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Contrapartida ambiental garante novas ciclovias para a Avenida Nilo Peçanha

Iguatemi e Unisinos, para amenizar o impacto de suas obras, construíram opções sustentáveis de transporte ao longo da Avenida Nilo Peçanha

Além de uma nova opção de ensino universitário privado, Porto Alegre ganhou novas alternativas de transporte sustentável com a construção do novo prédio da UNISINOS, no bairro Três Figueiras. O projeto que a faculdade arcou se assemelha ao que a ampliação do shopping Iguatemi assumiu: funcionam como contrapartidas ambientais em questão do impacto que obras desse porte causam para a cidade. O shopping Iguatemi realizou 2,5 km de ciclovias que, agora, se interligam à ciclovia da Unisinos que, por sua vez, chega até a ciclovia já existente na Av. Nilópolis. Os moradores do bairro e aqueles que passam pela Avenida Nilo Peçanha têm, portanto, à disposição um espaço exclusivo para trafegar de bicicleta.


Contrapartida ambiental: é um mecanismo financeiro integrante do processo de licenciamento ambiental, indispensável para as atividades potencialmente poluidoras, bem como do processo corretivo, quando da ocorrência de um dano decorrente de um empreendimento já licenciado. O escopo da compensação ambiental é, portanto, a contrapartida, paga pelo empreendedor, pelos impactos ambientais significativos não mitigáveis causados ao meio ambiente, por ocasião da implantação de um empreendimento ou pela efetiva reparação de um dano específico, tal como a supressão de vegetação. (Fonte: sustentabilidade.com)

O ciclista Pedro Rheinheimer diz já ter percorrido toda a extensão da ciclovia. Ele afirma ter sido uma experiência tranquila até o trecho da Avenida Nilópolis, cerca de 650 metros de ciclovia localizada junto ao canteiro central da via. Apesar das pessoas que emendavam seus exercícios de corrida da Praça da Encol pela ciclovia, ele disse não ver problemas. Depois, precisou percorrer o caminho até o shopping Iguatemi pela rua, junto dos carros, pois a faixa de circulação bairro-centro ainda não foi construída.

Trecho da ciclovia na Avenida Nilópolis é separada do movimento de carros, com via exclusiva para ciclistas (Foto: Sergio Trentini)

No sentido contrário, durante sua volta, o ciclista não gostou da experiência:

“Ciclovia em cima da calçada é tiração de sarro tanto com o ciclista que trafega na rua quanto com o pedestre que caminha na calçada. É feito para dar acidente. Tudo em função de não tirar o espaço de tráfego dos carros, por mais que as pesquisas mostrem uma melhoria no cenário urbano em que se limita o espaço para o automóvel”, afirma Pedro.

O projeto, contudo, está correto. Segundo a Especialista em Desenvolvimento Urbano da organização global de pesquisa WRI Brasil Cidades Sustentáveis, Lara Caccia, as normas indicam que uma ciclovia ou ciclofaixa unidirecional deve ter, no mínimo, 1,20 m. “Não é porque o projeto está esteticamente executado de forma correta que ele seja um bom projeto”, ressalva a Mestra em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com ênfase em geografia urbana e análise territorial. O projeto da Universidade e do Shopping Iguatemi, para ela, acaba por se mostrar bastante conservador, pois “ se absteve de retomar o espaço dos carros para as pessoas e, mais uma vez, tira espaço dos pedestres e gera conflitos entre pedestres e ciclistas”.

Ciclovia em frente ao shopping Iguatemi: pedestres e ciclistas dividem espaço na calçada (Foto: Sergio Trentini)

Além disso, analisando o local, ela aponta: “a ciclovia não tem preferência em absolutamente nenhum cruzamento, pois vai depois da faixa de pedestre, então, o ciclista tem de esperar o semáforo, perdendo toda a agilidade de andar na pista de rolamento junto com os demais veículos”.

Em uma realidade na qual as metrópoles tem como principal fator de poluição os veículos privados, responsável por 75% das emissões em áreas urbanas, é preciso não apenas priorizar o transporte sustentável, mas tomar atitudes propositivas. Afinal, segundo a OMS, a poluição é responsável por 7 milhões de mortes a cada ano no mundo todo. Acontece, portanto, como afirma o ciclista Pedro Rheinheimer, que “as novas alternativas cicloviárias da Nilo Peçanha servem mais para o lazer de quem pedala para se exercitar, o que é, sim, válido, mas acaba não tendo impacto maior na questão ambiental, na poluição urbana e, talvez, não seja o suficiente para incentivar que as pessoas deixem o carro em casa e comecem a se deslocar de bicicleta”.

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