Esporte

A competitividade está de volta à Fórmula 1

Novos carros trouxeram de volta a briga entre equipes que, há anos, não se via na mais conhecida categoria do automobilismo mundial.

As primeiras três corridas da temporada 2017 da Fórmula 1 mostraram que não há favoritos entre as três principais equipes. Ferrari, Mercedes e RBR (Red Bull Racing) lutam para angariar o maior número de pontos possíveis neste início de campeonato, onde as corridas têm sido uma caixinha de surpresas.

A disputa mais acirrada ocorre por causa das mudanças realizadas nos carros entre o ano passado e este ano. Maiores em largura, com aerodinâmica aprimorada, pneus maiores e incremento de velocidade, os carros desta temporada fazem que o jogo de equipes precise ser levado muito em conta, coisa que havia sido esquecida após o reinado da RBR (2010-2013).

Desde a primeira corrida da temporada, em Melbourne, Austrália, é quase impossível prever quem vencerá o Grande Prêmio, como estava ocorrendo no triênio 2014-2016. A facilidade da Mercedes de imprimir um ritmo de corrida não tem ocorrido, atraindo olhares mais atentos a cada GP.

O grande destaque dessas primeiras corridas é Sebastian Vettel, da Ferrari, sobre Lewis Hamilton, da escuderia prateada, outrora imbatível. O alemão venceua primeira corrida em Melbourne e em Sahkir, no Bahrein, no domingo passado (16). O inglês, por sua vez, venceu em Shangai, na China, na segunda corrida do ano.

No circuito de Albert Park, na Austrália, Sebastian Vettel foi o vencedor. Foto: Zak Mauger/LAT Images

No circuito de Albert Park, na Austrália, Sebastian Vettel foi o vencedor. Foto: Zak Mauger/LAT Images

A primeira vitória veio graças a estratégia da equipe. Uma parada apenas e o piloto alemão alcançou sua 43ª vitória na carreira no circuito de rua de Albert Park. No domingo passado, não foi diferente. A estratégia da Ferrari superou com certa folga as decisões da escuderia rival. Quem decidiu a corrida, cercada pelas areias do deserto no Bahrein, foram os pneus.

A vitória de Hamilton em Shangai foi de ponta a ponta e sem sobressaltos. O circuito é misto, com a maior reta da categoria, o que favorece o carro da Mercedes. Por outro lado, a Ferrari penou para conseguir marcar seus pontos. Vettel, nesta corrida, teve que lutar bastante contra Max Verstapen, da RBR, e contra o companheiro de equipe Kimi Haikkonen.

Quem acompanhou a corrida ontem pode perceber que, na metade da prova, as duas Ferraris eram quase imbatíveis no Setor 2 de Sahkir, que tem curvas em alta velocidade. De outro lado, as flechas prateadas não foram tão bem no consumo de pneus, tendo desgaste antecipado do composto super macio. Elas iam melhor no Setor 1 e 3, com retas maiores.

Há quem diga que Vettel só ganhou de Hamilton por causa da punição de cinco segundos para o inglês, que diminuiu excessivamente a velocidade durante a entrada nos boxes em bandeira amarela. Com a manobra, ele atrapalhou Daniel Ricciardo, da RBR, que vinha logo atrás.

No entanto, a Ferrari mostrou-se um conjunto mais ajustado na corrida, reduzindo a vantagem no cronômetro que Hamilton conseguiu a partir da segunda metade da prova, após o reagrupamento por causa do Safety Car. Depois, a necessidade do piloto inglês de fazer uma segunda parada – e por tabela ser obrigado a cumprir a punição dos cinco segundos por causa do vacilo no pit stop anterior – selou a vitória da Ferrari.

Lewis Hamilton venceu na China. Foto: Zak Mauger/LAT Images

Lewis Hamilton venceu na China. Foto: Zak Mauger/LAT Images

Vantagem é da escuderia rubra

Desempenhos tão díspares em três corridas ocorrem porque os carros de 2017 são feitos para ultrapassagem nas curvas. As alterações na aerodinâmica fazem que o F1 tenha muita turbulência na parte traseira do carro – o chamado “vento” ou “ar sujo”. Nas retas, os desta temporada tem muita dificuldade de “pegar o vácuo” do carro da frente. Por isso que as pistas cheias de curvas, como Albert Park e Shakir, dão vantagem aos carros da escuderia italiana.

