Política

Os personagens do escândalo

Quem é quem na delação da JBS

Daniela Tremarin, Graziele Iaronka e Vinícius Bühler

 

Mais uma reviravolta do cenário político do país aconteceu nesta quarta-feira (17). Com as  informações oriundas da delação premiada da JBS publicadas pelo jornal O Globo, novos personagens são citados nas negociações de vantagens indevidas entre políticos e executivos da empresa. A Beta Redação resume, abaixo, quem são os principais envolvidos.

 

Joesley Batista – Presidente da Holding J&F

Claudio Belli Agência O Globo - Joesley

Foto: Claudio Belli / Agência O Globo

Nascido em Goiás, o empresário estava listado em 2016 entre os 70 maiores bilionários do Brasil pela revista Forbes. É o presidente da Holding J&F, controladora de empresas como a  JBS – dona das marcas Friboi e Seara – e a Eldorado, do ramo de celulose.

Nos últimos meses o seu nome tem estampado manchetes de jornais por estar envolvido em suspeitas de irregularidades nos negócios, que vão do pagamento de propina ao favorecimento em aportes do BNDES. Em menos de um ano, sua empresa já foi investigada pelo menos em cinco operações da Polícia Federal. A Operação Bullish foi a mais recente. Deflagrada na semana passada, investiga o empresário por transações envolvendo a JBS e o BNDES que teriam causado prejuízo de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos.

Joesley também passou a ser conhecido fora dos limites do setor agropecuário. O conglomerado que preside é dono das marcas Havaianas, dos produtos de limpeza Minuano e do banco Original. Além disso, ele passou a circular com desenvoltura no meio político. Seu grupo foi um dos maiores doadores da campanha eleitoral de 2014. Apenas para a campanha de Dilma Rousseff (PT), foram mais de R$ 50 milhões.

 

Michel Temer – Atual presidente da República

temer

Foto: Agência Senado

Nascido em São Paulo, Michel Temer (PMDB) completou neste mês um ano no comando do país. Foi eleito em 2010 vice-presidente do Brasil e chegou ao atual cargo com o afastamento de companheira de chapa, Dilma Rousseff, acusada de praticar manobras fiscais.

Desde o primeiro discurso, o peemedebista prometeu fazer reformas estruturais e controlar os gastos públicos, medidas impopulares. Para fazê-las avançar em meio à crise econômica, ao baixo apoio da população e às denúncias de corrupção que atingem praticamente todos os grandes partidos brasileiros, Temer contava, até agora, com um forte apoio parlamentar.

Michel Temer iniciou a carreira política como secretário de Segurança Pública de São Paulo, em 1985. No ano seguinte, elegeu-se deputado constituinte pelo PMDB e, após a Constituinte, foi reeleito deputado federal.

Eleito três vezes presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer já havia assumido a presidência da República interinamente por duas vezes antes do impeachment de Dilma: de 27 a 31 de janeiro de 1998 e em 15 de junho de 1999.

 

Eduardo Cunha – Ex-presidente da Câmara dos Deputados

Jonas Pereira / Agência Senado

Foto: Agência Senado

Natural do Rio de Janeiro, exerceu o cargo de deputado federal pelo PMDB entre fevereiro de 2003 e setembro de 2016, quando teve o mandato cassado pelo plenário da Câmara dos Deputados.

Está sendo investigado pela Operação Lava Jato e foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal. Em março de 2016, o STF acolheu por unanimidade a denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra Eduardo Cunha por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em maio do mesmo ano, o plenário do STF manteve a decisão do ministro Teori Zavascki (morto em janeiro de 2017) que determinou o afastamento de Cunha de seu mandato de deputado federal e consequentemente do cargo de presidente da Câmara dos Deputados.

Em 19 de outubro de 2016 foi preso preventivamente pela Polícia Federal na Lava Jato, e em março de 2017 foi condenado a 15 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

 

Lúcio Funaro – Doleiro

Dida Sampaio/ Estadão Conteúdo

Foto: Dida Sampaio / Estadão

Paulista, apontado como operador do esquema de corrupção na Caixa Econômica Federal, o doleiro negociava desde janeiro deste ano junto ao Ministério Público Federal (MPF) um acordo de delação premiada.

Atuante no mercado financeiro desde o final da década de 90, Funaro teve seu nome alçado ao centro dos escândalos políticos brasileiros em 2005, quando se viu como alvo da CPI dos Correios e nas investigações do Mensalão do PT.

Funaro conhece Eduardo Cunha desde os anos 90, quando o mesmo ainda era presidente da Companhia Estadual de Habitação do governo Garotinho (então PMDB, hoje PR). Na época, o operador trabalhava numa corretora no Rio e era próximo dos filhos do presidente da Assembleia Legislativa do Estado.

