Geral

Comida é pasto: conheça as PANCs

Entrevista com, Bruna de Oliveira e Andreza Livramento, alunas da Unisinos que fazem parte do grupo que fundou o projeto Other Food, que pretende criar a concientização de que é possível buscar a solução para o problema da fome em plantas alimentícias não convencionais.

Entrevista com, Bruna de Oliveira e Andreza Livramento, alunas da Unisinos que fazem parte do grupo que fundou o projeto Other Food, que pretende criar a concientização de que é possível buscar a solução para o problema da fome em plantas alimentícias não convencionais.

Até 2050, o planeta deverá ter 9 bilhões de habitantes e a FAO, instituição da ONU para Agricultura e Alimentação, teme que não haja produção suficiente de comida para alimentar tanta gente. E não será por carência de alimento, mas talvez pela falta de diversidade na alimentação humana.

Uma das saídas apontadas por alguns pesquisadores são as PANCs – Plantas Alimentícias Não Convencionais. O termo nasceu em 2007, criado pelo agrônomo amazonense Valdely Kinupp em sua tese de doutorado em fitotecnia, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Apesar de o termo ser recente, os estudos sobre tais vegetais são antigos.

A nutricionista e co-fundadora do projeto Other Food, Bruna de Oliveira, explica que essas plantas eram utilizadas na alimentação animal e nas gerações passadas de famílias agricultoras. Com o desuso e falta de incentivo no consumo, esses alimentos foram sendo esquecidos. “Essas plantas foram negligenciadas no processo de globalização que também atingiu o setor de alimentos. Tanto algumas práticas agrícolas como alguns conhecimentos populares foram sendo esquecidos e com eles ocorreu a subutilização desses vegetais”, explica. A nutricionista ainda ressalta que a própria FAO utiliza o termo NUS (Neglected and Underutilized Species), que significa espécies negligenciadas e subutilizadas, para caracterizar essas plantas.

Em documento organizado pela Bioversity International, organização global de pesquisa com foco na biodiversidade agrícola e alimentar com visão sustentável ao planeta, é ressaltada a potencialidade das PANCs para lidar com problemas globais como a redução da fome e da pobreza e a adaptação às alterações climáticas. Segundo o biólogo Leonardo Bazanella, há mais de 300 mil espécies de plantas catalogadas no mundo. Para ele, falta pesquisa na área para melhor aproveitamento. “Há muito estudo para ser feito. A botânica é complexa, mas precisamos olhar para a existência dessas alternativas. A etnobotânica que tem o olhar para os conhecimentos empíricos de índios e agricultores, por exemplo, ajuda a entender mais sobre essa área”, explica.

Alimento no quintal

As PANCs são reunidas em função da sua espontaneidade de germinação. “Elas independem da ação humana para serem plantadas. Por não terem um apelo comercial, elas não possuem um cultivo padronizado”, esclarece Bruna. Ainda há poucos espaços para comercialização dessas plantas, e a maior parte é encontrada em terrenos baldios e nos jardins de algumas casas.

Para a artesã de São Paulo Juh Dan Nhampã, 40 anos – e vegana há cinco -,  as PANCs são uma forma de diversificar o cardápio. “Compro em feiras, mas geralmente pego nos jardins da avó, das tias. São várias as espécies: malva, capuchinha, ora-pro-nobis, ervas em geral, flores, serralha, dente de leão. Faço chá, sopas, saladas ou refogados”, ressalta. O que motiva Juh são “os sabores exóticos e a saúde”.

 Cuidados para identificar uma PANC

– Estude através de fotos e descrição de plantas.

– Avalie o espaço onde está inserida, se há animais no local, por exemplo.

Veja receitas aqui

Alternativa à fome

Other Food é um movimento em prol da erradicação das fomes no mundo por meio de hortas, orgânicos e Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs). Um movimento que propõe um espaço de convergência entre pessoas e organizações preocupadas em resgatar elementos de uma alimentação mais solidária, orgânica e saudável.

Saiba mais aqui.

Lida 843 vezes

Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Por favor resolva a equação * Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.