Cultura

CRÍTICA: “O Círculo” tem problemas técnicos

Longa com Emma Watson e Tom Hanks tem roteiro e personagens mal explorados

A abertura do filme nos mostra a jovem Mae (Emma Watson) sendo entrevistada em formato ping-pong. Logo se deduz que essa entrevista é para o emprego no Círculo, empresa que tem como produto principal a SeeChange. Nesse ponto vimos o visual “high tech” do filme, utilizando de imagens de conversas saltando as telas dos computadores. É nesse ambiente que é apresentada a ideia central do filme e do Círculo. O produto chamado SeeChange, uma microcâmera que tem a função de fazer as pessoas publicarem a sua vida inteira.

Já no início do filme consegue-se notar que existe variação da predominância de cores, em alguns momentos tendo a predominância do vermelho e do marrom, em outros do azul, cinza e branco. A primeira parte do filme é um pouco lenta, bastante introdutória, com algumas cenas descartáveis. O ponto positivo do início é que ele é bem claro na sua abertura, deixando bem visível ao publico que o filme se trata sobre privacidade e uso da tecnologia, suas vantagens e seus limites.

Inicialmente, apesar de Mae achar o produto uma boa ideia, ela ainda não está completamente adaptada. Porém após dois incidentes, ela tem uma conversa com Eamon Bailey (Tom Hanks), proprietário d’O Círculo. Mae entende que tudo isso poderia ser evitado se estivesse sendo vigiada. Então é convencida que manter segredos é como mentir e que isso só piora as coisas, entrando de cabeça na ideia da empresa. Logo ela se torna porta voz do produto e segue mostrando seus benéficos.

Nessa parte do filme, os personagens com exceção de Mae, Eamon e Annie (Karen Gillian), amiga da protagonista, estão um pouco mal apresentados. O expectador pode ter a sensação de que muita história foi deixada em background e não foi explorada no filme. Entretanto, o que pode se considerar o fechamento do primeiro ato dá um norte mais esperançoso ao filme, dando a entender que a película vai engrenar, o que pode retomar a atenção de quem até ali está descontente no cinema.

No que aparenta ser o segundo ato, já nos deparamos com Mae toda focada na ideia de Eamon e da SeeChange. Ele começa mostrando a vida dela como usuária do produto, lembrando um pouco as blogueiras usando seu snapchat, só que neste caso 24 horas por dia. Logo ela se torna a grande sensação, tanto na “rede social” quanto na empresa, dando ideias de como melhorar o produto. Em alguns momentos do filme você se sente não como espectador, mas como usuário do SeeChange, observando o cotidiano Mae. Há alguns conflitos gerados após esse crescimento de Mae, o que movimenta o longa. Vemos Mae em algumas palestras, mostrando algumas melhorias do produto, se firmando como a porta voz da empresa e em meios consumidores mais fanáticos. Ali, Mae poderia ser considerada uma rockstar.

O “segundo ato”, é melhor construído, as cenas são melhores e a pessoa que está assistindo começa se conectar mais com o filme. Mae se torna a partir daí uma protagonista que gera mais empatia do público, fazendo com que o filme se torne mais agradável de se assistir. Essa proximidade da personagem, se deve muito a semelhança do Instagram e Snapchat com a SeeChange. O ritmo que acelera também contribui muito. A carga dramática e emocional ponderadas com algumas cenas de humor, equilibram o clima do filme. Enfim, o roteiro nessa parte está melhor escrito. Até as partes técnicas do filme melhoram consideravelmente no ato, conversando mais com quem o assiste. A luz e as cores compõem de forma mais ativa o filme, mesmo que antes já estivessem sido usadas de forma produtiva. De ponto negativo, alguns personagens continuam com desenvolvimento fraco e a trilha sonora poderia ser mais presente, principalmente nessa parte onde o filme ganha uma sobrevida.

No final do que considero como segundo ato, acontece algo impactante que te leva ao ato final de forma chocante. Terminado o ato em grande estilo, eleva-se a expectativa para o final do filme.

O que e supõe ser o terceiro ato, ou fechamento, é bastante frustrante. Além de ser pouco desenvolvido, um tanto quanto jogado, ele parece fazer surpresa apenas pela surpresa, não tendo muita força e nem justificativa para tal. Apesar de fazer sentido pela forma que Mae estava sendo construída, o desfecho pode frustrar o público que esperava outro final, ou pelo menos algo mais impactante ou melhor conduzido.

No final do filme, a sensação é de que poderia ter sido mais. Faltou explorar o potencial que a sinopse trazia consigo. Apesar de um segundo ato acima do esperado, o resto ficou devendo bastante. Mas mesmo assim, não foi tudo de se jogar fora. Assistir o filme não será uma experiência totalmente ruim, ainda mais se sua expectativas não estiverem muito altas.

As atuações não são tão exigidas, mas ultrapassam o suficiente, o que é algo bastante louvável em filme desse tipo, onde atores geralmente alcançam no máximo o suficiente. Os destaque ficam para as atuações dos personagens centrais, que são muito boas. A fotografia é interessante, as cores são bem usadas. Outros pontos positivos, são figurino e cenário, que dão um ar mais clean, que remete a uma empresa moderna, que faz total sentido com a ideia a qual o filme quer mostrar.

Nos pontos negativos, a trilha sonora não é muito presente no filme o que nas melhores partes faz falta. Tem um primeiro ato sonolento. Explica diversas coisas que não serão utilizadas mais para frente, e o fechamento é muito rápido e mal elaborado. Muitos personagens são subaproveitados, que deveriam ou serem melhores aproveitados ou retirados do filme. O roteiro, tem alguns problemas, principalmente em sua condução, vista a quantidade de cenas não conectadas de forma mais concisa, apresentando incoerências com o passar do filme.

Ficha Técnica

Elenco: Tom Hanks, Emma Watson, Karen Gillan, Bill Paxton, Patton Oswalt, Amir Talai, Afsheen Olyaie, entre outros
Roteiro: James Ponsoldt e Dave Eggers
Direção: James Ponsoldt
Censura: 12 anos
Gênero: Drama e Ficção-científica
Duração: 110 minutos

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