Cultura

A construção da escrita na literatura infantil

Autores contam os desafios de escrever para crianças

Livros infantis ajudam na criatividade e na imaginação. Foto: Pixabay

 

Não é novidade o quanto a leitura é importante para adquirir cultura, conhecimento, habilidades na escrita e aprimoramento de vocabulário, entre outros diversos benefícios. Sabemos também que quanto mais cedo se inicia o hábito pela leitura, melhor será o desenvolvimento escolar.  Através da leitura infantil, as crianças desenvolvem a criatividade, a imaginação e a inteligência, além de contribuir para sua formação.

Segundo Karine Ferreira, professora de séries iniciais e graduada em Educação especial, toda criança que tem o contato com a leitura desde cedo, consegue se alfabetizar mais fácil. “Essas crianças já vivem no mundo letrado, elas não estão alfabetizadas, mas elas estão letradas e os livros fazem parte disto, tudo tem informação”, explica.

A educadora conta ainda que os livros devem ser escritos com letras bastão, pois as crianças que estão em fase de alfabetização apresentam dificuldades de entender a letra cursiva. “Visualmente, as letras devem ser grandes e a linguagem bastante clara, sem muita enrolação para não atrapalhar o entendimento”.

Para a escritora e contadora de histórias infanto-juvenis, Léia Cassol, a escrita para crianças deve ser simples, repleta de significados e nunca com um ponto final, deixando sempre que elas façam essa relação com o término da história. “Escrever para criança não é fácil, às vezes as pessoas acham que é fácil porque tem pouco texto, mas o difícil é justamente isso, ser simples e passar uma mensagem que tem aquele significado da história no contexto”, desabafa a autora.

Na opinião do escritor Mário Amaral Teixeira, não há uma escrita adequada para esse público, visto que as crianças de hoje estão muito mais espertas. “É difícil fazê-las desgrudar os olhos das telas de computadores e celulares. Estes equipamentos estão presentes desde cedo. Para mim, a forma adequada é a que prende a atenção deles, que faz com que interajam. Por isso uso os livros para ler, agir e colorir. E ainda tem as músicas dos livros pra baixar no site, que são compostas por mim e gravadas pelo meu irmão, Cristiano Teixeira”.

A leitura infantil é e tem sido uma grande aliada dos pais e dos educadores na alfabetização de seus “pequenos”.  Mãe da estudante Juliana Silveira Furquim, de 4 anos, Ana Paula Silveira acredita que a escrita para o público infantil precisa ser adequada para a geração em que vivem. “As crianças de hoje são muito mais evoluídas que na nossa época, textos pequenos já não prendem à atenção delas. Poderia ser repensada a forma como se escreve com um pouco mais de detalhes, para que possam imaginar melhor as coisas e aprender mais”.

Segundo Ana Paula, quando os livros são muito fáceis, sua filha decora as frases muito rápido, o que faz com que ela deixe esses livros de lado, pois acaba “perdendo a graça”. “Quando a professora da Juju passa uma atividade de algum livro muito fácil, aquilo para ela já é normal”.

Os escritores se inspiram nos próprios baixinhos para criar seus temas e histórias.  Mário utiliza os temas, valores e virtudes por acreditar que boas ações podem mudar o comportamento do ser humano. “Preocupo-me muito com o cenário de inversão de valores em que vivemos. Por isso, criei o Garoto Boação, a professora Boação e os livros em ação, que são personagens que realizam pequenos gestos de grandes virtudes”.

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Escritor Mário com os alunos do Colégio Nossa Sra. da Glória. Foto: Arquivo pessoal

Toda escrita requer técnica e um estudo do público para qual se pretende escrever, os gostos variam de acordo com cada fase e idade. “Quando são bem pequenos gostam de pouco texto e figuras grandes, depois vem a fase que gostam de histórias de repetição. Gostam de histórias com brincadeiras no meio, histórias de bichos, contos de fadas e conforme vão crescendo, eles começam a se identificar e querer que os personagens sejam meninos e meninas. O importante é conhecer em que fase está a criança e a partir dai  tratar essa escrita naquele leitor”, conta Léia.

 

 

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