Economia

Corte predileto dos gaúchos é o que mais sobe no Estado

Costela lidera inflação. Previsão para maio é de fechar o mês em 7,32%

Segundo dados do IPCA (IBGE) – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, nos últimos 12 meses, o corte da costela atingiu 6,49% de inflação. Seguido da paleta (4,48%), acém (3,22%) e por terceiro, a alcatra (3,22%). “Não é de se estranhar que o produto mais demandado seja aquele que teve maior aumento de preço. Além do mais, uma boa parte da oferta de costela no RS vem do Sudeste e Centro-Oeste, um produto de menor qualidade, porém, mais barato”, explica o economista chefe do Sistema Farsul – Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, Antonio da Luz. “No último ciclo, essas regiões tiveram menor produção em razão da falta de chuvas, gerando escassez de produto. O aumento do custo do frete também influencia”, completa.

“A gente substitui por frango, às vezes, que é mais barato. Mas o meu marido é mais da carne”, comenta a aposentada Julia Bogdan.  Ela disse que sentiu o aumento e compra frango como uma alternativa para economizar. Além do coxão de dentro, que é sua peça predileta, ela afirma ter notado a diferença de valor na alcatra.

Apesar do aumento, os estabelecimentos alegam não ter sentido queda nas vendas. Segundo os comerciantes entrevistados pela Beta Redação, o comércio de carnes tem se mantido estável na capital.  Nem as denúncias da Operação Carne Fraca, e mais recentemente, a polêmica envolvendo as delações da JBS, fez a clientela parar de buscar o açougue.

Nos últimos 12 meses, a costela foi o corte que mais sofreu aumento de preço. Foto: Érika Ferraz/Beta Redação.

Nos últimos 12 meses, a costela foi o corte que mais sofreu aumento de preço. Foto: Érika Ferraz/Beta Redação.

De acordo com dados da Polícia Federal, mais de 4800 estabelecimentos industriais foram fiscalizados no país, após a operação Carne Fraca. As investigações foram feitas ao longo de mais de um ano. O Brasil é um dos maiores exportadores de carne no mundo, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

“A Polícia Federal deve ter repensado a forma de divulgar após esse episódio, pois acostumada a revelar grandes esquemas de corrupção, utilizou o mesmo expediente para tratar de algo infinitamente menor”, afirma Antonio.  Na Operação, foram encontrados problemas em 21 empresas, sendo que com gravidade em apenas 6. “Ou seja, a investigação comprovou que a imensa maioria dos estabelecimentos são seguros e cumprem todas as regras. Os países estrangeiros, quando viram esse números, reabriram na hora os mercados. O problema não durou um mês.”

Após a polêmica, os consumidores estão mais atentos quanto à condição das carnes. Julia compra carne para consumo diário. “Enquanto tiver o selo de certificação, a responsabilidade deles é de fazer um produto com qualidade. Eu não deixei de consumir, mas evitei as marcas envolvidas. Prefiro comprar no açougue perto de casa, que a gente sabe a origem da carne, porque em supermercados, não sabemos a procedência.”

Julia não descartou a compra de carnes em supermercados, mas redobrou o cuidado quanto à qualidade das mesmas. Foto: Érika Ferraz/Beta Redação.

Julia não descartou a compra de carnes em supermercados, mas redobrou o cuidado quanto à qualidade das mesmas. Foto: Érika Ferraz/Beta Redação.

Os açougues foram os estabelecimentos que menos sentiram esta oscilação no mercado. Segundo Rafael Sartori, 24 anos, que trabalha na controladoria da casa de carnes Santo Ângelo, localizada no Mercado Público de Porto Alegre, as vendas só aumentaram. “Na semana em que foi divulgada a investigação sobre as adulterações nas carnes, a gente não deu conta. Nossas vendas aumentaram de 15% a 20%”, conta.

Ele acredita que esse fenômeno ocorreu por influência, também, do tradicionalismo. “O que é o açougue? É tu tirar a senha e o açougueiro vir com um ‘bom dia’, ‘o que você gostaria?’, ‘quer cortado em bife?’, ‘quer escolher uma carne para moer?’. Isto estava se perdendo por questão do tempo, hoje em dia as pessoas estão sempre ocupadas. Então você vai lá no supermercado e já pega a carne pronta, já a vácuo na bandeja, tu não sabe quem fez, tu só comprou o produto pronto. É como se tu fosse ir na costureira mandar fazer um vestido pra ti, que pode sair mais barato, mas por falta de tempo, você compra um vestido já feito.”

A carne bovina no Brasil ainda é a mais barata ao consumidor. Foto: Érika Ferraz/Beta Redação.

A carne bovina no Brasil ainda é a mais barata ao consumidor. Foto: Érika Ferraz/Beta Redação.

Pedro Conci, 52 anos, é gerente de uma das filiais do supermercado Center Shop. Ele diz que é rigoroso em relação à qualidade dos produtos. “Para nós não mudou nada, pois o nosso controle de qualidade envolve a atenção à temperatura e à planilha, conforme a Vigilância Sanitária nos orienta e conforme a legislação vigente.”

O consumidor também faz parte desta fiscalização e deve ficar atento aos selos de certificação de qualidade e às características que qualquer alimento tem que apresentar, como os aspectos visuais, coloração e cheiro. Segundo Rafael, quanto mais claro o tom de vermelho, mais novo é o gado. Tem o vermelho “padrão” que é a carne boa, e tem o vermelho mais escuro que é a carne que sofreu variações de temperatura ou o boi sofreu no abate.

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