A Ferrari tem ao seu lado ainda, segundo especialistas na categoria, desenvolvimento melhor do novo pacote aerodinâmico. Isso faz que carros da escuderia façam as curvas de alta com maior estabilidade que os carros da Mercedes. Outra vantagem é o gasto menor dos pneus, em especial os do composto super macio, usados nas duas provas.

16/04/2017- Bahrein- Grande Prêmio do Bahrein de Fórmula 1. O alemão Sebastian Vettel (Ferrari) vence o GP, Lewis Hamilton (Mercedes) em 2º e Valtteri Bottas (Mercedes) em 3º. Foto: LAT Images

16/04/2017- Bahrein- Grande Prêmio do Bahrein de Fórmula 1. O alemão Sebastian Vettel (Ferrari) vence o GP, Lewis Hamilton (Mercedes) em 2º e Valtteri Bottas (Mercedes) em 3º. Foto: LAT Images

Uma maior disputa agrada aos telespectadores e os entusiastas. “Acredito que as mudanças nos carros deixaram as corridas mais competitivas. Afinal, os carros agora estão bem diferentes e precisando muito mais do piloto, principalmente para ultrapassar. Apesar dessa mudança, somente as escuderias mais fortes como Ferrari, Mercedes, RBR que parecem que poderão deixar essa temporada mais interessante. Entretanto a STR, Williams e Force India podem surpreender a qualquer momento”, afirma o jornalista mineiro, apaixonado por Fórmula 1, Douglas Silva.

Em entrevista à AFP, Toto Wolff, diretor de corridas da Mercedes, também elogiou o equilíbrio. “As duas equipes estão muito próximas em termos de ritmo e eu espero uma espécie de ‘pingue-pongue’ de vitórias ao longo da temporada, de acordo com as pistas. Será empolgante para todo mundo”, comentou.

 

Maiores pilotos em atividade protagonizam o duelo

Sebastian Vettel, com quatro campeonatos, e Lewis Hamilton, com três, são os maiores campeões da F1 em atividade. Até o GP da China, os dois estavam empatados com 43 pontos – uma vitória e um segundo lugar cada. A vitória do ferrarista no Bahrein desempatou a questão: 68 a 61.

A briga dos dois deve seguir pelas próximas 16 corridas restantes. A próxima batalha é a da Rússia, no novato circuito de Sochi, que recebe apenas sua quarta corrida da história. Disputado no Parque Olímpico dos Jogos de Inverno de 2014, as 53 voltas podem levar a uma disparada da Ferrari ou um novo empate.

Nas três corridas anteriores, Hamilton venceu duas (2014 e 2015) e o ex-companheiro Nico Rosberg venceu a disputa em 2016. “Acredito que em Sochi veremos a briga da Mercedes e Ferrari aumentar ainda mais, com a RBR correndo por fora”, aposta Douglas.

Ainda é cedo para se especular quem pode vencer o campeonato, mas as apostas já estão lançadas. “Eu torço demais para que o Vettel ganhe esta temporada, entretanto o Hamilton não deixará isso acontecer facilmente.”

Os números de Vettel e Hamilton

Temporada de estreia na Fórmula 1 

Lewis Hamilton – 2007
Sebastian Vettel – 2007

Grandes prêmios  disputados 

Lewis Hamilton – 190 GP’s
Sebastian Vettel – 180 GP’s

Total de pontos conquistados na carreira

Lewis Hamilton – 2.290
Sebastian Vettel – 2.151

Pódios

Lewis Hamilton – 106
Sebastian Vettel – 88

Maior número de voltas na liderança 

Lewis Hamilton – 3.062
Sebastian Vettel – 2.742

Maior número de voltas mais rápidas 

Lewis Hamilton – 32
Sebastian Vettel – 28

Títulos conquistados

Lewis Hamilton – 3
Sebastian Vettel – 4

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