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Como o rádio sobreviverá à era do streaming?

Debate entre profissionais da área propôs algumas saídas para a crise enfrentada pelo meio

O avanço das plataformas de streaming de música on-line tem gerado várias discussões acerca do futuro do rádio. As alternativas para contornar o atual cenário de incerteza foram tema do bate-papo entre o jornalista Porã, comunicador da Rádio Atlântida, e o publicitário Gustavo Mini, head de criação da DZ Estúdio, com mediação do radialista Mauro Borba. A conversa ocorreu na última quinta-feira, 27, na Sala Santander do campus Unisinos Porto Alegre.

A distinção entre a mídia e seu suporte não é considerada, segundo Mini. “A gente chama pelo nome do aparelho coisas que são muito mais que um aparelho”, explica. Para ele, o radialismo passa por uma fase de transformação, mas a curadoria musical e a produção de conteúdo não irão acabar.

Essa curadoria também se destaca em serviços como Spotify, Apple Music, Deezer e Rdio, que se consolidaram nos últimos anos. “Mesmo tendo esse monte de opções, as pessoas ainda gostam de ouvir uma playlist pronta”, argumenta Porã. De acordo com o comunicador, a infinidade de canções disponíveis deixa os usuários sem rumo.

Uma das diferenças que contribuem para que as emissoras ainda tenham seu espaço, segundo ele, é a forma como essa curadoria acontece: enquanto nesses serviços a maioria das playlists é criada por algoritmos, no rádio ela é feita por um programador musical ou pelo próprio apresentador. “A comodidade do rádio ainda é a diferença para as pessoas”, complementa Mauro Borba.

Há também o fato de nem todos disporem de acesso à internet no país. Cerca de 100 milhões de brasileiros dependem dos diferentes dials e de mídias físicas para ter acesso às obras de cantores e bandas. Por isso, o comportamento do público ainda é pouco previsível. “São 100 milhões de gostos, 100 milhões de jeitos, não tem como prever”, expõe Mini.

Para os palestrantes, algumas características são fundamentais para que essa mídia siga viva. Borba afirma que o principal é se adaptar aos novos tempos. “A necessidade de se reinventar é natural”, assegura. Interface simples nos sites e aplicativos, autoralidade e assuntos relevantes para a comunidade garantem o sucesso das estações de rádio mesmo em tempos de streaming. Além disso, o jornalismo deve voltar às raízes investigativas, diminuindo a atual quantidade de opinião sem apuração aprofundada.

Seja no carro, seja pelo celular, seja pela internet, os sons criam a trilha sonora cotidiana. As plataformas se renovam, mas a busca segue a mesma. Todos ainda procuram música e conteúdo de qualidade. O que muda é apenas a forma como a encontram.

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