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Criminalidade preocupa moradores de Novo Hamburgo

População relata que brigas e tráfico de drogas são frequentes em praças centrais da cidade

A região central de Novo Hamburgo (RS) possui praças destinadas ao lazer dos moradores. Entretanto, em meio à crise de segurança pública no Estado, as pessoas pensam duas vezes antes de ocupar esses espaços, que atualmente apresentam episódios de criminalidade. É o que acontece, por exemplo, na Praça do Imigrante, em um dos trechos mais movimentados da cidade.

“Há grupos de jovens que vêm à praça fumar, tem dias que não dá para ocupar os bancos de tanta gente. Com certeza, as pessoas deixam de vir por medo. Com a chegada do trem, aumentou a criminalidade, tem muita gente de cara nova”, relata a artesã Ivone Becker, 54 anos, que frequenta a praça pelo menos três vezes por semana.

A colega artesã Maria Pressi, 71, complementa: “Eles se amontoam na praça, bebem e brigam entre eles. Então, os guardas vêm para cá e revistam o grupo. Prendem uns, enquanto outros vão embora”, observa. Maria vende artesanato na Praça do Imigrante há 41 anos e reconhece que atualmente a polícia vai até o local com mais frequência, mas ainda sente medo da violência.

 

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Pouco movimento na Praça do Imigrante  Foto: Mariana Blauth/Beta Redação

 

Em um ponto próximo à Praça do Imigrante está a 20 de Setembro. “Difícil vir à praça e a lugares públicos, porque têm assaltos e violência. Somos reféns na cidade grande, mas tentamos nos proteger do jeito que podemos. As pessoas estão deixando de frequentar as praças. Há dez, 15 anos, elas eram lotadas”, constata Vilmar de Mattos, 53.

Os principais problemas nas praças centrais da cidade são o tráfico de drogas e, consequentemente, os furtos para a manutenção do consumo. “Há frequentadores para o bem e para o mal. Quem comete os delitos se aproveita das pessoas que utilizam diariamente o espaço. Esse público vai aos locais com circulação para observar alvos e retirar seus pertences. Para ficar de forma anônima, é mais fácil, pois eles se dispersam em virtude da grande circulação de pedestres”, constata Carine Reolon, comandante da 1ª companhia e do policiamento comunitário do 3º Batalhão da Brigada Militar.

Apesar disso, ela diz que os delitos acontecem principalmente fora desses espaços, sobretudo nas avenidas próximas, onde ocorrem mais denúncias. Isso significa que o crime acontece de forma dinâmica, em que as praças são utilizadas como ponto de observação de alvos dos ladrões.

Entretanto, essa característica não é nova. Em 2015, um universitário de 22 anos foi esfaqueado no pescoço após ter passado pela Praça 20 de Setembro no final da tarde. A vítima estava com um amigo de 16 anos e foi seguida até a Rua Júlio de Castilhos, próxima do local, por um grupo de jovens. Os assaltantes roubaram o celular do estudante e fugiram. O grupo, que ficou conhecido no Vale dos Sinos como “bonde dos assaltos”, também atacara outro estudante de 20 anos em uma escadaria meses antes.

 

Policiamento na praça

Um dos principais recursos utilizados hoje pelos órgãos de segurança, que trabalham em conjunto, são as câmeras de monitoramento. Dentro da Praça do Imigrante, por exemplo, elas estão visíveis, mas os locais não alcançados por elas permitem que os criminosos se escondam. Nos pontos cegos, a estratégia utilizada é o policiamento físico.

“Se tivesse mais efetivo, haveria mais cobertura desses locais”, contrapõe a comandante Reolon. No entanto, segundo ela, em função das câmeras, a Brigada Militar tem uma abrangência maior e um controle preventivo mais eficaz.

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Praça do Imigrante fica na região central. Foto: Mariana Blauth/Beta Redação

Além do monitoramento das câmeras, a Guarda Municipal realiza rondas intervaladas aleatoriamente com carros e motocicletas e faz policiamento a pé na região do Centro, onde ficam as praças.

De acordo com o secretário municipal de Segurança, Roberto Jungthon, o policiamento a pé, durante o dia, ajuda a prevenir pequenos furtos. À noite, a segurança fica por conta das rondas em veículos, que observam o comportamento dos carros e motocicletas nas ruas.

“A segurança pública é uma preocupação de todos os cidadãos. Estamos intensificando a presença e operação dos policiais. Todos os órgãos de segurança de Novo Hamburgo atuam em conjunto para reforçar a percepção de que está sendo feito um trabalho em prol da população”, assegura o secretário.

Apesar disso, quem frequenta as praças ainda sente necessidade de maior proteção. Darci Nunes Madeira, 68, vai à Praça do Imigrante semanalmente e considera que os policiais deveriam dar maior apoio contra a violência, embora eles ajudem quando ocorrem desentendimentos. O aposentado também considera a falta de infraestrutura como um fator aliado à criminalidade.

“Tem pouco conforto, a prefeitura deveria dar mais atenção para as praças, mas não precisa ser coisa fina. As pessoas fazem xixi aqui porque só tem um banheiro para homens e mulheres”, relata.

Para a comandante Reolon, a falta de cuidados físicos, como as podas das árvores, influencia na criminalidade, uma vez que esses espaços se tornam refúgios para moradores de rua e usuários de droga.

Entre os moradores, fica a sensação de que mais investimentos são necessários para a redução da criminalidade. Mattos, que pouco frequenta as praças, considera três pontos-chave para que isso ocorra: “A solução é o poder público investir na segurança e na educação, além de dar condições para a Brigada fazer seu trabalho”, salienta.

Confira a galeria de fotos abaixo:

 

Praças centrais de Novo Hamburgo

Fotos: Mariana Blauth/Beta Redação

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