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Crise hídrica: nível mundial e regional

Aula inaugural do curso de Biologia da Unisinos traz panorama sobre a crise hídrica e biólogo comenta situação do Vale dos Sinos

“Até o ano de 2025, dois terços da população mundial enfrentarão problemas pela falta de água.” Essa preocupante afirmação foi feita durante a aula inaugural do curso de Biologia da Unisinos, campus São Leopoldo. O evento contou com quatro palestras, que ocorreram na noite do último dia 15, no anfiteatro Padre Werner.

Sob o título “Consórcio Pró-Sinos e a Gestão do Saneamento Básico”, os participantes puderam adquirir conhecimentos variados sobre recursos hídricos e saneamento. Mesmo sendo voltadas para os alunos ligados à área da Biologia, as explanações trouxeram informações importantes para todos os cidadãos. Na oportunidade, foram apresentados estudos e projetos sobre a Bacia do Rio dos Sinos, que é responsável pelo abastecimento de 32 municípios, incluindo São Leopoldo e região.

A palestra sobre a crise hídrica mostrou uma realidade futura do Brasil e do mundo que não é muitas vezes levada em conta em nosso cotidiano. Segundo a explanação de Luiz Antonio Castro, 33,9% dos municípios brasileiros não possuem abastecimento adequado de água. No mundo todo, 1,6 bilhão de pessoas morrem todos os anos em decorrência de doenças relacionadas a água e esgotamentos impróprios.

Palestra de Luiz Antonio Castro apresentou a possibilidade de uma crise hídrica no planeta. (Foto: Amanda Moura)

Palestra de Luiz Antonio Castro apresentou a possibilidade de uma crise hídrica no planeta. (Foto: Amanda Moura)

O planeta possui 1.338 quilômetros cúbicos de água, porém, apenas 2,7% são de água doce. E quase a totalidade dessa parcela (99,6%) encontra-se inacessível pelo ser humano, por estar subterrânea ou em geleiras. Quanto à distribuição desse pequeno percentual pelos continentes, Luiz apresentou a disparidade do Brasil em relação à África. Na parte africana, encontra-se 11% da água de toda a Terra, e 13% da população mundial. Isso mostra a insuficiência do recurso para os habitantes daquela região. Já em nosso país, localiza-se 46% de toda a reserva de água doce do mundo, sendo a maior concentração na Bacia Amazônica.

Encerrando sua participação, o palestrante reafirmou que uma crise hídrica é real, e que se não houver uma conscientização por parte das pessoas e uma reeducação na forma de consumir a água, em breve o mundo todo enfrentará sérios problemas.

  • – Ministraram as palestras: Diego Corrêa Chaves (diretor executivo), apresentando o Consórcio Pró-Sinos; Luiz Antonio Castro (gestor público), com a palestra “Água, elemento essencial da vida. Crise Hídrica no Brasil”; Dariu Etchichury (engenheiro civil), com a palestra “Política Nacional de Resíduos Sólidos, um aparato histórico”; e Dante Gama Larentis (doutor em Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental), com a palestra “Gestão do Risco de Inundações”. As exposições foram mediadas pelo professor da Unisinos e doutor em Ecologia Leonardo Maltchik Garcia.

Rio dos Sinos

Segundo dados do Índice de Desenvolvimento Sustentável do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Rio dos Sinos é o quarto mais poluído do Brasil. O biólogo Jackson Müller, pós-graduado em Bioquímica, acredita que é possível reverter essa situação. “Será necessária uma mudança estrutural importante, que poderá ser efetivada com a cobrança pelo uso da água e a aplicação dos recursos arrecadados em programas e obras de despoluição. Porém, com a atual conjuntura operacional e financeira da Corsan [Companhia Riograndense de Saneamento] e das companhias municipais, está muito difícil”, destaca Jackson, que participará da mesa-redonda “A questão ambiental no Vale do Rio dos Sinos”, evento do Instituto Humanitas Unisinos (IHU) que ocorre no dia 25 de abril, na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros – IHU.

Jackson salienta que todos os indivíduos devem se envolver com a questão da crise hídrica. “A sociedade precisa se apropriar do rio. Chamar de seu. O contrário é essa visão distante, descompromissada e alienada de grande parte da população. Ainda se tem a crença de que a recuperação do Sinos será efetivada apenas pelos órgãos públicos”, complementa.

Faça sua parte!

O site do Serviço Municipal de Água e Esgotos de São Leopoldo (SEMAE) traz várias dicas para que comecemos desde agora a economizar água. Veja algumas:

  • – Tome banhos de no máximo 15 minutos;
  • – Não deixe a água da torneira escorrendo ao escovar os dentes;
  • – Utilize balde em vez de mangueira para lavar o carro e a calçada.

* Colaborou: Maria Eduarda de Lima.

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