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Comunidade pede cercamento de área em Cachoeirinha para ter mais segurança

Mato do Júlio, onde fica único ponto de ônibus da Av. Flores da Cunha, tem registro de assalto e estupro

Há sete meses, moradores de Cachoeirinha reivindicam o cercamento de uma área bastante conhecida da cidade: o Mato do Júlio. O local, que fica na parada 56 e abriga o único ponto de ônibus da Avenida General Flores da Cunha, é considerado perigoso e tem gerado revolta de vizinhos que buscam uma solução para o problema.

O terreno tem aproximadamente 250 hectares, o equivalente a mais ou menos 350 campos de futebol. A extensão da área verde tem mais de 2,5 quilômetros, enquanto a avenida principal possui quatro. Os protestos para o cercamento da área começaram no dia 8 de março de 2016. “Cercar o Mato do Júlio significa proteger a população de Cachoeirinha”, afirma a líder do movimento, Ester Ramos. Segundo relatos de moradores, o nome do local é em referência a Júlio Batista, um dos proprietários, já falecido, que cuidava da área com uma espingarda.

O terreno é uma propriedade particular dividida entre 12 herdeiros, irmãos da família Brambila, e a empresa de desenvolvimentos imobiliários Habitasul, que possui 28% dos direitos do local. Os proprietários já manifestaram interesse, mas afirmam que a demora no procedimento é em decorrência dos atrasos nos trabalhos da prefeitura e do Ministério Público. “Não tem nenhum impedimento em relação ao cercamento do Mato do Júlio, é só questão de tempo! Nenhum proprietário vai cercar algo sem a liberação da prefeitura”, enfatiza Paulo Mallmann, representante da Habitasul.

A prefeitura de Cachoeirinha afirma que a liberação do cercamento não depende apenas dos documentos mencionados pelos proprietários. O diretor de Comunicação Social do Município, André Guterres, explica que terrenos com grande extensão e mata nativa necessitam de um plano ambiental para receber qualquer procedimento, como limpeza, cercamento e construção. “O pacto trata-se de uma compensação ambiental, ou seja, os proprietários precisam apresentar projetos de reflorestamento ou replantio da vegetação em outra área do município”, explica André.

A reportagem entrou em contato com o Ministério Público Estadual, mas a entidade não quis se pronunciar sobre o assunto.

 

População se reúne para protestar contra o atraso no cercamento do "Mato do Júlio". Foto: Tainá Rios/Beta Redação

População se reúne para protestar contra o atraso no cercamento do Mato do Júlio. Foto: Tainá Rios/Beta Redação

 

A falta de segurança
O grupo que busca o cercamento se mobilizou após uma jovem de 26 anos ser estuprada e mantida como refém por mais de três horas dentro da área verde. Na ocasião, a Guarda Municipal informou que a jovem fugiu, foi flagrada pelas câmeras de monitoramento e acabou sendo resgatada pelas viaturas. “Costumava caminhar todas as manhãs pela praça, porém não faço mais por causa do Mato do Júlio. Toda essa área é muito perigosa e, sem cercamento, é um risco à população”, reivindica Eliane Costa Roxo, moradora do bairro Vale do Sol.

O local, sem iluminação e segurança, abriga duas paradas de ônibus e obriga a população a ficar à mercê de assaltos e violência. A estudante de Administração Alessandra Bastallo, 21 anos, moradora do bairro Monte Carlo, afirma que tem muito medo de andar sozinha pelas ruas do município. “Sempre quando eu desço do ônibus, em qualquer horário, minha mãe me espera do outro lado da rua. Quando fica muito tarde e não tem ninguém em casa, eu nem vou na aula”, diz Alessandra. Apesar de toda a insegurança, a estudante é contra a mudança de local da parada 56, pois ficaria mais distante e perigoso. Já a moradora Maria Cristina Bittencourt acredita que trocar o ponto de ônibus de lugar pode ajudar os residentes. “Eu fui assaltada nessa parada e não tinha ninguém para pedir ajuda!”, relembra.

 

Área é mantida sem cercamento e iluminação. Foto: Tainá Rios/Beta Redação

Área é mantida sem cercamento e iluminação. Foto: Tainá Rios/Beta Redação

 

Em decorrência de muitos assaltos, proprietários de estabelecimentos da parada 56 resolveram fechar as portas depois das 18h. “Dois trabalhadores da nossa casa foram assaltados à mão armada”, conta Marílice Côrrea, presidente da Casa Espírita Chico Xavier, vizinha do Mato do Júlio. Antes do ocorrido, o centro espírita atendia ao público nas quintas-feiras a partir das 19h30, mas, devido ao crescente número de assaltos, a dirigente resolveu encerrar o atendimento. “Infelizmente foi preciso suspender os trabalhos, já que a insegurança aumentou muito e todos os frequentadores e trabalhadores necessitam transitar pela parada onde está o Mato”, lamenta Marílice.

 

Os próximos passos
Em um abaixo-assinado com mais de 11 mil assinaturas, moradores cobram que a prefeitura libere o licenciamento para limpar e cercar o espaço. “Já fizemos reuniões com os proprietários e o Ministério Público, fomos até a Assembleia Legislativa e o próximo passo será entrar na Justiça contra a omissão da prefeitura”, diz Ester.

O deputado estadual Pedro Ruas (PSol) foi procurado pela comunidade para divulgar o ocorrido, ganhar mais aliados e tentar uma audiência com o procurador-geral do Ministério Público. Uma ação popular também está nos planos do deputado, que pretende resolver judicialmente a questão. “A luta deles é digna e mostra o descaso dos setores públicos responsáveis pelos destinos da população. A luta das mulheres de Cachoeirinha é elogiável em todos os sentidos e, na minha opinião, representa – no microcosmo da cidade – a luta das mulheres no mundo”, ressalta Ruas.

 

A líder do movimento, Ester Ramos, organiza as manifestações e pede ajuda da comunidade. Foto: Vanessa Vargas/Beta Redação

A líder do movimento, Ester Ramos, organiza as manifestações e pede ajuda da comunidade. Foto: Vanessa Vargas/Beta Redação

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