 

Aécio Neves – senador (PSDB-MG)

Agência Senado

Foto: Agência Senado

Na delação de Joesley Batista, Aécio Neves teria pedido o valor de R$ 2 milhões ao empresário da JBS para pagar gastos com sua defesa na Operação Lava Jato. De acordo com o site do jornal O Globo, Joesley e Aécio se encontraram no dia 24 de março no Hotel Unique, em São Paulo. Quando Joesley perguntou quem pegaria a mala com o valor – que seria parcelado em quatro vezes de R$ 500 mil –, Aécio respondeu que pegaria em mãos se Joesley fizesse a entrega, mas se fosse de outra forma, mandaria alguém de sua confiança. Segundo a transcrição da gravação do áudio feita por O Globo, o senador teria dito o seguinte sobre o enviado para receber o dinheiro:

“Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho”.

Aécio Neves é senador pelo PSDB de Minas Gerais, foi governador de Minas Gerais de 2003 a 2010 e concorreu à presidência da República em 2014, quando perdeu a eleição para a candidata do PT, Dilma Rousseff, no segundo turno.

 

Frederico Pacheco de Medeiros – primo de Aécio Neves

É primo de Aécio Neves e, segundo a delação de Joesley Batista, foi quem recebeu a mala com R$ 500 mil do diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud. A ação foi filmada pela Polícia Federal.

 

Guido Mantegaex-ministro da Fazenda dos governos Dilma e Lula

Agência Brasil

Foto: Agência Brasil

Na delação de Joesley Batista, Guido Mantega era seu elo com o Partido dos Trabalhadores (PT). O ex-ministro atuaria como intermediário abastecendo uma espécie de conta corrente para o PT na JBS. Os delatores da JBS afirmaram que era Mantega quem operava para o grupo no BNDES. Joesley Batista delatou ainda que Mantega pediu a ele doação de campanha via caixa dois, valor que teria sido pago pela JBS.

Guido Mantega foi ministro da Fazenda de 2006 a 1º de janeiro de 2015, quando foi sucedido por Joaquim Levy. Em 22 de setembro de 2016, foi preso na 34ª Fase da Operação Lava-Jato, sob a acusação de ter pedido R$ 5 milhões ao empresário Eike Batista para saldar dívidas de campanha. A prisão de Mantega durou sete horas, pois o juiz Sérgio Moro revogou a prisão temporária. A justificativa de Moro, na época, foi que, uma vez que as buscas já haviam sido cumpridas, não havia risco de Mantega interferir na operação Lava Jato.

 

 

 Zezé Perrella – Senador (PMDB-MG)

Agência Senado

Foto: Agência Senado

É pai de Gustavo Perrella, dono da empresa Tapera Participações Empreendimentos Agropecuários, para onde teria sido encaminhado o valor de R$ 500 mil. O valor seria a primeira parcela dos R$ 2 milhões que Aécio Neves teria pedido a Joesley Batista para saldar dívidas com sua defesa na Operação Lava-Jato.

A entrega do dinheiro em uma mala, filmada pela Polícia Federal, foi feita a Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio, pelo diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud. O valor, no entanto, não foi repassado a advogado algum. Segundo Joesley Batista, Frederico repassou a mala para o secretário parlamentar de Zezé Perrella, Mendherson Souza Lima.

Perrella também já foi deputado estadual e federal e foi presidente do Cruzeiro Esporte Clube de 1995 a 2002.

 

Mendherson Souza Lima – secretário parlamentar do Senador Zezé Perrella

Segundo a delação de Joesley Batista, Mendherson Souza Lima foi quem recebeu mala com R$ 500 mil de Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio Neves. O valor era a primeira parcela de R$ 2 milhões que teriam sido pedidos a Joesley por Aécio para saldar dívidas com a defesa do senador do PSDB com sua defesa na Operação Lava-Jato. O valor, contudo, teria sido destinado para a empresa do filho do senador do PMDB Zezé Perrella.

Mendherson tem salário mensal bruto de R$ 16.429,19. O valor líquido mensal é de R$ 12.339,42.

 

Rodrigo Rocha Loures – Deputado federal (PMDB – PR)

Brizza Cavalcante Câmara dos Deputados

Foto: Brizza Cavalcante / Câmara dos Deputados

Nascido em Curitiba (PR), o deputado federal Rodrigo Rocha Loures foi nomeado, em 2015, no mês de janeiro, chefe da Assessoria Parlamentar da Vice-presidência da República. Logo em abril, se tornou chefe de gabinete da Secretaria de Relações Institucionais. Já em 2016, o deputado trabalhou com Temer e assumiu o posto de Assessor Especial do Gabinete Pessoal da Presidência. Em março deste ano voltou à Câmara dos Deputados. O deputado teria sido indicado por Temer a Joesley para resolver “determinado assunto” da holding que controla  JBS, a J&F. Loures foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil destinados pelo empresário.

 

Ricardo Saud – JBS

Arquivo PessoalCom trajetória vinculada ao município de Uberaba, em Minas Gerais, Saud é apontado como lobista da JBS junto a políticos em Brasília. Segundo o Jornal Correio Braziliense, Ricardo Saud, em 2011 foi o primeiro da equipe no ex-ministro Wagner Rossi (PMDB) a ser demitido após a renúncia do ministro. Identificado como diretor da JBS pela notícia da denúncia do jornal O Globo, no site da empresa não figura entre os diretores apresentados na governança empresarial.

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