Esporte

Futebol europeu acolhe refugiados

Em reação à crise imigratória, clubes como Bayern de Munique e Real Madrid tomam iniciativas para integrar os recém-chegados

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Torcida do Borussia Dortmund exibe faixa de boas-vindas aos refugiados. / Foto: Gladys Chai von der Laage

Com a mais recente onda de imigrantes chegando às praias europeias, aumentaram as reações hostis contra os que desembarcam. Países como a Hungria têm intensificado o combate aos recém-chegados, gerando cenas tristes. Muitas delas, como as do menino sírio Aylan Kurdi, chocaram o mundo e chamaram ainda mais atenção para a crise.

Se boa parte da população vê com maus olhos o desembarque de imigrantes da África e do Oriente Médio que fogem da fome e da guerra, no meio esportivo as iniciativas parecem seguir o pensamento contrário. Na Alemanha, o Bayern de Munique, clube de futebol mais popular do país, ofereceu a doação de € 1 milhão para ajudar os refugiados. Além disso, em ação conjunta com a cidade de Munique, o clube disponibilizou toda a estrutura das categorias de base para abrigar crianças. Alimentação e aulas de alemão também são oferecidas pelo Bayern para ajudar todos a se adaptarem ao país.

O ex-jogador Karl-Heinz Rummenigge, atual executivo-chefe do Bayern, afirmou em depoimento que o clube vê a ajuda aos refugiados como sua responsabilidade social. As torcidas de pelo menos outros cinco clubes do país – Wolfsburg, Werder Bremen, St. Pauli, Eintracht Frankfurt e Borussia Dortmund – aderiram ao acolhimento e levaram faixas de boas-vindas aos estádios. O clube de Dortmund chegou a, inclusive, convidar 220 refugiados para assistirem a um jogo pela Liga Europa, além de promover um amistoso de recepção em parceria com o St. Pauli. Além dos clubes, a própria Federação de Futebol Alemã (DFB) também condenou os ataques aos refugiados.

Na Espanha, o Barcelona entrou em parceria com o Atlético de Madrid para uma ação no jogo entre as equipes. Ambos os times adentraram o campo vestindo uma camiseta com os dizeres “Ajudem os refugiados”. O Real Madrid, outro gigante do país, também anunciou a doação de € 1 milhão, seguindo o exemplo do Bayern. Após voltar da Espanha, o doutorando em Ciências Políticas pela UFRGS Pompilio Locks, 27 anos, acompanhou o agravamento da crise imigratória . “É o grande problema social de lá, no momento. Por todos os lugares que tu andas, todos os pontos turísticos, sempre há um grande número de imigrantes do norte da África e do Leste Europeu”, comenta.

Pompilio lembra também que a situação vem de tempos, embora tenha sido abordada de forma mais intensa pela mídia nos últimos meses. “Antes, a divulgação era menor. Faz tempo que imigrantes têm morrido em embarcações tentando chegar à Europa, mas o foco não era tanto na chegada, e sim em como eles se mantinham lá. Com o aumento da crise financeira no continente, passaram a policiar mais as fronteiras”, conta. O fato foi lembrado também pelo ex-atacante francês Eric Cantona, que já havia criticado a maneira com que os muçulmanos eram tratados à época do atentado na sede do jornal Charlie Hebdo. Em entrevista ao Le Parisien, Cantona opinou que “nós criamos as guerras por motivos econômicos, as pessoas fogem por causa do caos que nós criamos, e nós não somos nem capazes de as recebermos em nossos países.”

Em outros países do continente, como Escócia, Inglaterra e Portugal – onde o Porto sugeriu que € 1 de cada ingresso vendido nas duas primeiras fases da Liga dos Campeões, maior competição de clubes da Europa, fosse revertido aos imigrantes -, também surgiram manifestações de apoio. Ações como essas são fundamentais, segundo Pompilio. “Como eles são entidades importantes em termos sociais, é muito legal ver esta recepção aos refugiados. Dessa forma, eles ajudam a criar uma sensação de pertencimento, de segurança, algo que o Estado não está preocupado em oferecer. E com essa ação eles também sensibilizam os torcedores a ajudar”, pontua.

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