Política

Conheça Rodrigo Maia, primeiro na linha sucessória de Temer

Com o escândalo de Temer, presidente da Câmara torna-se postulante ao cargo máximo do país

Tiago Assis e Rafael Erthal

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Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia pode assumir presidência da república. Foto: Luis Macedo / Câmara dos Deputados

 

Minutos após notícia sobre o áudio de Temer ser divulgada pelo jornal “O Globo”, nesta quarta-feira (18), Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, encerrou sessão que ocorria no local. Perguntado por repórteres sobre os motivos da atitude, falou: “não tem mais clima pra trabalhar”.

Maia nasceu em Santiago, no Chile, quando seu pai, Cesar Maia, ex-prefeito e vereador do Rio de Janeiro, cumpria exílio. Cesar era, quando do golpe de 1964, um militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o “Partidão”. Sua guinada para a direita ocorreu depois das eleições de 1988, quando passou a ter divergências com Brizola, seu colega de PDT, e embarcou no PMDB. Nos anos 1990, ingressou no Partido da Frente Liberal (PFL).

Rodrigo Maia, que é formado em Economia, foi funcionário do banco BMG em 1990 e do banco Itaú entre 1993 e 1997. Foi também representante da Comissão Especial da Política Nacional de Saneamento. Figurou como secretário de Governo do Rio de Janeiro entre 1997 e 1998, na gestão de Nilo Batista (PDT), e também foi secretário do município do Rio de Janeiro em 1996, quando integrou a equipe de seu pai.

Rodrigo Maia foi eleito deputado federal pela primeira vez aos 28 anos, em 1998. Entre 2003 e 2005, foi o primeiro vice-líder do PFL. Após esse período, de 2005 a 2007, tornou-se líder da bancada. Chegou a figurar como presidente do partido, quando mudou o nome do mesmo para Democratas (DEM). Maia ocupou o cargo de líder do DEM por duas vezes e hoje está em seu quinto mandato. Atualmente, integra o bloco informal de governistas independentes – que possui o DEM, o PSDB, o PSB e o PPS como participantes.

 

Atuação na câmara

Maia foi figura integrante de importantes episódios da política nacional nos últimos anos. Uma delas foi sua atuação a favor do prosseguimento do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, em 2016. Ele também foi favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que previa a alteração na lei relacionada a maioridade penal de 18 para 16 anos em caso de crimes graves.

Foi relator da proposta de reforma política de 2015. Atualmente, lidera a Comissão Especial da Desvinculação das Receitas da União (DRU) e também é membro das Comissões de Finanças e Tributação.

O mais recente projeto de lei de sua autoria, que figura entre os que aguardam desfecho, tem em sua ementa a sugestão para que o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcos Pereira (PRB), apoie institucionalmente a criação da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Porto de Açu, no município de São João da Barra (RJ).

 

Maia: a presidência e a Lava Jato

O deputado pode ser o novo presidente da República caso Michel Temer renuncie ao cargo. O grande porém nesse cenário está em sua ligação com a investigação da Operação Lava Jato.

O “Botafogo”, apelido que teria sido atribuído a ele dentro do sistema de propinas da Odebrecht, é investigado em dois inquéritos do processo. Em 2008, no primeiro caso, Maia é acusado de receber a quantia de R$ 350 mil para financiar campanhas do DEM. Já em 2010, ele teria recebido mais R$ 600 mil para auxiliar a candidatura de seu pai, Cesar Maia, ao Senado.

Três anos depois, “Botafogo” teria recebido, segundo os delatores da empreiteira, R$ 100 mil de cooperação na medida provisória 613, segundo o Ministério Público Federal. A Braskem, empresa de propriedade da Odebrecht, recebia desoneração quanto a compra de matéria-prima no setor químico, conforme a MP.

Em 2012, as  famílias Maia e Garotinho formaram uma aliança com o intuito de derrotar Eduardo Paes, então prefeito do Rio de Janeiro. Porém, a coligação “Um Rio Melhor Pros Cariocas” (PR-DEM) foi derrotada pela própria chapa de Paes.

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