que veio: trata-se de uma crítica brutal ao sacrifício dos animais.

Por fim, o longa contrapõe o sacrifício bárbaro de animais e o consumo exacerbado de carne ao amor entre Mikha e a Okja e a organizações clandestinas de proteção aos animais. Com cenas que revelam as atrocidades cometidas com os animais e o sistema doentio de consumo de carne, faz o espectador pensar sobre a indústria alimentícia, as condições de vida e morte dos animais. As cenas são baseadas na realidade dos frigoríficos, mostrando os animais em condições de extrema agressão e sujeira.

Okja é – ou pelo menos deveria ser – um soco no estômago, principalmente se ele estiver cheio de animais.

 

Confira o trailer do filme original da Netflix:

 

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