Cultura

CRÍTICA: “O Pequeno Príncipe” ainda ensina como perseverar

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Imagem: Reprodução

Adaptações de clássicos da literatura sempre geram expectativas. Geram também receio dos amantes dos livros, pois a máxima de que as versões em papel superam as que chegam às telas normalmente é verdadeira. Uma das surpresas, no entanto, é a animação francesa O Pequeno Príncipe (The Little Prince), do diretor Mark Osborne, lançada em agosto.

A jornada original de O Pequeno Príncipe nos é apresentada desde muito cedo. Conhecemos as personagens emblemáticas – alegorias criadas em 1943 por Antoine de Saint-Exupéry que perpetuam até os dias atuais -, capazes de retratar a realidade de um mundo com muitos valores e comportamentos subentendidos. O vaidoso disposto a tudo para receber elogios, o astrônomo que não é levado a sério por ter aparência distinta dos demais, o rei que acredita ser soberano e só sabe ordenar e os demais “donos” dos planetas contribuem para dar ainda mais riqueza de detalhes e interpretações ao enredo.

Osborne deu uma nova visão à obra ao colocá-la em segundo plano nos pouco mais de 100 minutos de filme. Tendo como base a relação entre uma criança e seu vizinho, um aviador já idoso que sonha em consertar seu avião e voltar a pilotá-lo, o Pequeno Príncipe percorre os planetas em uma narrativa, até então, paralela. A inteligência está no fato de o estilo de animação mudar completamente conforme as histórias se cruzam. Os dilemas que uma mãe e uma filha enfrentam trazem a narrativa de volta à atualidade. A falta de tempo, o difícil caminho para obter destaque e os conflitos entre pontos de vista garantem uma trama usual, mas que vai ao encontro do que o principezinho passa em sua incansável luta para proteger a rosa.

Ao fim, a animação, gênero normalmente ligado ao público infantil, é bem mais densa que o esperado. Ela faz com que os mais velhos rememorem suas rotinas e suas decisões e que, ao mesmo tempo, lidem com isso com a leveza necessária. Sorrisos dão espaço a lágrimas que, por sua vez, são estancadas com gargalhadas. A montanha-russa se repete e lembra o ritmo com que as coisas tendem a mudar. Em meio a costumes que se renovam a cada dia, há espaço, ao menos, para refletir e se reconectar à criança, muitas vezes sufocada, que existe dentro de cada um.

Confira o trailer:

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