Cultura

Crianças e Jovens do Rio Grande Escrevendo Histórias

Livro reúne melhores histórias de concurso de redação realizado por alunos do ensino estadual

Em sua 24° edição, o projeto Crianças e Jovens do Rio Grande Escrevendo Histórias, da Secretaria de Educação (SEDUC), lançou mais um livro reunindo produções artísticas e textuais dos alunos da rede estadual de ensino. O programa busca valorizar a autoexpressão, os hábitos de escrita e leitura do alunos. O lançamento aconteceu na Praça de Autógrafos da 62ª Feira do Livro de Porto Alegre, na última sexta-feira, 04 de novembro.

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Foto: Luisa Boéssio/ Beta Redação

O livro é lançado anualmente desde 1992 pelo Sistema Estadual de Bibliotecas Escolares (SEBE), do governo do Rio Grande do Sul. Nesta edição foram mais de 4 mil inscritos, movimentando os alunos de todo o estado, incluindo a educação especial, as escolas abertas, os alunos da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (FASE), os indígenas, as classes multisseriadas e remanescentes quilombos.

A comissão julgadora, formada por professores e pedagogos ligados à SEDUC, teve a tarefa de escolher 89 trabalhos para integrar a publicação. Desta vez, os jovens escritores foram desafiados a refletir sobre o tema “Ação local, benefício global”. Os textos são produzidos em sala de aula com a orientação dos professores que se dedicam ao assunto durante meses, estimulando o pensamento crítico e a formação de leitores e escritores.

Ação local, beneficio global

Para os alunos da oitava série, Thiago Dos Santos Bueno e Carlos Eduardo dos Santos, ambos de 14 anos, o tema deste ano foi de grande importância. “Escrevi sobre o jeito que está o mundo hoje e o que poderíamos fazer para mudar o mundo. É muito importante a nossa participação. É um tema legal, tratar de um assunto que podemos praticar amanhã pra mudar o mundo”, ressalta Thiago, que sonha em ser cirurgião cardíaco.

Carlos escreveu de forma poética sobre como nosso mundo está corrompido e cheio de maldade, mas que pode melhorar de maneira global. “Eu acho o tema importante porque é uma coisa que tem que ser praticada sempre, uma boa ação. É uma coisa que espalha, uma pessoa vê tu fazendo e vai fazer também, assim o mundo vai melhorar. Todas as pessoas deveriam praticar diariamente”, comentou o menino que estava indeciso sobre sua futura profissão, mas impulsionado pela vitória de seu poema decidiu que quer ser escritor.

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Os alunos Carlos (esquerda) e Thiago (direita) escreveram poemas sobre as pequenas ações que podemos praticar para melhorar o mundo.  Foto: Luísa Boéssio/ Beta Redação

Segundo Maria do Carmo Mizetti, coordenadora da SEBE, o programa teve início com uma pequena ação, que hoje se tornou um grande projeto. A professora Jane Bestetti  guardava os textos e desenhos que recebia dos alunos quando visitava as escolas por todo o estado, e teve a ideia de reuni-los em uma única publicação. “Hoje é quase uma política pública de leitura”, ressalta Maria.

A pequena ação beneficiou inúmeras crianças, como a estudante do nono ano Rosângela Juzwiak, 14 anos, que viu a oportunidade de conhecer um pouco mais do mundo a sua volta. “Sou uma adolescente e não tenho ideia das coisas que tem pelo mundo, só que como veio esse tema eu comecei a pesquisar coisas que acontecem na história das cidades, coisas que os seres humanos passam. Achei o tema legal, porque podemos pesquisar coisas que não tínhamos ideia que acontecem”, reitera.

Um dia especial

Os estudantes e autores participaram da festa de lançamento do livro, que contou com a presença do secretário de educação Luís Antônio Alboca de Freitas e a patrona da feira do livro Cíntia Moscovich. A solenidade aconteceu na SEDUC, no espaço de eventos Luiz Quartieri Filho, reunindo pais, professores, coordenadores e servidores públicos. Um certificado foi entregue pelas redações desenvolvidas e a tarde uma sessão de autógrafos foi realizada na Praça de Autógrafos da feira, onde os livros foram distribuídos gratuitamente.

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Foto: Luisa Boéssio/ Beta Redação

Para muitas dessas crianças que vem do interior e não tem a oportunidade de visitar a capital ou conhecer um secretário do estado, o dia foi único, um dia de fama. É o que afirma a assessora pedagógica da educação especial, Maristela Deos, que também destaca a importância da inclusão da educação especial no projeto.

“Ver um projeto como esse finalizando, onde um criança com deficiência visual está dando autógrafo em um livro, um cadeirante, um surdo, um aluno autista participando. Ou seja uma criança com deficiência inseridos em toda essa questão, desde a escola regular até dentro dos projeto. Não tem dinheiro que pague, chego a me emocionar, é por isso que o professor luta, para que a escola seja um ambiente democrático onde as relações sejam circulares, onde todos estejam no mesmo nível”, comenta Maristela.

Segundo a assessora, o resultado do projeto é fruto de muito trabalho e esforço de professores e servidores públicos. “Quem está trabalhando, gosta e considera este tipo de coisa, ele acredita que pode fazer a diferença na vida destas crianças. Muitas vezes, a figura do professor é a única saída daquela criança, a única referência. Tem uma caminhada longa ainda, mas esse tipo de evento nos estimula, apesar do momento em que o estado se encontra, que não é segredo pra ninguém, isso nos faz levantar com vontade de fazer por eles e deixar alguma coisa pra essas gerações”, finaliza.

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